domingo, 23 de março de 2014

Las Vegas Grind, part 2

Las vegas é um simbolo muito forte da cultura americana. Parece que por lá as coisas são todas possíveis, talvez por isso sua conotação sexual tão forte (mesmo que hoje em dia seja proibida a prostituição dentro dos limites da cidade). A música querendo ou não sempre foi algo importante na sociedade, seja como algo principal da noite, seja apenas como ambiência ou como pano de fundo para um show de strip tease. O que chama atenção aqui é este "rockabilly" incomum, particular, estranho, difere do Little Richard, Elvis ou Chuck Berry, mas ainda é Rockabilly. A originalidade chama muito a atenção, talvez pelo propósito final as músicas tem poucas vozes, geralmente quando se canta ou fala é alguma brincadeira ou simplesmente berros e gemidos, essas brincadeiras são acompanhadas pela banda que batuca aqui, toca um acorde diferente ali, muda o ritmo e por ai vai. De qualquer forma é uma boa coletânea para se ter. Logo posto as outras partes (parece que há até o volume 6).

segunda-feira, 17 de março de 2014

The Palatine Factory Story (1978-1990)

Muito provavelmente você deve ter uma camiseta do Joy Division, deve ouvir seus discos e balançar o esqueleto enquanto ouve blue monday do New Order. Deve adorar a mistura de rock com eletrônico, do eletrônico em si e de sons experimentais. De certa forma todo mundo sabe o que foi o punk rock pelo mundo, ele deu a possibilidade de qualquer pessoa fazer uma banda e seu som. Querendo ou não isso foi super importante e praticamente tudo de original que temos depois do final dos anos 1970 deve alguma coisa ao punk rock.
A cena de Manchester deve em muito. Mas precisamos sempre entender o que foi essa cena, pois muitas vezes pode parecer difícil sacarmos a importância da coisa toda. Parece que a maior parcela da população mora em cidades médias ou algo parecido (não conheço bem as estatisticas), e de uma forma ou de outra sempre parecem haver centros que emanam as tendências e se mostram os únicos privilegiados com as inovações e novidades. Apesar da decadência Novaiorquina de finais de 1970, ainda estamos falando de Nova Iorque - e Londres. Cidades consagradas como importantes centros cosmopolitas, enquanto nós, os caipiras, morremos de tédio

Até certo ponto haviam condições propícias na cidade de Manchester, não era algo minúsculo, afinal foi ali que a revolução industrial começou, o que lhe garantia uma urbanidade. Ao mesmo tempo não podemos esquecer de toda a decadência pela qual a região passava devido a mudança macro econômica inglesa, que pretendia diminuir a produção e aumentar a prestação de serviços (não por acaso são hoje muito mais um centro financeiro do que produtor, o que lhes ocasiona problemas algumas vezes). Mas quem ouvia falar de Manchester naquela época? Ninguém, era apenas mais uma cidade esquecida. Tony Wilson talvez seja a resposta que desejamos. Rapaz estudado numa boa universidade, arranja emprego numa rede televisiva do interior. A partir de seu emprego ele percebe a oportunidade que se mostrava e começa a produzir estas bandas, não demorando muito funda a Factory, uma gravadora tão importante quanto a Sub pop, e por meio dessa gravadora lançavam muita coisa boa além de Joy Division e New Order.

Parece que o pessoal de Manchester sempre estava ligado no que estava rolando de bom na época. Antenados com o que havia de melhor podemos ouvir músicas lindas como sketch for summer do Durutti Column, Hymn from a village da banda James até as eletrônicas Cool as ice 52nd steet e Yashar da consagrada Cabaret Voltaire. Isso tudo somado as faixas obrigatórias de Joy Division, New Order e Happy Mondays. Se você quer agitar uma festa pós-punk ou quer ouvir aquele sonzinho anos 80 alternativo, essa é a coletânea. O bom é que diferente de muitas coletâneas, muito som você dificilmente encontrará em outro lugar.

terça-feira, 11 de março de 2014

Chicago House Music Classics



Com certeza um dos estilos musicais mais populares da atualidade é a música eletrônica, e um dos gêneros de música eletrônica mais conhecido e apreciado é a house music. Originária da cidade de Chicago em meados dos anos 80 (1984, pra ser mais exata), esse novo estilo de dance music tocava no clube Warehouse, e as pessoas iam as lojas de discos procurando "por aquela música que toca na Warehouse",  logo rolou o encurtamento do nome do clube, a popularização do gênero e nasceu o House.

Chicago House Music Classics é uma compilação do early house e classic house dessa época, com clássicos e tracks raras. O classic house é muuuuito diferente da house music que toca nos clubes de hoje em dia. Além do tempo tempo das batidas 4/4, o classic house tem bpm baixo e muitas músicas ainda gravadas com "instrumentos de verdade", como piano, bateria e baixo. Em algumas você nota a "modernização" com sintetizadores, baterias eletrônicas e samplers. Como são 189 faixas (!) no CHMC, há faixas das primeiras fases do house, quando ainda era muito parecido com funk e disco; cheias de pegadas dançantes e vocais. Há ainda faixas com a produção eletrônica bem mais refinada, podendo-se realmente observar uma semelhança com a música eletrônica contemporânea, como referência, mas quando a música "fica boa", surge um vocal melódico com letras românticas (pô!). De qualquer maneira, classic house é um gênero que você só consegue entender e gostar a não ser se você "viveu aquilo", naquela momento, em Chicago. Isso porque a maioria das faixas soam antigas e cafonas para nós. Mas é interessante para apreciadores de música eletrônica em geral, conhecer o berço e a evolução desse estilo musical. Fãs de dance e funk também ficarão satisfeitos ouvindo CHMC.



Há faixas clássicas discotecadas até hoje por DJs de house, como "House Nation" do The House Master Boyz e The Boy Rude of House, "Move Your Body" do Marshall Jefferson, "Can You Feel It" de Fingers Inc., com a calorosa versão de Genesis da house music.  Chicago House Music Classics ainda tem as primeiras faixas de acid house (Phuture - Acid Tracks), hip house (The Beatmasters ft. Cookie Crew - Rok da House).

Os dois selos mais significativos para o house music de Chigado são Trax Records e DJ International, ambas na ativa até hoje.

baía pirata

terça-feira, 4 de março de 2014

Cleaners from Venus - In The Golden Autumn (1983)

Durante os anos 80 havia uma cultura das fitas k7 muito forte. Afinal, sem a internet era preciso dar algum jeito de conseguir suas músicas de uma forma mais barata. É também nos anos 1980 que o DIY do Punk está bem aceito entre os músicos e a busca por meios independentes de divulgação e gravação ganha notoriedade. Cleaners from Venus é uma espécie de banda "master" desta cultura do cassete (cassete culture, em inglês). Basicamente seu trabalho era lançado por meio do k7 e como podemos perceber pela capa, faziam um trabalho bem manual. O Som é bem particular, segue bem na linha dos anos 1980 mesmo, porém sua não tão boa qualidade de gravação acabam dando uma sonoridade lo-fi especial. Há uma mescla de elementos tradicionais do rock, como violão e guitarra, mas sintetizadores e baterias eletrônicas estão presentes. Recomendo ouvir Cleaners from Venus em dias de chuva. Vale a pena dar uma olhada nessa coisa do casste, parece que está voltando e que durante os anos 80 e princípios de 90 foi uma cultura muito forte, lançando muita coisa boa. Reza a lenda foi por meio das fitas que o indie rock se fez.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Joe Strummer & the Mescaleros - Streetcore (2003)

Até onde sei, quando Joe Strummer lançou esta série de discos fazia muito tempo que ele andava sumido, ninguém mais parecia saber de seu paradeiro. Quando de súbito ele aparece com esta série de albúns de canções inéditas, quando sem que ninguém esperasse ele morre. Este disco em especial é lançado postumamente, porém da série lançada por ele e os Mescaleros na virada de 1999-2000, este é o disco com o qual eu mais estou familiarizado. Temos boas músicas, mas o problema é que em relação ao que foi produzido durante os tempos do Clash, podemos nos decepcionar um pouco. Mas vale lembrar que a sonoridade aqui é diferente, Strummer buscava um novo caminho. De maneira geral temos uma fusão entre o rock e o reggae mais madura e sólida, já bem marcada e regrada. Joe Strummer abusa dessas fusões e praticamente não usa a sonoridade punk, pela qual ficou famoso. Ele está ligado a estes elementos fusion e a aquilo que foi chamado de pub rock, que ele já havia feito com os 101ers. Não é um disco de todo forte, óbvio que não é ruim também, mas sem dúvidas este albúm não teria tanta expressão caso fosse lançado por outra pessoa. Ainda assim vale a pena, só não espere por punk rock, é a última coisa que você vai encontrar.