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sábado, 26 de maio de 2018

Natalia LaFourcade - Musas: un homenaje al folclore latinoamericano en manos de Los Macorinos, vol. 1 (2017)

Natalia LaFoucarde é uma artista impressionante, que demonstra uma capacidade de se reinventar e dialogar com a música desde Hasta la Raiz, de vertente mais pop, até se metamorfosear em Musas, com uma proposta clara de dialogar com a latinoamerica. Para fazer este trabalho em grande estilo, foram recrutados Los Macorinos, dupla experiente de músicos que já trabalharam com gente do peso como Chavela Vargas. As músicas são de uma consistência incrível, que raramente temos oportunidade de ouvir, seus arranjos conseguem trabalhar bem uma complexidade grande, mas ainda suficientemente inteligível sem o dispêndio de uma soma considerável de atenção. Foi Soledad y el mar que me pegou de surpresa, a ponto de não conseguir mais parar de ouvir Natalia Lafourcade, e me levando aos hits Tú si sabes querrme, Rocío de todos los campos e Mi tierra veracruzana. Para mim é um disco de consistência semelhante a um Transa do Caetano Veloso, ou seja, será ouvido durante muito tempo.


VivaAméricaLatina!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Alice Coltrane - Journey to Satchidananda (1970)

Se você gostou do Ptah, the el Daoud, este disco lançado na sequência vai agradar. Na mesma linha, porém mais acessível, mais fácil de ser escutado, menos experimental. A banda aqui está um pouco mais complexa, mas a simplicidade e ritmo em torno do baixo e a bateria continua marcante. O uso de instrumentos indianos também é perceptível, e os solos em sax tenor de Pharoah Sanders também estão aqui. Música incrível, que fez eu me perguntar como ignorei Alice Coltrane tanto tempo, como nunca ouvi falar dela?

domingo, 4 de dezembro de 2016

VA - Putumayo presents: Latin Lounge (2005)

Putumayo é uma gravadora especializada em lançar músicas de ritmos não convencionais, ou se preferir, tradicionais/folclóricos. O dono da gravadora percebeu certa vez um grupo de músicos caribenhos ou africanos (algo assim) tocando e a carência das pessoas em terem acesso a este tipo de música. Desta forma eles são especializados em organizarem coletâneas temáticas, como esta que é dedica ao lounge latino. De maneira geral, o trabalho desta gravadora merece ser conhecido, ajuda bastante a expandir os horizontes musicais. Este disco em específico é muito bom de ouvir, que por ser lounge tem alguma coisa de equilibrado entre a música ambiente e o pop fácil que ouvimos nas rádios. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Alice Coltrane - The Ptah, El Daoud (1970)

Não saber até pouco tempo atrás quem foi Alice Coltrane, me envergonha. Como é de se imaginar, ela foi esposa de John Coltrane. Mas o que me surpreendeu não é esta associação - esse costume de reduzir mulheres à com quem são casadas. O que surpreendeu é sua música. Construída entre o jazz e ritmos tradicionais (em especial indianos, até pela sua conversão ao hinduismo em 1970), sua sonoridade é algo único. A potência da música é para tomar conta do ambiente. Sua oscilação entre o piano e a harpa, que pensei em princípio seria algo estranho, compõe execuções bem particulares. Tudo isto é produzido por um quarteto, que por vezes oscilam seus instrumentos, tal qual Alice Coltrane faz em Blue Nile, onde te leva para descer o Nilo, ora tocando piano, ora harpa. A faixa Turiya & Ramakrishna é o grande destaque. Em resumo uma música entorpecedora.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Ry Cooder & Vishwa Mohan Bhatt - A Meeting by the River (1993)

Muita gente, incluso eu, conhece Ry Cooder por seu trabalho com o Buena Vista Social Club ou pela trilha sonora de Paris, Texas. Mas Ry Cooder, talvez seja um dos grandes nomes das seis cordas nos EUA e no mundo. O sujeito tem uma sensibilidade interessante para música, buscando ir além do óbvio, bem como transitando por vários ritmos (tarefa árdua para músicos, dado que cada novo ritmo é como aprender uma nova forma de tocar). Este disco é um pouco apagado do lado dos trabalhos já citados, ou da contribuição mais conhecida com Ali Farká Touré. Verdade que não se mostra uma obra tão "completa" quanto os acima citados, mas é um disco que surpreende e entrega boas músicas. É um disco que gosto bastante de escutar no final do dia, com o por do sol. Junto com a "guitarra" temos as citaras* indianas, e outros instrumentos harmonizando bem em longas e meditativas faixas. É um disco que vale a pena ser ouvido.

BahiaPirata!

* verificando, o que Vishwa Bhatt usa é um instrumento entre a citara indiana e a guitarra.

domingo, 1 de novembro de 2015

Cartola - Cartola (1976)

Cartola me apareceu feito um acidente muito tempo atrás. Como havia de ser ele me pegou desprevenido e acabei escutando-o freneticamente durante alguns meses. A história de Cartola é famosa, wikipedia e várias outras fontes estão ai para lhe contar de maneira decente sua incrível história. O que foi me chamando atenção, e gerando admiração conforme o tempo foi passando é a espontaneidade de sua música, como é de se esperar de bons sambas. A comparação entre Samba e Blues imagino não ser coisa nova e limitada, apesar de lidarmos com uma música negra, que basicamente pauta um estilo de vida, deve ser tocada de forma espontânea, sem muitas regras, mas ao mesmo tempo com muita qualidade e, sem esquecer, a lamentação podem ser marcas dos dois estilos, mas evitemos atropelos! Tratamos de duas coisas diferentes! O que importa é que Cartola é de longe um ícone desta sonoridade. Sua música flui, e por ser o que é, me apresentou uma sonoridade nova e completamente diferente.


sábado, 10 de maio de 2014

Erkin Koray - Erkin Koray (1973)

Usando o fuzz e a psicodelia sem medo, Erkin Koray lançou um dos discos mais significativos para o rock turco. Apesar do rock tomar proporções mundiais com o final dos anos 1960 e primórdios de 1970, sua cara ainda era muito "americana" e as pessoas começam a buscar por uma expressão mais legítima do rock, é assim que surgem movimentos como tropicália, kraut rock e o anatolian rock, este último da Turquia. Mesclando os elementos do rock psicodélico de então com a sonoridade da música tradicional turca, especialmente da região da Anatólia, Erkin Koray mostra por que é um dos maiores ícones da música turca, e na minha opinião do mundo, já que pago um pau danado pra esse cabra. A estrutura tradicional está ali, perceptível na guitarra fuzzeada imitando uma baglama (instrumento que Koray sabe tocar) dando uma sonoridade que acaba soam "árabe" aos nossos ouvidos - cabe colocar que se demonstra respeitoso diferenciar a cultura turca da árabe, já que são duas vertentes diferentes. Esta estrutura tradicional também aparece nos vocais, que segue as variações vocais tradicionais da música turca. Tudo isto sem deixar de ser um disco de rock psicodélico. Absolutamente um clássico e um disco memorável. Destaque para Mesafeler, Istemen, Cicek Dagi, Sana Birseyler Olmus e a atualmente favorita Ilhahi Morluk.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Música Indiana


Para além de todo o misticismo em torno da Índia, o que há de mais tátil lá é a sua pluralidade. Talvez a Índia seja, junto com o Brasil, um dos únicos países no mundo com tanta diversidade cultural. As questões religiosas refletem isso, há tantas religiões na Índia quanto ritmos musicais. O instrumento mais famoso é de longe a Sitar. Seu som peculiar é largamente associado a psicodelia. Dentre os músicos que tocam Sitar, Ravi Shankar é uma espécie de Jimi Hendrix do instrumento.
Por acaso é o disco the sounds of India de Ravi Shankar que está no livro 1001 discos para ouvir antes de morrer – onde clássicos e mais clássicos da música pop aparecem. O disco não foi escolhido por acaso, é nele que temos a faixa an introduction to indian music, onde ele explica coisas básicas como o tempo da música indiana. A ideia é ótima para nós ocidentais irmos conhecendo a música oriental e entendermos ela. Apresentando em separado cada parte, elas ficam mais claras quando executadas junto. Igual aquela cena do Moonrise Kingdom.
A música europeia é a que criou as partituras, onde as notas estão indicadas e o tempo da música está ali também (colcheias, semi colcheias, etc). Este tipo de notação musical surge com um tipo de música, a europeia.
Porém tem algo que pode estranhar a nossos ouvidos acostumados com a voz humana, não há vocais na música de Ravi Shankar. E se existe algo bonito são as variações feitas pelas Surdas. Elas são cantoras de hinos sagrados, geralmente em devoção a Krishna. Como muitas delas são cegas, se crê que a cegueira lhes facilitaria a habilidade para o canto, sendo sua voz um dom divino. As letras são em forma de poesia, hinos devocionais. Você com certeza já ouviu algum canto devocional das surdas, nem que seja como trilha de fundo de algum filme ambientado na Índia. Por acaso um belo dia encontrei o disco Surdas Bhajans hindi devotional de Sangitha Kalanidhi M. S. Subbulakshmi. Mesmo sem conseguir pronunciar seu nome, me apaixonei por sua música rapidinho. A presença de vocais se mistura com outros instrumentos da música indiana que geram um som tal que te leva para longe.
George Harrison e Ravi Shankar
Mesmo começando com o clássico Ravi Shankar, muita gente (inclusive eu) parou para ouvir alguma música indiana com os Beatles, mais especificamente George Harrison e o disco Revolver. George Harrison é apontado como um dos precursores na mistura da música indiana clássica com o rock, chegando até mesmo a tomar aulas de sitar com Ravi Shankar e ficando um bom tempo na Índia para se aperfeiçoar. Seu trabalho é notório, mas segundo declarações suas ao justificar seu “abandono” da Sitar coloca: “jamais chegaria a ser um bom tocador de sitar e isso não melhorou em nada minha guitarra”.
Acredito que a mistura da música indiana com o rock tenha seu exemplo mais bem sucedido com Ananda Shankar, parente de Ravi Shankar. Ananda foi encontrado por Jimi Hendrix em Nova York que logo o convidou para produzirem alguma música juntos. Parece que Jimi Hendrix buscava um som novo e amou a Sitar de Ananda. Até chegaram a ir para o estúdio, mas tudo o que Hendrix e Shankar conseguiram foi brigar. Depois disso Ananda Shankar decidiu gravar seu próprio disco. O resultado foi o homônimo Ananda Shankar em 1970.
Depois da era hippie a cultura indiana parece que conseguiu furar um pouco essa cultura ocidental moderna tão dura e rígida. O objetivo da contracultura é justamente este, criar algo novo em negação a sociedade que existia, uma alternativa para esse mundo cão.
Recentemente tomei contato com o som ácido indiano dos anos 1960. Como em todo lugar, eles produziam sua própria versão daquele som maravilhoso dos incríveis anos sessenta. Gosto bastante desta psicodelia de garagem, muito mais do que todo o refinamento e perfeição de bandas como Yes ou Pink Floyd. A sujeira faz com que as coisas sejam menos estéreis.
Se você já assistiu Ghost World, com toda certeza gostou da entrada quando toca Jaan Pehechaan ho, a música mais explosiva para balançar braços e cabeça na sua vida! Partindo dai, podemos perceber que não só de música clássica vive a Índia. Apesar de toda yoga e ayurveda, eles possuem seu lado ocidental. Podemos escutar a Simla Beat, coletânea do festival organizado pela marca de cigarros Simla, que gravou em duas edições as músicas dos participantes vencedores (o concurso ocorria em várias regiões da Índia). Não espere por Sitars ou algo indiano, temos um esforço descarado em imitar as bandas americanas e inglesas. Curioso afinal, já que o que torna a Índia tão famosa, e não só na música, é essa sua particularidade em relação ao mundo ocidental (europeu). Simla Beat não passa de uma boa coletânea de música rock psicodélica de garagem indiana dos anos 1960, som fácil e gostoso de ouvir. Mas o encontro entre a Índia e a cultura ocidental não para por ai. 
Om, provavelmente o mantra mais famoso.

 O que pouca gente sabe é que a província indiana de Goa, que foi até o ano de 1962 colônia portuguesa, vai se transformar num reduto dos Hippies. Isso fará com que mais tarde Goa se transforme num templo das raves, e parece continuar sendo. O curioso é que um dos primeiros discos para as raves é produzido na Índia! Charanjit Singh lança seu Ten ragas to a disco beat, e temos a rave lançada para o mundo. O nome já anuncia o caráter meditativo da música (lembra do raga citado acima?). Nada mais que os primórdios do eletrônico. Pode nos parecer até mesmo demasiado repetitivo, mas imagine este som em 1982! Loucura pura! Ocorre que a Índia tem um caldeirão de sons tão grande quanto sua variedade religiosa, e por isso independente de ser tocado por um instrumento sagrado como a Sitar, a ideia do contato com o seu ser está sempre ali, e isto talvez seja o mais importante da música indiana para nós ocidentais, motivados por máquinas, fumaça e o tempo marcado do relógio.

Ps: para mais informações sobre os discos e download, clique nos links  ;)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Beatles - Revolver (1966)


 Sem sombra de dúvidas se não fosse pelos Beatles a música hoje em dia não seria a mesma coisa. Devo admitir que eles são de longe a minha boy band favorita. Confesso que demorei anos para gostar de fato deles, mas os caras são realmente bons no que fazem. Mas tudo isto você sabe não é mesmo? O que temos de especial aqui neste disco é que os Beatles estão flertando com a psicodelia e não podemos esquecer eles são uma banda de música pop na época em que Revolver é lançado. Desta forma eles acabam trazendo mais do que a sitar para o grande público, estão misturando LSD com música indiana e mostrando isso para o grande público. Pode parecer estranho, mas o que eles estão fazendo é se esforçando por deixar o mundo menos coxinha (inclusive eles). Esta psicodelia não está tão clara quanto ficará mais tarde com Sgt Pepper, mas já temos uma amostra mais clara do que no disco anterior Rubber Soul. As faixas Love you To e a matadora Tomorrow Never Knows, usam da sitar e são as mais lisérgicas do disco apesar de todo o mérito de canções como Yellow Submarine, Taxman, Eleonor Rigby e outras tantas que acredito você já conhece.

Charanjit Singh - Ten Ragas to a Disco Beat (1982)


 Apesar de pensarmos em Estados Unidos e Inglaterra quando falamos sobre música pop, somos obrigados a engolir que os sujeitos a darem forma a música eletrônica são alemães e que o primeiro disco para ser tocado nas raves é da autoria de um indiano. O que temos na índia afinal é esta multi faceta, de longe sua maior riqueza. Na época o disco foi um verdadeiro fracasso, sendo redescoberto nos idos de 2010 e elevado a categoria de primeira gravação de Acid House que se tem notícia. A partir dai o sucesso foi garantido e Charanjit Singh começou a fazer algumas performaces ao vivo. No disco já podemos encontrar o uso do Roland TR-808 e Roland TB-303, usados já naquela época e mais tarde por nomes como Afrika Bambaataa e Yellow Magic Orchestra. O curioso é que tudo o que Singh fez foi misturar a música tradicional indiana e o que havia de mais moderno no período, a nascente música eletrônica.

sábado, 30 de novembro de 2013

Amanaz - Africa (1975)

Definitivamente o continente africano guarda muitas surpresas. Nos últimos tempos com a fama que o Criolo ganhou, algumas pessoas mais atentas perceberam que Fela Kuti é uma influência clara. Mais do que influência, é um baita som, criando o Afrobeat. Apesar de Amanaz ser uma banda da Zâmbia, seu som não é Afrobeat, apesar de estar ali o groove, estão bem na linha do rock'n'roll mesmo. Óbvio que seu rock não é o mesmo que o que vinha sendo produzido no eixo USA-UK, mas isso não importa, já que o som é de qualidade. Sua música é tranquila e muito confortável aos ouvidos, I'm very far não sai da minha cabeça, e pouco me incomoda que esteja ali. Gosto de imaginar este disco num daqueles dias tranquilos em que podemos aproveitar a brisa de uma árvore. O continente africano realmente produziu coisas ótimas (há blogues por ai sobre o assunto) que valem a pena ser conferidas. Muita coisa se perdeu devido a condições de armazenamento, muita umidade e óbvio, guerras que nada mais fazem do que devastar tudo que há pela frente.

&

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ananda Shankar - Ananda Shankar (1970)

Definitivamente não tenho ideia de quantas pessoas da família Shankar estão envolvidas com música, mas enquanto eu folhava o famoso 1001 discos acabei me deparando com Ananda Shankar. Parece que Jimi Hendrix o encontrou por Nova York e pirou no som da Sitar. Ananda fazia seu som de forma muito peculiar e Hendrix buscava novos sons, assim sendo o lendário guitarrista resolveu convidar Shankar para ir ao estúdio gravar alguma coisa com ele que misturasse a sitar com a guitarra e a música indiana com o rock. Parece que o encontro não deu muito certo e o resultado foi que os dois saíram do estúdio brigados. Shankar decarou que Jimi queria acabar com sua sonoridade. Mas o indiano não desistiu e seguiu em frente! Pegou o que já havia gravado, regravou e gravou dentro da medida do necessário e por fim lançou um disco incrível que mistura de forma belíssima o rock com a música tradicional indiana. O resultado é um som que é chapação pura, se light my fire já é relaxante, a versão com sitar é mais ainda. Apesar de ser um disco de rock a sitar é o foco das músicas. É a primeira vez que consegui ouvir algo como jumping jack flash soando muito bem numa sitar (quantas vezes não imaginei algo parecido!). Bem, aproveitem, escutem, pirem, dancem e relaxem.

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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Balkan Beat Box - Balkan Beat Box (2005)

Balkan Beat Box foi a recomendação de um amigo meu. Estavámos comentando sobre bandas com som inusitado, Balkan Beat Box surgiu na conversa. O som é basicamente um som "gypsie" (cigano, balcânico) remixado. Parece que o disco fez bastante sucesso na época. Pelo que encontrei por ai eles já produziram alguma coisa junto com Gogol Bordello e Eugene Hütz. Vale a pena ter algumas músicas inusitadas para dançar.



sábado, 14 de setembro de 2013

Yanka Dyagileva - Ангедония (1989)

Cada vez mais eu venho gostando do som da Yanka Dyagileva. Música simples, dá para perceber que é só aquela guitarra nervosa, baixo, bateria e ela como que declamando poemas numa língua da qual não entendo patavina. Não bastasse adoro as capas dos discos dela. Como minha irmã (até hoje maior companheira de sons) vem gostando também, fico confiante para mostrar mais essa bizarrice para o público. A vibe se mantém naquela onde folk-punk. Baita som pra dias nublados, chuvosos ou frios.


sábado, 10 de agosto de 2013

Sweet 75 - Sweet 75 (1997)

Sempre tive interesse pelos trabalhos do Krist Novoselic além do Nirvana. Já tinha escutado alguma coisa, e parece que o trabalho é vasto. Numa destas empreitadas na busca de material do exótico baixista do Nirvana encontrei Sweet 75. Parece que Krist encontrou a vocalista nas ruas. Ela é uma garota de rua venezuelana que estava vivendo nos EUA. Admito que esta garota foi um grande achado de Krist Novoselic. Os vocais são bons. Apesar do disco se caracterizar pelo rock, assim mesmo, de forma genérica, caminhando e mesclando vários elementos, minha canção favorita é "Cantos de Pilon", a mais étnica de todas. Música boa, mas já aviso que longe de ser excelente. A banda acabou em 2000.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Planet Hemp - Os cães ladram mas a caravana não pára (1997)

 Talvez hoje em dia possa parecer bizarro, mas quando este disco saiu ele foi fundamental para mim. Minha irmã que estava começando a se ligar em som, acabou correndo atrás e conseguiu comprar um cd deles e levar para casa. Como ainda éramos muito pirralhos ouvir este disco era algo para ser feito escondido, quando nossos pais não estavam em casa. Complicado crianças ouvirem "queimando tudo" na frente de seus pais. Havia essa empolgação toda, alguns amigos na escola também tinham irmãos mais velhos e escutavam Planet Hemp também. Era, para mim, algo como uma definição de "legal" quem ouvia ou não Planet Hemp. Hoje em dia vejo que a banda foi muito mais do que algo proibido e que falava de muito mais do que sobre maconha, tema sempre polêmico. Percebo agora que eles tratam de outros assuntos, e que o tema da maconha era apenas o que chamava mais atenção. As letras tem um conteúdo muito bom, falando desde a música até problemas da nossa sociedade (muitos ainda enfrentados, a exemplo de uma polícia corrupta ou a criminalização da maconha). Além disso o som da banda é muito bom, fazem aquele caminho comum, mas difícil, da "mistureba", manifesto antropofágico puro, caminhando entre vários ritmos do underground e de ótima qualidade. Este disco com toda certeza é um clássico e na minha opinião o melhor da banda. Sem falar que eles já estavam por dentro do esquema das gravadoras alternativas e festivais, apesar de falarmos muito hoje sobre isso devido a importante alternativa que isto tudo representa para a grandes gravadoras (inimigas mortais do download pela internet), tal esquema gravadoras laternativas/festivais, já faziam bastante barulho nos anos 1990 - DIY.

domingo, 30 de junho de 2013

Cem Karaca - Namus Belasi


 Cem Karaca foi um importante músico dentro do cenário da música rock Turca. Além de um bigode pra causar inveja em qualquer um, vai fazer aquela mistura legal entre o rock e elementos da música tradicional turca. Mais tarde o governo turco o perssegue, pois segundo parece, ele colocava um forte caráter político em suas músicas.

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domingo, 19 de maio de 2013

Karandila - Revolution (2006)

Em celebração ao golpe comunista que ocorrerá no Brasil próximo ano (2014), nada melhor do que postar Karandila, rs. Karandila nada mais é do que um grupo de instrumentos de sopro em ritmo cigano. Segundo as poucas informações que encontrei e tenho, a banda é da Bulgária e existe desde 1994. As músicas aqui são basicamente em temas socialistas/comunistas. Clássicos como Guatanamera, ou Avanti popolo, estão ai. O nome das músicas já indica muito bem a proposta (Arbeiter von Wien, Comandante Che Guevarra, Lenin...). De qualquer forma são músicas curiosas. Não sei entretanto da conotação política da banda. Tão pouco encontrei mais informações. Entretanto o som deles lembra muito aquele que a gente pode ouvir no Latcho Drom.

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sheik Tosado - Som de caráter urbano e de salão (1999)

Cada vez mais percebo como o manifesto antropofágico dá uma boa saída para a cultura brasileira de maneira geral. Suspeito que a produção cultural na década de 1990 já estava mais madura e procurava mais do que na década anterior, demonstrar sua face brasileira e identidade sem contudo cair em nacionalismos cegos. Na esteira iniciada pelo Clash e seguida pelo Mano Negra, a mistura do rock com os ritmos tradicionais ganhou sua legitimidade. Neste sentido o manisfesto antropofágico é uma boa saída pois não ignora o regional/local, tão particular de cada lugar (geográfico ou não), com o que vêm de outras latitudes. A língua já faz essa mistura, de pegar trejeitos locais e mesclar eles com outros, algumas vezes vindos de longe. A cultura tem disso, ela não é pura, não se quer pura, "pureza é um mito", já colocava Oiticica nesta frase de duplo sentido - seja por ser elemento fundador de muita coisa, como por ser algo impossível, brincando com este duplo sentido da palavra mito dado no cotidiano: origem ou mentira. Neste sentido Sheik Tosado a banda que tornou o China (sim aquele cara da MTV) conhecido. O som é bem particular, mistura as guitarras do rock underground (hardcore e afins) com a batucada do frevo. Sim eu sei que Chico Science e a Nação Zumbi também vão fazer isso, mas vale lembrar que as duas bandas são diferentes, assim como a cultura em cada lugar, é um rizoma afinal.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Louise Attaque - À Plus tard Crocodile (2005)

 Já faz algum tempo que este disco está guardado só esperando o momento certo. Me parece que são umas das bandas mais originais desta virada do noventa para dois mil. A mistura de rock de garagem, arte rock e um "quê" de músicas folclóricas associados a língua francesa dão o tom da banda. O som por vezes é bem calmo, outras mais dançante. Bom para beber um vinho talvez - não resisto ao cliché do francês e do vinho... Descobri o grupo nos tempos de ficar horas em comunidades de bandas no orkut num daqueles tópicos de recomendação de bandas, é verdade que você escuta como muito duas ou três das quatrocentas bandas citadas, mas algum fruto sempre rende.
 Louise Attaque é uma banda particular, e ainda pretendo postar mais material deles.