Putumayo é uma gravadora especializada em lançar músicas de ritmos não convencionais, ou se preferir, tradicionais/folclóricos. O dono da gravadora percebeu certa vez um grupo de músicos caribenhos ou africanos (algo assim) tocando e a carência das pessoas em terem acesso a este tipo de música. Desta forma eles são especializados em organizarem coletâneas temáticas, como esta que é dedica ao lounge latino. De maneira geral, o trabalho desta gravadora merece ser conhecido, ajuda bastante a expandir os horizontes musicais. Este disco em específico é muito bom de ouvir, que por ser lounge tem alguma coisa de equilibrado entre a música ambiente e o pop fácil que ouvimos nas rádios.
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domingo, 4 de dezembro de 2016
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Ry Cooder & Vishwa Mohan Bhatt - A Meeting by the River (1993)
Muita gente, incluso eu, conhece Ry Cooder por seu trabalho com o Buena Vista Social Club ou pela trilha sonora de Paris, Texas. Mas Ry Cooder, talvez seja um dos grandes nomes das seis cordas nos EUA e no mundo. O sujeito tem uma sensibilidade interessante para música, buscando ir além do óbvio, bem como transitando por vários ritmos (tarefa árdua para músicos, dado que cada novo ritmo é como aprender uma nova forma de tocar). Este disco é um pouco apagado do lado dos trabalhos já citados, ou da contribuição mais conhecida com Ali Farká Touré. Verdade que não se mostra uma obra tão "completa" quanto os acima citados, mas é um disco que surpreende e entrega boas músicas. É um disco que gosto bastante de escutar no final do dia, com o por do sol. Junto com a "guitarra" temos as citaras* indianas, e outros instrumentos harmonizando bem em longas e meditativas faixas. É um disco que vale a pena ser ouvido.
BahiaPirata!
* verificando, o que Vishwa Bhatt usa é um instrumento entre a citara indiana e a guitarra.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
The Organ - Sinking Hearts EP (2002)
The Organ é uma banda fantástica, consta que a vocalista e frontwoman, passou por uma formação clássica e desconhecia as bandas mais soturnas dos anos 80 como cure, smiths, siouxsie etc, só conhecendo mais tarde, se fascinando e montando the Organ. A banda me pegou de jeito, abusando do chorus, das linhas conduzidas por um sofrimento ativo (um sofrimento que se mexe e te faz dançar). Este é o EP siminal antes delas lançarem o disco deradeiro (grab that gun). The organ vale a pena ouvir cada canção, suas músicas caem muito bem.
chutenocÜ!
chutenocÜ!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
the Upholsterers - Makers of High Grade Suites (2000)
Jack White trabalhava como aprendiz numa estofaria, foi lá que ele conheceu Brian Muldoon e os dois montaram uma banda, no mesmo estilo de White Stripes, guitarra e bateria. Seguindo essa linha do Flat Duo Jets, Jack White vai mostrar aqui o seu primeiro grito registrado. O curioso é observar a energia das músicas, Apple of my eye, composição do próprio White, é o grande destaque entre as três músicas do EP, todas ouvidas e re-ouvidas incansávelmente.É curioso observar nisso tudo como o punk serve ainda hoje para firmar bases sólidas, mesmo não sendo Jack White um primor em questões técnicas, é graças a sua base punk que a energia e a vontade de tocar estão sempre presentes em suas músicas.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Drive Soundtrack (2011)
Drive é um filme com um roteiro não muito complexo, mas bem construído, junto com toda estética do filme não podemos ignorar a trilha sonora. Elaborada por Cliff Martinez, que trabalha em vários setores da música profissional. A música é boa para climas mais soturnos, noir, na proposta do filme. Os destaques da trilha sonora ficam por conta das músicas não compostas por Cliff Martinez, nightcall, under your spell e real hero.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Mission of Burma - Signalls, Calls & Marches (1981-2008)
Durante os anos 80 as bandas pareciam competir para ver qual era a mais grandiosa, seja nos efeitos infinitos de uma nave espacial pousando, quanto pelo virtuosismo extremo de seus músicos. Mission of Burma já parece ser uma resposta do que estava acontecendo na surdina, nos lugares mal iluminados. Com um trio na clássica formação de baixo, guitarra e bateria eles conseguiram criar uma sonoridade ímpar e cheia de energia. Seu som consegue envolver quem o escuta, mesmo com toda sua simplicidade. Apesar do sucesso inicial, a banda formada em 1980 na cidade de Boston, termina em 1983. Este disco é um EP originalmente lançado num circuito pequeno em 1981, porém após a volta da banda em 2002, no ano de 2008 eles relançam este EP com algumas faixas extras. Aqui temos a clássica "That's when reach for my revolver" e "Max Ernst". A pegada da banda é bem marcante, e apesar de sua sonoridade bem fiel ao punk, seu clima sonoro nos remete ao pós-punk (afirmação possível principalmente pelas letras).
sábado, 20 de setembro de 2014
The Organ - Grab that gun (2004)
The Organ é uma dessas bandas maravilhosas que duram apenas um instante. Banda formada por mulheres, possuem uma sonoridade bem soturna e próximo as bandas clássicas dos anos 1980, como Joy division, Cure e Smiths, mas com uma cara particular. A referência é clara, bem explícita, mas não é algo forçado. O som limpo, cristalino e cheio de chorus é constante, com linhas de baixo bem definidas e um teclado fazendo arranjos necessários. Fiquei bem impactado quando escutei esse disco pela primeira vez e ainda escuto ele recorrentemente. Nisto tudo, me anima a quantidade de bandas na linha revival do pós-punk durante os anos 2000, esta foi (e continua sendo) uma sonoridade a qual se deve muito. Este é o único álbum completo que gravaram, além deste disco há mais dois EP's. Em 2006 a banda acabou devido a questões pessoais.
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quarta-feira, 23 de julho de 2014
La Casa Fantom - Ingen ny dag (2006)
La Casa Fantom é daquelas
bandas difíceis de serem classificadas em um estilo, que possuem uma
sonoridade de tamanha personalidade e em constante transformação
que rotulações sempre parecem descabidas e incapazes de traduzir
sua estética de maneira satisfatória. Mas que, para fins de
esclarecimento, pode-se dizer que trazem junto à sua raiz hardcore,
sonoridades que remetem ao post-rock, essa mistura que,
convencionou-se chamar de “Neocrust”, palavras que não explicam
muita coisa, mas que para os mais familiarizados com determinadas
vertentes musicais dão uma ideia do que esperar dessa banda.
Esse disco em questão, o
Ingen ny dag, traz 10 músicas que misturam elementos diversos, indo
de hardcore, post-rock, screamo, black metal e até algumas
influências de música eletrônica (!). Essas tão diversas
influências poderiam soar forçadas,
artificiais,
como tantas vezes podemos notar quando algumas bandas tentam misturas
diversos estilos na busca fracassada por uma sonoridade única. Mas
esse duo de baixo/bateria norueguês, de certa forma, consegue juntar
todas essas influências em composições extremamente ricas e
harmoniosas.
A excentricidade da decisão
de formar uma banda sem guitarra é esquecida ao ouvir as músicas e
notar a versatilidade do baixista, e vale dizer, tudo aqui é muito
bem executado e sem soar demasiadamente produzido. Todo o
instrumental é extremamente melancólico e as linhas de voz, ora
sussurradas, ora berradas, ajudam a enriquecer as músicas mesmo que
não sejamos capazes compreender as letras (esse disco é todo
cantado em norueguês). Gostaria de insistir que tudo nesse disco é
muito bem feito, o que dá a esse curto CD com cerca de 27 minutos,
uma fluidez enorme. O disco chega ao fim com a talvez mais eclética
das músicas do La Casa Fantom, “Rømmer til skogen”. De forma
incrível, a música começa com um ritmo “eletrônico” e passeia
por todos os elementos da banda juntos, tudo envolto por uma áurea
de melancolia
medieval,
terminando assim esse desconhecido álbum que deveria servir
referência para o punk da nossa atualidade.
Os noruegueses do La Casa
Fantom, mesmo com todas essas influências, representem uma volta às
raízes para tudo aquilo que nos acostumamos chamar de post-alguma
coisa (post-punk, post-hardcore, etc.), mas que no fundo pouco
conseguem representar do nome que carregam. Ingen ny dag, é um disco
punk, essencialmente punk, no melhor e mais puro significado que essa
palavra representa.
By Januario
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Joy DIvision - Fractured Box (2001)
Quando você conhece a curta discografia de uma banda de cabo a rabo, pode ser cansativo re-ouvir as músicas que você tanto gosta. De fato Joy Division começou como uma banda de punk, mas foi modificando seu som e são a ponte clara entre o punk e o que veio depois. Definiram muito bem uma sonoridade simples, e ainda difícil de reproduzir sem cair em fórmulas prontas (o que afinal, parece valer para qualquer estilo musical). O que temos é uma dessas raras bandas originais e únicas, como poucas conseguem ser. De fato o som de Joy Division é algo triste, perfeito para dias frios e chuvosos, mas é também um som selvagem, cru, cheio de energia, e é nas apresentações ao vivo que isto fica mais claro. Talvez por isso muita gente não perceba a "depressão" de Ian Curtis ao ouvir Joy Division pela primeira vez. Além do mais ouvir sua banda favorita ao vivo é sempre algo diferente do disco de estúdio, no caso do Joy Division - e do New Order - algumas vezes podemos pegar alguns "erros" e mudanças na reprodução da música em relação a versão do disco. É um ótimo disco compilando apresentações gravadas em boa qualidade.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Dance of Days - a história não tem fim (2001)
Alguns gêneros
musicais são bem conhecidos por suas “bandas genéricas”. Bandas
que fazem a mesmíssima coisa que dezenas de outras já fizeram, os
mesmos tipos de letras, os mesmos efeitos de guitarra, a mesma
estrutura, etc etc etc. O punk, hardcore, post-hardcore são famosos
por isso, assim como emo. Gêneros onde um mar de mediocridade
esconde algumas excelentes bandas, que tem uma inventividade muito
acima da média. O disco “A História Não Tem Fim”, da banda
paulistana Dance of Days é um ótimo exemplo disso.
Já no longínquo
ano de 2001, quando no cenário punk/hardcore era tomado por centenas
de bandas cantando em inglês, com uma sonoridade mais ou menos
parecida, o Dance of Days aparece com seu primeiro álbum cheio, com
15 músicas, 13 delas em português, um álbum gravado quase ao vivo,
o que por um lado mostra todas as falhas técnicas da banda (que não
são poucas), por outro também deixa transparecer toda a força e
energia do álbum. A primeira música, “Se Essas Paredes Falassem”
deixa muito claro a essência da banda, enquanto o vocalista grita a
letra que fala sobre um sujeito que em meio a um mundo extremamente
preconceituoso, se vê em um relacionamento homossexual.
Daí pra frente o
álbum se divide em duas partes, a primeira é extremamente pesada e
agressiva, onde as letras extremamente políticas são ao mesmo tempo
muito passionais, podemos ver isso na música Ícaro Sobre As Chamas:
[...] Enquanto nos porões destas fábricas nosso suor move as máquinas,
a
fumaça cinza apaga o sol,
e
então saímos pra recolher
os
restos por baixo da fuligem.
Por
favor não me deixa ver que nós trocamos
nosso sangue por migalhas e que não há mais abrigo
nosso sangue por migalhas e que não há mais abrigo
pra
se proteger agora que a noite não tem fim.
Segura forte minhas mãos e diz
que amanhã vamos acordar
Segura forte minhas mãos e diz
que amanhã vamos acordar
e
nosso leito não vai estar tão sujo e frio...
O
disco segue com a música “Corvos do Paraíso”, onde o vocalista
Nenê Altro canta suas desilusões de lutas e grupos políticos –
“vejo
a solidariedade proletária escorrer pelo sangue nas costas de meus
irmãos”.
Toda essa primeira parte do álbum é marcada por essa espécie de
desilusão das lutas políticas e da mentalidade de grupo. A próxima
faixa, “Vinda a Mim” é quase um hino anticristão e
anticatólico, e a desilusão política volta mais uma vez em “Flores
Aos Rebeldes Que Falharam”, que tem mais uma letra carregada de
niilismo que diz - “E
nunca conseguimos nada. Todos sonhos que tivemos condenamos ao
esquecimento e ao nosso próprio desprezo”.
E a primeira parte do disco chega ao fim com a música “Carro
Bomba”, a música mais pesada e “punk” do álbum, possui uma
letra que transmite um sentimento daqueles que qualquer trabalhador
assalariado desse mundo já pensou, talvez não de maneira tão
agressiva, mas enfim: - “Você
não imagina o que eu tenho em mente quando digo bom dia... Quando
digo "sim, senhor" eu penso em te erguer pelo pescoço
e te ver mijar nas calças, seu filho da puta.”
Depois dessa canção
de pura poesia e amor ao próximo, começa a parte mais calma do
álbum, onde as músicas são mais cantadas e menos gritadas, e o
aspecto político delas fica mais escondido nas letras pessoais,
extremamente pessoais, é o caso da música “Mais Um Café Gelado
Por Favor”, onde o personagem grita que não quer mais ouvir sobre
trabalho, dinheiro ou como ele deveria mudar o mundo e se comportar,
sobre coisas que ele não
vai mudar. É quase impossível ouvir isso e não se identificar,
porque afinal, todo mundo um dia já passou por isso, esse talvez
seja o grande trunfo da banda e o fator maior do seu “sucesso”, a
capacidade de fazer letras passionais que conservem algum conteúdo,
coisa que era muito pouco vista na música, no rock brasileiro do
final de 90 e começo dos anos 2000.
Após algumas
canções mais “românticas” que deixaram a banda com o rótulo
risivelmente pejorativo de emo, o disco termina com “Suburbia
1996”, uma música em inglês que fala de um garoto que saiu para
ir a um show punk, e que depois, não quer mais voltar pra casa,
prefere ficar no porão onde o show aconteceu, ainda que sozinho. E
termina com:
Oh, please stay and
make me feel alive.
Is it all the same
with all punk kids?
Are we so afraid of
our time passing by?
Just one more
coffee...
just one more
kiss...
Just one more
song... it's all that I need
To feel like the
world isn't bad enough
As long as you are
there for me...
E
assim termina o primeiro álbum do Dance of Days, com suas 15 músicas
quase sem nenhum refrão, gritadas, berradas, cantadas
desafinadamente, mas que é repleto de energia e honestidade. Quem
não é muito fã do gênero dificilmente vai gostar, mas com certeza
vale a pena ouvir, pela história da música e do punk brasileiro.
Para compartilhar
&
Campo das bandas
obs: esse é o primeiro post do novo colaborador que chamarei por enquanto de Januário, e que devido a problemas técnicos, foi postado por mim.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Criolo Doido - Ainda há tempo (2006)
Praticamente todo mundo conhece o excelente disco do Criolo lançado em 2011, porém diferente do nó na orelha o "ainda há tempo" está bem mais ligado ao rap e a cultura hip hop do que o disco seguinte. Os samplers não perdem em nada para nenhum bom disco de rap e até mesmo causa um certo espanto de como este disco não fez o sucesso que deveria ter tido e como ainda aparece como algo um pouco apagado, o próprio site do artista, por exemplo, onde ele divulga seu material de uma forma exemplar, não traz este álbum fenomenal. Apesar do claro uso de samplers e loops, podemos arriscar tecer uma linha entre este e o disco seguinte, já que boa parte do trabalho do Dj se pauta em instrumental, nem sempre seguidos de uma batida eletrônica, mas sim usando o grave do baixo por exemplo. Suas letras, como sempre, muito bem construídas, trazendo os desafios e superações da população da periferia e da importância da cultura hip hop pra favela.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Wire - Object 47 (2008)
Certamente Wire é uma banda histórica devido a clássica trilogia Pink flag, Chairs Missing, 154, onde a banda consegue se reinventar e criar novas sonoridades em um curto espaço de tempo, pra quem não sabe os discos são de 1977, 1978, 1979! É estranho que a banda não tenha vingado muito, seu som não é tão contagiante quanto o do Sex Pistols, ou não pega tão fundo quanto Joy Division, bandas que estavam na ativa quando esta banda surge. Ainda assim, Wire é uma banda que vale a pena sentar e escutar, nunca se negaram e se reinventar e assim seguiram. O que pouco gente sabe é que a banda praticamente nunca parou, diminuiu suas atividades, mas sempre continuou produzindo, e o melhor, além de sua fase clássica ainda assim lançaram material muito bom. Quando me dei conta de que sua discografia seguia até os dias atuais tive que buscar algo mais recente da banda e acompanhar o que estava rolando, diferente do que ocorreu na minha busca pelo stranglers, a decepção não veio, eles não ficaram bregas ou com uma pegada menos marcante, pelo contrário mais uma vez eles conseguem se reinventar, compor uma nova sonoridade, pegar o que há de mais além na sua área e seguir em frente. Quando observamos bandas por um longo período de tempo, acabamos nos dando conta de como isso é importante, ainda mais quando nos deparamos com um disco como esse, que não fica devendo em nada para o peso que Wire acaba tendo.
segunda-feira, 3 de março de 2014
Joe Strummer & the Mescaleros - Streetcore (2003)
Até onde sei, quando Joe Strummer lançou esta série de discos fazia muito tempo que ele andava sumido, ninguém mais parecia saber de seu paradeiro. Quando de súbito ele aparece com esta série de albúns de canções inéditas, quando sem que ninguém esperasse ele morre. Este disco em especial é lançado postumamente, porém da série lançada por ele e os Mescaleros na virada de 1999-2000, este é o disco com o qual eu mais estou familiarizado. Temos boas músicas, mas o problema é que em relação ao que foi produzido durante os tempos do Clash, podemos nos decepcionar um pouco. Mas vale lembrar que a sonoridade aqui é diferente, Strummer buscava um novo caminho. De maneira geral temos uma fusão entre o rock e o reggae mais madura e sólida, já bem marcada e regrada. Joe Strummer abusa dessas fusões e praticamente não usa a sonoridade punk, pela qual ficou famoso. Ele está ligado a estes elementos fusion e a aquilo que foi chamado de pub rock, que ele já havia feito com os 101ers. Não é um disco de todo forte, óbvio que não é ruim também, mas sem dúvidas este albúm não teria tanta expressão caso fosse lançado por outra pessoa. Ainda assim vale a pena, só não espere por punk rock, é a última coisa que você vai encontrar.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Wang Wen - IV (2008)
Não sei ao certo quando surge o post-rock, só sei que ultimamente cada vez mais pessoas ao meu redor são apaixonadas pelo estilo. Para mim o post-rock tem o mesmo problema que o do progressivo, as músicas são muito grandes, geralmente muito tranquilas e você tem que sentar e ouvir elas. São músicas que devem ser ouvidas. Isso acaba fazendo com que se torne difícil fazer uma audição do estilo enquanto se está lavando a louça por exemplo (já que você está dividindo sua atenção entre música e louça), acaba-se tendo fácil uma má audição da música e ela acaba causando certa irritação. Nestes tempos de imediatismo ouvir discos do começo ao fim é tarefa árdua. Wang Wen é uma dessas bandas de post-rock que não devem nada a ninguém, seu som é lindo. Considero eles tão bons quanto a turma do Mogwai, mas já aviso que eles são diferentes. Para começo de história os rapazes são da China, parece que cantam em inglês (e muito pouco). Todos os elementos de um bom post-rock estão ali, guitarras infinitas imitando na intensidade das ondas do mar, os famosos crescendo, solinhos e escalas. Este disco foi um achado que acabei tendo por acaso, gosto bastante dele, apesar de ouvi-lo pouco e ter demorado para escutar todas as músicas. Sei que os sujeitos usam alguma coisa das escalas de música chinesa, o que creio acaba dando o toque particular deles. Como me parece ser típico dos chineses, eles fazem tudo bem feito.
Para nossa sorte parece que a própria banda disponibilizou esse disco para download.
De qualquer forma aqui está um torrent subido por mim com o arquivo que eu tenho comigo.
Chute no cü
De qualquer forma aqui está um torrent subido por mim com o arquivo que eu tenho comigo.
Chute no cü
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Beth Gibbons & the Rusti Man - Out of Season (2002)
Cheguei até este disco por acaso, como praticamente todos os discos nos chegam. Não conheço muito de Portishead, na real só conheço a sensual Glory Box e nada mais, admito. O interessante é que Beth Gibbons, vocal do Portishead gravou este trabalho solo, que é bem menos experiemental (me parece) do que o trabalho usual da famosa banda. O som usa e abusa bem mais do folk e os vocais, óbvio, são lindos. Música calma para se ouvir quando se quer ficar calmo. É o que mais faço com esse disco. Poderia ser Joni Mitchell ou música indiana.
&
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Balkan Beat Box - Balkan Beat Box (2005)
Balkan Beat Box foi a recomendação de um amigo meu. Estavámos comentando sobre bandas com som inusitado, Balkan Beat Box surgiu na conversa. O som é basicamente um som "gypsie" (cigano, balcânico) remixado. Parece que o disco fez bastante sucesso na época. Pelo que encontrei por ai eles já produziram alguma coisa junto com Gogol Bordello e Eugene Hütz. Vale a pena ter algumas músicas inusitadas para dançar.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Tommy Mccook & The Supersonics - Pleasure Dub (1974 - 2009)
Pelo que consegui encontrar de informações este disco do Mccook é um achado. São umas gravações e mixes não lançados porque o produtor deste disco morreu de câncer ali pelo ano de 1974. Deu que o disco ficou esquecido durante muito tempo. Foi que veio a calhar lançarem ali por 2009. A capa é bonita lembrando algum desenho do Roberto Crumb, os sons são únicos. Gosto de Reggae, não sou um grande apreciador, verdade seja dita, mas acho gostoso. Porém odeio, realmente odeio o fato de resumirem o reggae a figura mítica de Bob Marley. Infelizmente tenho aquele fetiche pela música, e isto acaba fazendo com que eu ache Bob Marley muito chato - e lá vem o maluco dizendo que vai tocar uma do Bob e "não chore mais" no woman no cry é a música escolhida. Eu sinto vontade de chorar assim como de sair correndo... O que temos aqui com Mccook é um uso lindo de metais (e olha que não gosto deles) com pitadinhas de jazz e tecladinhos bacanissímos. A música por si só já dá uma chapada, vale a pena ouvir, até porque isso parece ser um pouco raro.
domingo, 19 de maio de 2013
Karandila - Revolution (2006)
Em celebração ao golpe comunista que ocorrerá no Brasil próximo ano (2014), nada melhor do que postar Karandila, rs. Karandila nada mais é do que um grupo de instrumentos de sopro em ritmo cigano. Segundo as poucas informações que encontrei e tenho, a banda é da Bulgária e existe desde 1994. As músicas aqui são basicamente em temas socialistas/comunistas. Clássicos como Guatanamera, ou Avanti popolo, estão ai. O nome das músicas já indica muito bem a proposta (Arbeiter von Wien, Comandante Che Guevarra, Lenin...). De qualquer forma são músicas curiosas. Não sei entretanto da conotação política da banda. Tão pouco encontrei mais informações. Entretanto o som deles lembra muito aquele que a gente pode ouvir no Latcho Drom.
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sexta-feira, 3 de maio de 2013
Louise Attaque - À Plus tard Crocodile (2005)
Já faz algum tempo que este disco está guardado só esperando o momento certo. Me parece que são umas das bandas mais originais desta virada do noventa para dois mil. A mistura de rock de garagem, arte rock e um "quê" de músicas folclóricas associados a língua francesa dão o tom da banda. O som por vezes é bem calmo, outras mais dançante. Bom para beber um vinho talvez - não resisto ao cliché do francês e do vinho... Descobri o grupo nos tempos de ficar horas em comunidades de bandas no orkut num daqueles tópicos de recomendação de bandas, é verdade que você escuta como muito duas ou três das quatrocentas bandas citadas, mas algum fruto sempre rende.
Louise Attaque é uma banda particular, e ainda pretendo postar mais material deles.
Louise Attaque é uma banda particular, e ainda pretendo postar mais material deles.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Apicultores Clandestinos - Parece, mas não é
Se têm algo importante de ser pensado é a vida das pessoas que moram em cidades de porte médio em lugar nenhum ("middle town in nowhere place", como vi num cometário do video 1979 do Smashing Pumpkins), longe das capitais, quase caipiras. Fazemos parte de uma fatia importante da população, mas o isolamento parece muito grande, e o é de fato. Mesmo assim, com um acesso muito mais difícil a cultura e uma carência de espetáculos, museus, bibliotecas - situação que piorou com o advento da televisão - sempre se produz alguma coisa nesses rincões, a música folk que o diga. Apicultores Clandestinos são de uma cidade menor ou tão insignificante (Rio do Sul, SC) quanto a onde moro (Blumenau, SC), mas isso não os impede em nada de produzir música de qualidade. Fazia tempo que ouvia falar dos rapazes que tocam vestidos de apicultores e jogam mel pra platéia, e um belo dia tive a oportunidade de ir vê-los. Já existe um certo séquito de fãs da banda na cidade, então sempre que eles vêm tocar por aqui lá estão pessoas dançando e cantando todas as músicas, o que torna a experiência muito mais divertida. Com claras influências de Man or Astroman?, os Apicultores produzem um bom rock de garagem, com surf, psicodelia e punk-rock, fazendo com que seja impossível alguém com sangue nas veias não querer dançar. Pelo que sei este é o primeiro disco deles, e os grandes destaques são: Ladrãozinho de guitarra, Não cheire cola, rock do abc e Satanás boliviano. São seguramente uma das bandas mais legais do underground catarinense. Só pra encerrar, curta a cena legal, aproveite para apreciar apresentações ao vivo de músicas próprias nestes tempos onde a arte está em forte processo de reprodutibilidade técnica, mesmo assim a aura ainda está lá, nada substitui ficar bêbado e dançar freneticamente com gente legal! Foi assim, não pelas mídias tradicionais ou internet, que conheci a música deles.
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