domingo, 30 de abril de 2017

Ryo Fukui - Scenery (1976)

Onde alguém consegue aprender piano aos 22 anos e lançar um disco de sucesso 6 anos depois? No Japão isso aconteceu através de Ryo Fukui e seu Scenery de 1976. Curioso que, pelos anos 1960 o jazz foi perdendo espaço para o rock e a música pop. Nesse quadro o Japão foi uma exceção, e lá o jazz estava bombando pela década de 1970. Passado algum tempo da Segunda Guerra, os japoneses nascidos pós-guerra conseguiam aceitar melhor a crescente influência estadunidense. Como sabemos, os  Estados Unidos começa a se apresentar como detentor e produtor da cultura ocidental, deslocando o eixo da Europa (no caso, França, Inglaterra e Alemanha). É neste contexto que o jazz ganhou força nos anos 1950 e o pop rock nos 1960. Durante a década de 1970 o jazz estava em seu auge no Japão, e enquanto os jazzistas sobreviventes exploravam cada vez mais novos ritmos, vide Alice Coltrane, Miles Davis e Herbie Hancock, Ryo Fukui lançava um disco maravilhoso pautado no jazz mais clássico e conhecido dos anos 1950-60. Algum paralelo deste trabalho com algo de Sonny Clark é mais viável do que alguma comparação com Phaorah Sanders. Até hoje disco se mantém um clássico, cunhado entre obras experimentais de sua época, traz um trabalho pautado numa linha mais tradicional, sem porém soar repetitivo e previsível. As faixas destaque ficam por conta de willow weep for me, atuum leaves e a magnífica early summer. Um disco fácil de se ouvir do começo ao fim.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sonny Clark - Cool Struttin' (1958)

O imediato pós-guerra talvez seja a época dourada do jazz, não só por ter inserção em ampla fatia do público, mas principalmente pelas inovações produzidas por sujeitos como Miles Davis, Chet Baker, John Coltrane e outros. Sonny Clark não é um dos sujeitos passíveis de algum desmerecimento e reclusão para notas de curiosidade. Pianista talentoso, versado em sua habilidade, é responsável por algumas das melhoras músicas do período. Dentre seus discos mais famosos, possivelmente cool struttin' esteja entre os mais bem acabados. Audível da primeira a última faixa de forma insana, temos a grande obra, possível que seja a mais clássica, do hard bop. É um disco que cativa os ouvintes mais experientes do jazz e os mais frescos (meu caso). Desde a capa, até as canções, temos aquilo que me fisgou no jazz, sua euforia rítmica, sua forma de conduzir sons quebrados e atravessados (do que Mingus me parece um gênio maior), de produzir a atmosfera do isolamento e solidão de tarde da noite, da busca por estímulos mais variados, e tudo possibilitado pelo urbano, está aqui. Do café ao jantar, do trânsito ao passeio na calçada, faz sentido os estilos bop acabarem tão associados a noite e a cidade de Nova Iorque.

sábado, 18 de março de 2017

Cory Hanson - The unborn capitalist from limbo (2016)

Este disco do Cory Hanson me pegou desprevenido, e é ótimo quando algo assim acontece. Com sua vertente clara pelo folk estadunidense no melhor estilo voz e violão, suas músicas são maravilhosamente complementadas por banda de apoio e orquestra. O resultado deste disco de pouco mais de meia hora, é maravilhoso. Arrisco que é um disco para estar entre os melhores de 2016, e eu nem ouvi os outros. Poderia ser mais um folk manjado, mas não é. Suas músicas são tranquilas, e creio, falam deste limbo que vivemos dos 2000's pra cá. É uma música que te ajuda a absorver os momentos do dia. O violão simplório e marcante dá uma sustentação para todo o resto. Um disco maravilhoso.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Chet Baker - Italian Sessions (1962)

Chet Baker é definitivamente um dos maiores jazzistas, e mesmo sem ouvir nada de jazz você já ouvi falar dele, ou já escutou alguma vez my funny valentine (que foi por ele imortalizada). Curioso que Baker teve uma carreira conturbada, fazendo sucesso rápido e jovem, logo começa aquele típico caminho para a decadência de deixar muito roqueiro no chinelo. É nesse clima de decadência que ele acaba indo para Itália, onde lançou uma série de materiais medianos, porém este disco é um material acima da média, segundo a jazz times, bem acima da média - e eu concordo. Um disco praticamente tão bom quanto o Chet Baker Sings, apesar da sonoridade e proposta bem distintas. Gosto que o uso do trompete (e as vezes da flugelhorn) são de uma suavidade maravilhosa! É isto que encanta em Chet Baker, e faz com que você possa ouvir músicas e mais músicas. Não por acaso, sua imagem durante muito tempo foi associada a alguma coisa como um James Dean do jazz, rapazinho bonito e sedutor, sua música é assim mesmo.

obs: o catálogo de Chet Baker é algo absurdo, e este disco foi originalmente lançado como Chet is Back em 1962, para em 1990 ser relançado como Italian sessions. Como o arquivo estava assim nomeado, mas a data das gravações é de 1962 preferi ir por este raciocínio.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Alice Coltrane - Journey to Satchidananda (1970)

Se você gostou do Ptah, the el Daoud, este disco lançado na sequência vai agradar. Na mesma linha, porém mais acessível, mais fácil de ser escutado, menos experimental. A banda aqui está um pouco mais complexa, mas a simplicidade e ritmo em torno do baixo e a bateria continua marcante. O uso de instrumentos indianos também é perceptível, e os solos em sax tenor de Pharoah Sanders também estão aqui. Música incrível, que fez eu me perguntar como ignorei Alice Coltrane tanto tempo, como nunca ouvi falar dela?

sábado, 21 de janeiro de 2017

Charles Mingus - The Clown (1957)

Charles Mingus é o responsável por me fazer atentar para o jazz. Gosto do grave do baixo, conceber a música sem isso é uma coisa difícil para mim. Mingus é baixista, e isto agrada muito, pois seu baixo está sempre presente. Mais do que isso, em Mingus escuto mais do que a simples demonstração de habilidade, muito comum e exaustiva no jazz. Ele e sua banda vão nos conduzindo maravilhosamente bem através de sons que não estão ali para impressionar ninguém, apenas nos preencher. A faixa de abertura é o grande destaque aqui, foi pensando Haitian fight song que o disco Blues & Roots foi concebido. É o grande destaque absoluto do disco. A banda consegue produzir sons variados conforme vai evoluindo sua música, usando bastante de crescendos. Blue Cee e a Reincarnation of lovebird são boas músicas, e dão conta de continuar o disco. Confesso que a faixa título é a que menos me prende, não consigo sentir vontade de ouvi-la, quem sabe um dia mude de ideia. As músicas e os discos de Mingus, continuam valendo a pena serem ouvidos.


sábado, 10 de dezembro de 2016

DAF (Deutsch Amerikanische Freundschaft) - DAF - (1988)

DAF é uma banda alemã pioneira no campo do eletrônico. Conheci eles através de um filme ruim, mas com trilha sonora boa chamado The Guest. Uma dupla, seu som é um sintetizador programado, uma bateria e o vocal. Seus maiores sucessos são Der Mussolini e a hipnótica Alles ist Gut. Confesso que gosto bastante deles. Sua simplicidade sonora e lírica me agradam bastante. Achar coisa do DAF é algo complicado, não sei como, mas mesmo sendo uma banda super importante, eles acabam não sendo tão famosos quanto se esperaria. Este disco parece ser uma compilação de 1988 com a produção de ninguém menos que Cony Plank - e se você não sabe quem é Cony Plank, procure dar uma olhada nisso e começar a entender os motivos que levaram Bowie a gravar discos/músicas maravilhosos/as em Berlim. Sonoridade frenética, podem facilmente ser a trilha sonora de festas insanas ou agitados filmes de ficção científica.

domingo, 4 de dezembro de 2016

VA - Putumayo presents: Latin Lounge (2005)

Putumayo é uma gravadora especializada em lançar músicas de ritmos não convencionais, ou se preferir, tradicionais/folclóricos. O dono da gravadora percebeu certa vez um grupo de músicos caribenhos ou africanos (algo assim) tocando e a carência das pessoas em terem acesso a este tipo de música. Desta forma eles são especializados em organizarem coletâneas temáticas, como esta que é dedica ao lounge latino. De maneira geral, o trabalho desta gravadora merece ser conhecido, ajuda bastante a expandir os horizontes musicais. Este disco em específico é muito bom de ouvir, que por ser lounge tem alguma coisa de equilibrado entre a música ambiente e o pop fácil que ouvimos nas rádios. 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Georg Friedrich Händel - Trevor Pinnock- The Harmonius Blacksmith & 4 Suites for Harpsichord (1995)

A busca por novos sons deve ser intensa. Nisto, fucei um tempo atrás gravações sobre Cravo. Instrumento comumente apontado como antecessor do piano, tem seu funcionamento através de pinças sobre cordas. É um instrumento muito característico do período barroco, comumente utilizado para ambientes mais privados, reservados. Gerog Friedrich Händel é um dos grandes expoentes da música barroca. Alemão, vai consagrar seu trabalho em terras inglesas. É verdade que escutar um cravo horas seguidas, pode ser algo cansativo como colocou uma amiga minha, ainda assim é válido escutar este curioso e complexo instrumento trabalhando. A gravação da execução de Pinnock é muito boa, não sendo incomum escutarmos as cordas sendo pinçadas ou as teclas voltando para seu lugar no teclado.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Brian Eno with Daniel Lanois & Roger Eno - Apollo: Atmospheres and Soundtracks (1983)

A ideia do disco é ser uma trilha sonora para um documentário sobre as missões apollo. O disco é numa linha de ambiente fácil de ser ouvido, pois as músicas são curtas e mais atmosféricas do que temos no disco de música de aeroporto do Brian Eno. Ando escutando bastante música ambiente, e em especial Brian Eno. O Disco apollo é sempre bem quisto no caso de dúvidas e na busca de algo mais fácil e prático de ouvir. O uso de guitarras tem alguma presença aqui, algo que também encontramos nas participações com Robert Fripp, mas soam diferentes.