Mostrando postagens com marcador India. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador India. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Ry Cooder & Vishwa Mohan Bhatt - A Meeting by the River (1993)

Muita gente, incluso eu, conhece Ry Cooder por seu trabalho com o Buena Vista Social Club ou pela trilha sonora de Paris, Texas. Mas Ry Cooder, talvez seja um dos grandes nomes das seis cordas nos EUA e no mundo. O sujeito tem uma sensibilidade interessante para música, buscando ir além do óbvio, bem como transitando por vários ritmos (tarefa árdua para músicos, dado que cada novo ritmo é como aprender uma nova forma de tocar). Este disco é um pouco apagado do lado dos trabalhos já citados, ou da contribuição mais conhecida com Ali Farká Touré. Verdade que não se mostra uma obra tão "completa" quanto os acima citados, mas é um disco que surpreende e entrega boas músicas. É um disco que gosto bastante de escutar no final do dia, com o por do sol. Junto com a "guitarra" temos as citaras* indianas, e outros instrumentos harmonizando bem em longas e meditativas faixas. É um disco que vale a pena ser ouvido.

BahiaPirata!

* verificando, o que Vishwa Bhatt usa é um instrumento entre a citara indiana e a guitarra.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Música Indiana


Para além de todo o misticismo em torno da Índia, o que há de mais tátil lá é a sua pluralidade. Talvez a Índia seja, junto com o Brasil, um dos únicos países no mundo com tanta diversidade cultural. As questões religiosas refletem isso, há tantas religiões na Índia quanto ritmos musicais. O instrumento mais famoso é de longe a Sitar. Seu som peculiar é largamente associado a psicodelia. Dentre os músicos que tocam Sitar, Ravi Shankar é uma espécie de Jimi Hendrix do instrumento.
Por acaso é o disco the sounds of India de Ravi Shankar que está no livro 1001 discos para ouvir antes de morrer – onde clássicos e mais clássicos da música pop aparecem. O disco não foi escolhido por acaso, é nele que temos a faixa an introduction to indian music, onde ele explica coisas básicas como o tempo da música indiana. A ideia é ótima para nós ocidentais irmos conhecendo a música oriental e entendermos ela. Apresentando em separado cada parte, elas ficam mais claras quando executadas junto. Igual aquela cena do Moonrise Kingdom.
A música europeia é a que criou as partituras, onde as notas estão indicadas e o tempo da música está ali também (colcheias, semi colcheias, etc). Este tipo de notação musical surge com um tipo de música, a europeia.
Porém tem algo que pode estranhar a nossos ouvidos acostumados com a voz humana, não há vocais na música de Ravi Shankar. E se existe algo bonito são as variações feitas pelas Surdas. Elas são cantoras de hinos sagrados, geralmente em devoção a Krishna. Como muitas delas são cegas, se crê que a cegueira lhes facilitaria a habilidade para o canto, sendo sua voz um dom divino. As letras são em forma de poesia, hinos devocionais. Você com certeza já ouviu algum canto devocional das surdas, nem que seja como trilha de fundo de algum filme ambientado na Índia. Por acaso um belo dia encontrei o disco Surdas Bhajans hindi devotional de Sangitha Kalanidhi M. S. Subbulakshmi. Mesmo sem conseguir pronunciar seu nome, me apaixonei por sua música rapidinho. A presença de vocais se mistura com outros instrumentos da música indiana que geram um som tal que te leva para longe.
George Harrison e Ravi Shankar
Mesmo começando com o clássico Ravi Shankar, muita gente (inclusive eu) parou para ouvir alguma música indiana com os Beatles, mais especificamente George Harrison e o disco Revolver. George Harrison é apontado como um dos precursores na mistura da música indiana clássica com o rock, chegando até mesmo a tomar aulas de sitar com Ravi Shankar e ficando um bom tempo na Índia para se aperfeiçoar. Seu trabalho é notório, mas segundo declarações suas ao justificar seu “abandono” da Sitar coloca: “jamais chegaria a ser um bom tocador de sitar e isso não melhorou em nada minha guitarra”.
Acredito que a mistura da música indiana com o rock tenha seu exemplo mais bem sucedido com Ananda Shankar, parente de Ravi Shankar. Ananda foi encontrado por Jimi Hendrix em Nova York que logo o convidou para produzirem alguma música juntos. Parece que Jimi Hendrix buscava um som novo e amou a Sitar de Ananda. Até chegaram a ir para o estúdio, mas tudo o que Hendrix e Shankar conseguiram foi brigar. Depois disso Ananda Shankar decidiu gravar seu próprio disco. O resultado foi o homônimo Ananda Shankar em 1970.
Depois da era hippie a cultura indiana parece que conseguiu furar um pouco essa cultura ocidental moderna tão dura e rígida. O objetivo da contracultura é justamente este, criar algo novo em negação a sociedade que existia, uma alternativa para esse mundo cão.
Recentemente tomei contato com o som ácido indiano dos anos 1960. Como em todo lugar, eles produziam sua própria versão daquele som maravilhoso dos incríveis anos sessenta. Gosto bastante desta psicodelia de garagem, muito mais do que todo o refinamento e perfeição de bandas como Yes ou Pink Floyd. A sujeira faz com que as coisas sejam menos estéreis.
Se você já assistiu Ghost World, com toda certeza gostou da entrada quando toca Jaan Pehechaan ho, a música mais explosiva para balançar braços e cabeça na sua vida! Partindo dai, podemos perceber que não só de música clássica vive a Índia. Apesar de toda yoga e ayurveda, eles possuem seu lado ocidental. Podemos escutar a Simla Beat, coletânea do festival organizado pela marca de cigarros Simla, que gravou em duas edições as músicas dos participantes vencedores (o concurso ocorria em várias regiões da Índia). Não espere por Sitars ou algo indiano, temos um esforço descarado em imitar as bandas americanas e inglesas. Curioso afinal, já que o que torna a Índia tão famosa, e não só na música, é essa sua particularidade em relação ao mundo ocidental (europeu). Simla Beat não passa de uma boa coletânea de música rock psicodélica de garagem indiana dos anos 1960, som fácil e gostoso de ouvir. Mas o encontro entre a Índia e a cultura ocidental não para por ai. 
Om, provavelmente o mantra mais famoso.

 O que pouca gente sabe é que a província indiana de Goa, que foi até o ano de 1962 colônia portuguesa, vai se transformar num reduto dos Hippies. Isso fará com que mais tarde Goa se transforme num templo das raves, e parece continuar sendo. O curioso é que um dos primeiros discos para as raves é produzido na Índia! Charanjit Singh lança seu Ten ragas to a disco beat, e temos a rave lançada para o mundo. O nome já anuncia o caráter meditativo da música (lembra do raga citado acima?). Nada mais que os primórdios do eletrônico. Pode nos parecer até mesmo demasiado repetitivo, mas imagine este som em 1982! Loucura pura! Ocorre que a Índia tem um caldeirão de sons tão grande quanto sua variedade religiosa, e por isso independente de ser tocado por um instrumento sagrado como a Sitar, a ideia do contato com o seu ser está sempre ali, e isto talvez seja o mais importante da música indiana para nós ocidentais, motivados por máquinas, fumaça e o tempo marcado do relógio.

Ps: para mais informações sobre os discos e download, clique nos links  ;)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Charanjit Singh - Ten Ragas to a Disco Beat (1982)


 Apesar de pensarmos em Estados Unidos e Inglaterra quando falamos sobre música pop, somos obrigados a engolir que os sujeitos a darem forma a música eletrônica são alemães e que o primeiro disco para ser tocado nas raves é da autoria de um indiano. O que temos na índia afinal é esta multi faceta, de longe sua maior riqueza. Na época o disco foi um verdadeiro fracasso, sendo redescoberto nos idos de 2010 e elevado a categoria de primeira gravação de Acid House que se tem notícia. A partir dai o sucesso foi garantido e Charanjit Singh começou a fazer algumas performaces ao vivo. No disco já podemos encontrar o uso do Roland TR-808 e Roland TB-303, usados já naquela época e mais tarde por nomes como Afrika Bambaataa e Yellow Magic Orchestra. O curioso é que tudo o que Singh fez foi misturar a música tradicional indiana e o que havia de mais moderno no período, a nascente música eletrônica.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

VA - Simla Beat (1970-1971)

Capa do disco de 1970
Parece que Simla era a maior marca de cigarro na Índia durante os finais de 1960 e princípios de 1970. Como o rock estava em alta eles aproveitaram para criar um festival de rock para as bandas de toda a Índia apresentarem sua música. Esqueça qualquer referência a música clássica indiana, parece que os músicos aqui jamais ouviram falar em Ravi Shankar ou até mesmo na sitar. Tão pouco deixe de esperar qualquer canção cantada em hindu ou algo parecido, todas as canções aqui são em inglês, por sinal em nada parecido com o falado pelo dono do mercadinho dos Simpsons. De qualquer maneira, são boas canções e não ficam devendo em nada para a psicodelia de garagem que era produzida durante esse período em qualquer parte do mundo. As músicas encontradas aqui de maneira geral não são algo tão elaborado quanto teremos neste período nos países nórdicos, nem tão original quanto o que foi a Tropicália. Apesar de boa música esta compilação dos vencedores de um concurso produzido pela indústria do cigarro para atrair o mercado jovem da Índia, tudo não passa de uma cópia do que vinha sendo produzido nos EUA e RU, revelando um baixa autonomia cultural neste sentido, algo perceptível pelos covers contidos nesta compilação. Isso infelizmente lhes tira muito da originalidade que podemos esperar. Óbvio e vale lembrar que cada povo faz as coisas a sua maneira e sempre adiciona algo.


Capa do disco de 1971


O link leva direto para uma compilção dos dois discos.

Bahia Pirata




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ananda Shankar - Ananda Shankar (1970)

Definitivamente não tenho ideia de quantas pessoas da família Shankar estão envolvidas com música, mas enquanto eu folhava o famoso 1001 discos acabei me deparando com Ananda Shankar. Parece que Jimi Hendrix o encontrou por Nova York e pirou no som da Sitar. Ananda fazia seu som de forma muito peculiar e Hendrix buscava novos sons, assim sendo o lendário guitarrista resolveu convidar Shankar para ir ao estúdio gravar alguma coisa com ele que misturasse a sitar com a guitarra e a música indiana com o rock. Parece que o encontro não deu muito certo e o resultado foi que os dois saíram do estúdio brigados. Shankar decarou que Jimi queria acabar com sua sonoridade. Mas o indiano não desistiu e seguiu em frente! Pegou o que já havia gravado, regravou e gravou dentro da medida do necessário e por fim lançou um disco incrível que mistura de forma belíssima o rock com a música tradicional indiana. O resultado é um som que é chapação pura, se light my fire já é relaxante, a versão com sitar é mais ainda. Apesar de ser um disco de rock a sitar é o foco das músicas. É a primeira vez que consegui ouvir algo como jumping jack flash soando muito bem numa sitar (quantas vezes não imaginei algo parecido!). Bem, aproveitem, escutem, pirem, dancem e relaxem.

Mais informações.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

M.S. Subbulakshmi - Surdas Bhajans - Hindi Devotional (1986)


Não é só de Ravi Shankar que vive a música indiana. Isso não é nenhuma novidade pra ninguém, mas o acesso a outros sons é muitas vezes difícil, para não dizer impossível (onde eu poderia, por exemplo, encontrar discos de música indiana aqui nos interiores do vale?). Porém graças aos blogs descobri faz algum tempo todo um nicho voltado para certos ritmos, numa dessas encontrei este disco das Surdas. As surdas são uma espécie de cantoras de voz abençoada, e a música cantada por elas tem um forte tom de sagrado dentro da cultura Hindi. Estas músicas são as utilizadas nos rituais e templos, da mesma forma que catedrais medievais possuem toda uma estrutura para o canto gregoriano. O curioso deste tipo de música é que ela consegue te levar para lugares que a música ocidental não te leva (da mesma forma que a ocidental te leva onde a oriental não leva, vale lembrar). 
  Recomendo ouvir esta música queimando um belo incenso e deixar o aroma e o som entrarem em você. Talvez com a ajuda de músicas como essa, conseguimos nos conduzir mais próximos do estado de meditação. E aproveitem, pois nunca se sabe quando se terá acesso a um material como este.

domingo, 14 de outubro de 2012

Ravi Shankar - Sounds of India (1968)


Ravi Shankar é o grande nome da música indiana. Este dissco deve ser o melhor começo para tomar contato com a Cítara. Vale muito a pena escutar a faixa "An Introduction to Indian Music", onde Ravi explica algumas questões referentes aos ritmos e estruturação da música.

  1. An Introduction to Indian Music – 4:13
  2. Dádrá – 10:30
  3. Máru-Bihág – 11:44
  4. Bhimpalási – 12:13
  5. Sindhi-Bhairavi – 15:00


Tragabóiamarina!