sábado, 18 de março de 2017

Cory Hanson - The unborn capitalist from limbo (2016)

Este disco do Cory Hanson me pegou desprevenido, e é ótimo quando algo assim acontece. Com sua vertente clara pelo folk estadunidense no melhor estilo voz e violão, suas músicas são maravilhosamente complementadas por banda de apoio e orquestra. O resultado deste disco de pouco mais de meia hora, é maravilhoso. Arrisco que é um disco para estar entre os melhores de 2016, e eu nem ouvi os outros. Poderia ser mais um folk manjado, mas não é. Suas músicas são tranquilas, e creio, falam deste limbo que vivemos dos 2000's pra cá. É uma música que te ajuda a absorver os momentos do dia. O violão simplório e marcante dá uma sustentação para todo o resto. Um disco maravilhoso.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Chet Baker - Italian Sessions (1962)

Chet Baker é definitivamente um dos maiores jazzistas, e mesmo sem ouvir nada de jazz você já ouvi falar dele, ou já escutou alguma vez my funny valentine (que foi por ele imortalizada). Curioso que Baker teve uma carreira conturbada, fazendo sucesso rápido e jovem, logo começa aquele típico caminho para a decadência de deixar muito roqueiro no chinelo. É nesse clima de decadência que ele acaba indo para Itália, onde lançou uma série de materiais medianos, porém este disco é um material acima da média, segundo a jazz times, bem acima da média - e eu concordo. Um disco praticamente tão bom quanto o Chet Baker Sings, apesar da sonoridade e proposta bem distintas. Gosto que o uso do trompete (e as vezes da flugelhorn) são de uma suavidade maravilhosa! É isto que encanta em Chet Baker, e faz com que você possa ouvir músicas e mais músicas. Não por acaso, sua imagem durante muito tempo foi associada a alguma coisa como um James Dean do jazz, rapazinho bonito e sedutor, sua música é assim mesmo.

obs: o catálogo de Chet Baker é algo absurdo, e este disco foi originalmente lançado como Chet is Back em 1962, para em 1990 ser relançado como Italian sessions. Como o arquivo estava assim nomeado, mas a data das gravações é de 1962 preferi ir por este raciocínio.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Alice Coltrane - Journey to Satchidananda (1970)

Se você gostou do Ptah, the el Daoud, este disco lançado na sequência vai agradar. Na mesma linha, porém mais acessível, mais fácil de ser escutado, menos experimental. A banda aqui está um pouco mais complexa, mas a simplicidade e ritmo em torno do baixo e a bateria continua marcante. O uso de instrumentos indianos também é perceptível, e os solos em sax tenor de Pharoah Sanders também estão aqui. Música incrível, que fez eu me perguntar como ignorei Alice Coltrane tanto tempo, como nunca ouvi falar dela?

sábado, 21 de janeiro de 2017

Charles Mingus - The Clown (1957)

Charles Mingus é o responsável por me fazer atentar para o jazz. Gosto do grave do baixo, conceber a música sem isso é uma coisa difícil para mim. Mingus é baixista, e isto agrada muito, pois seu baixo está sempre presente. Mais do que isso, em Mingus escuto mais do que a simples demonstração de habilidade, muito comum e exaustiva no jazz. Ele e sua banda vão nos conduzindo maravilhosamente bem através de sons que não estão ali para impressionar ninguém, apenas nos preencher. A faixa de abertura é o grande destaque aqui, foi pensando Haitian fight song que o disco Blues & Roots foi concebido. É o grande destaque absoluto do disco. A banda consegue produzir sons variados conforme vai evoluindo sua música, usando bastante de crescendos. Blue Cee e a Reincarnation of lovebird são boas músicas, e dão conta de continuar o disco. Confesso que a faixa título é a que menos me prende, não consigo sentir vontade de ouvi-la, quem sabe um dia mude de ideia. As músicas e os discos de Mingus, continuam valendo a pena serem ouvidos.


sábado, 10 de dezembro de 2016

DAF (Deutsch Amerikanische Freundschaft) - DAF - (1988)

DAF é uma banda alemã pioneira no campo do eletrônico. Conheci eles através de um filme ruim, mas com trilha sonora boa chamado The Guest. Uma dupla, seu som é um sintetizador programado, uma bateria e o vocal. Seus maiores sucessos são Der Mussolini e a hipnótica Alles ist Gut. Confesso que gosto bastante deles. Sua simplicidade sonora e lírica me agradam bastante. Achar coisa do DAF é algo complicado, não sei como, mas mesmo sendo uma banda super importante, eles acabam não sendo tão famosos quanto se esperaria. Este disco parece ser uma compilação de 1988 com a produção de ninguém menos que Cony Plank - e se você não sabe quem é Cony Plank, procure dar uma olhada nisso e começar a entender os motivos que levaram Bowie a gravar discos/músicas maravilhosos/as em Berlim. Sonoridade frenética, podem facilmente ser a trilha sonora de festas insanas ou agitados filmes de ficção científica.

domingo, 4 de dezembro de 2016

VA - Putumayo presents: Latin Lounge (2005)

Putumayo é uma gravadora especializada em lançar músicas de ritmos não convencionais, ou se preferir, tradicionais/folclóricos. O dono da gravadora percebeu certa vez um grupo de músicos caribenhos ou africanos (algo assim) tocando e a carência das pessoas em terem acesso a este tipo de música. Desta forma eles são especializados em organizarem coletâneas temáticas, como esta que é dedica ao lounge latino. De maneira geral, o trabalho desta gravadora merece ser conhecido, ajuda bastante a expandir os horizontes musicais. Este disco em específico é muito bom de ouvir, que por ser lounge tem alguma coisa de equilibrado entre a música ambiente e o pop fácil que ouvimos nas rádios. 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Georg Friedrich Händel - Trevor Pinnock- The Harmonius Blacksmith & 4 Suites for Harpsichord (1995)

A busca por novos sons deve ser intensa. Nisto, fucei um tempo atrás gravações sobre Cravo. Instrumento comumente apontado como antecessor do piano, tem seu funcionamento através de pinças sobre cordas. É um instrumento muito característico do período barroco, comumente utilizado para ambientes mais privados, reservados. Gerog Friedrich Händel é um dos grandes expoentes da música barroca. Alemão, vai consagrar seu trabalho em terras inglesas. É verdade que escutar um cravo horas seguidas, pode ser algo cansativo como colocou uma amiga minha, ainda assim é válido escutar este curioso e complexo instrumento trabalhando. A gravação da execução de Pinnock é muito boa, não sendo incomum escutarmos as cordas sendo pinçadas ou as teclas voltando para seu lugar no teclado.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Brian Eno with Daniel Lanois & Roger Eno - Apollo: Atmospheres and Soundtracks (1983)

A ideia do disco é ser uma trilha sonora para um documentário sobre as missões apollo. O disco é numa linha de ambiente fácil de ser ouvido, pois as músicas são curtas e mais atmosféricas do que temos no disco de música de aeroporto do Brian Eno. Ando escutando bastante música ambiente, e em especial Brian Eno. O Disco apollo é sempre bem quisto no caso de dúvidas e na busca de algo mais fácil e prático de ouvir. O uso de guitarras tem alguma presença aqui, algo que também encontramos nas participações com Robert Fripp, mas soam diferentes.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Alice Coltrane - The Ptah, El Daoud (1970)

Não saber até pouco tempo atrás quem foi Alice Coltrane, me envergonha. Como é de se imaginar, ela foi esposa de John Coltrane. Mas o que me surpreendeu não é esta associação - esse costume de reduzir mulheres à com quem são casadas. O que surpreendeu é sua música. Construída entre o jazz e ritmos tradicionais (em especial indianos, até pela sua conversão ao hinduismo em 1970), sua sonoridade é algo único. A potência da música é para tomar conta do ambiente. Sua oscilação entre o piano e a harpa, que pensei em princípio seria algo estranho, compõe execuções bem particulares. Tudo isto é produzido por um quarteto, que por vezes oscilam seus instrumentos, tal qual Alice Coltrane faz em Blue Nile, onde te leva para descer o Nilo, ora tocando piano, ora harpa. A faixa Turiya & Ramakrishna é o grande destaque. Em resumo uma música entorpecedora.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Iggy Pop - Post Pop Depression (2016)

Este disco flerta bastante com uma certa alta da música pós-punk-depressiva-noir. A estética é esta o disco todo, e a referência é clara ao lermos uma das faixas chamas german days, nos remetendo as andanas de Pop por Berlim. Não estamos falando de obra-prima, e acredito que Iggy Pop já produziu as obras primas que uma pessoa na terra poderia produzir. Ainda assim o disco é bem consistente, apresenta faixas que valem a pena serem ouvidas muito mais do que uma única vez, como é o caso da minha favorita Gardenia. O fato de contar com um músico experiente como Joshua Homme, mais famoso por sua atuação junto ao Queens of stone age colabora bastante. Suas guitarras não são óbvias, e vão para além da pegada garageira que lhe deixou famoso. O que digo de Joshua Homme é que ele conseguiu ir além daquilo que o consagrou, palmas para ele. E Iggy Pop conseguiu produzir um disco sintonizado, bem acabado e bom de ser ouvido, mais palmas. Lembrando que uma banda não é nada sem a totalidade de seus integrantes, as palmas não podem faltar para Dean Ferita e Matt Helders.