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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

the Upholsterers - Makers of High Grade Suites (2000)

Jack White trabalhava como aprendiz numa estofaria, foi lá que ele conheceu Brian Muldoon e os dois montaram uma banda, no mesmo estilo de White Stripes, guitarra e bateria. Seguindo essa linha do Flat Duo Jets, Jack White vai mostrar aqui o seu primeiro grito registrado. O curioso é observar a energia das músicas, Apple of my eye, composição do próprio White, é o grande destaque entre as três músicas do EP, todas ouvidas e re-ouvidas incansávelmente.É curioso observar nisso tudo como o punk serve ainda hoje para firmar bases sólidas, mesmo não sendo Jack White um primor em questões técnicas, é graças a sua base punk que a energia e a vontade de tocar estão sempre presentes em suas músicas.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Mission of Burma - Signalls, Calls & Marches (1981-2008)

Durante os anos 80 as bandas pareciam competir para ver qual era a mais grandiosa, seja nos efeitos infinitos de uma nave espacial pousando, quanto pelo virtuosismo extremo de seus músicos. Mission of Burma já parece ser uma resposta do que estava acontecendo na surdina, nos lugares mal iluminados. Com um trio na clássica formação de baixo, guitarra e bateria eles conseguiram criar uma sonoridade ímpar e cheia de energia. Seu som consegue envolver quem o escuta, mesmo com toda sua simplicidade. Apesar do sucesso inicial, a banda formada em 1980 na cidade de Boston, termina em 1983. Este disco é um EP originalmente lançado num circuito pequeno em 1981, porém após a volta da banda em 2002, no ano de 2008 eles relançam este EP com algumas faixas extras. Aqui temos a clássica "That's when reach for my revolver" e "Max Ernst". A pegada da banda é bem marcante, e apesar de sua sonoridade bem fiel ao punk, seu clima sonoro nos remete ao pós-punk (afirmação possível principalmente pelas letras).

terça-feira, 30 de setembro de 2014

La Femme - Psycho Tropical Berlin (2013)

La Femme é uma banda francesa que faz um som bem original. Sua pegada eletrônica com direito a energia punk me levam a enquadrar a banda no Cyberpunk. Pode ser algo exagerado, mas ainda considero o mais plausível. Suas letras em francês mostram que mesmo depois de Françoise Hardy, Johnny Hallyday e Mano Negra, a música pop francesa continua viva como nunca! Os synths estão ali junto com bateria, guitarra e baixo, dá vontade de sair pulando na maior parte das canções. É um disco recente - 2013 - e que vem sendo digerido. Recomendadíssimo.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Desperete Bicycles - Remorse code (1979)

O final da década de 1970 foi marcado por bandas preocupadas em produzir o seu tipo de música. Por mais que a simplicidade tenha se tornado uma marca registrada de boa parte dessas bandas, não podemos esquecer do esforço delas. Vai ver essa busca por um som seu esteja de acordo com a forte tendência DIY da época. Desperete Bicycles é uma banda de excelência quando o assunto é "do it yourself", sempre lançaram seu material de forma independente e nunca chegaram a ser algo muito grande, apesar da relativa fama. Acabaram em 1981 e devido a sua pretensão exclusiva de apenas gravar sua música, demorou algum tempo para surgirem apresentações. Seu caráter amador é perceptível. Com uma sonoridade engraçada e particular, parece que eles desenham muito do que ganha corpo e forma mais tarde. Talvez um primeiro rascunho de um Gang of Four menos funky e mais experimental.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

La Casa Fantom - Ingen ny dag (2006)

La Casa Fantom é daquelas bandas difíceis de serem classificadas em um estilo, que possuem uma sonoridade de tamanha personalidade e em constante transformação que rotulações sempre parecem descabidas e incapazes de traduzir sua estética de maneira satisfatória. Mas que, para fins de esclarecimento, pode-se dizer que trazem junto à sua raiz hardcore, sonoridades que remetem ao post-rock, essa mistura que, convencionou-se chamar de “Neocrust”, palavras que não explicam muita coisa, mas que para os mais familiarizados com determinadas vertentes musicais dão uma ideia do que esperar dessa banda.
Esse disco em questão, o Ingen ny dag, traz 10 músicas que misturam elementos diversos, indo de hardcore, post-rock, screamo, black metal e até algumas influências de música eletrônica (!). Essas tão diversas influências poderiam soar forçadas, artificiais, como tantas vezes podemos notar quando algumas bandas tentam misturas diversos estilos na busca fracassada por uma sonoridade única. Mas esse duo de baixo/bateria norueguês, de certa forma, consegue juntar todas essas influências em composições extremamente ricas e harmoniosas.
A excentricidade da decisão de formar uma banda sem guitarra é esquecida ao ouvir as músicas e notar a versatilidade do baixista, e vale dizer, tudo aqui é muito bem executado e sem soar demasiadamente produzido. Todo o instrumental é extremamente melancólico e as linhas de voz, ora sussurradas, ora berradas, ajudam a enriquecer as músicas mesmo que não sejamos capazes compreender as letras (esse disco é todo cantado em norueguês). Gostaria de insistir que tudo nesse disco é muito bem feito, o que dá a esse curto CD com cerca de 27 minutos, uma fluidez enorme. O disco chega ao fim com a talvez mais eclética das músicas do La Casa Fantom, “Rømmer til skogen”. De forma incrível, a música começa com um ritmo “eletrônico” e passeia por todos os elementos da banda juntos, tudo envolto por uma áurea de melancolia medieval, terminando assim esse desconhecido álbum que deveria servir referência para o punk da nossa atualidade.
Os noruegueses do La Casa Fantom, mesmo com todas essas influências, representem uma volta às raízes para tudo aquilo que nos acostumamos chamar de post-alguma coisa (post-punk, post-hardcore, etc.), mas que no fundo pouco conseguem representar do nome que carregam. Ingen ny dag, é um disco punk, essencialmente punk, no melhor e mais puro significado que essa palavra representa.


By Januario

segunda-feira, 7 de julho de 2014

The Lemonheads - Hate your friends (1987)

Este é um disco que surpreendeu. Você talvez conheça Lemonheads pelo clipe de Mrs Robinson, ou alguma outra canção mais melodiosa. Não é o caso deste disco, estão crus e nus, como uma boa banda de punk rock bem garageiro é. O incrível é que fazem com maestria esse be-a-bá do punk rock e rock alternativo muito bem, não tão original quanto se gostaria, mas bem feito, e no final das contas, boa música é tão importante quanto música nova. É o disco de estréia da banda, que vai ganhando contornos mais melodiosos ao longo de sua carreira. Também nunca foram uma grande banda, sempre mais restritos ao circuito underground, seu maior sucesso na mídia ainda foi o cover do Simon & Garfunkel. Apesar da sujeira do som deles, já está presente um leve toque melodioso, nada muito forte, mas bem marcado. E eu adoro!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Dance of Days - a história não tem fim (2001)

Alguns gêneros musicais são bem conhecidos por suas “bandas genéricas”. Bandas que fazem a mesmíssima coisa que dezenas de outras já fizeram, os mesmos tipos de letras, os mesmos efeitos de guitarra, a mesma estrutura, etc etc etc. O punk, hardcore, post-hardcore são famosos por isso, assim como emo. Gêneros onde um mar de mediocridade esconde algumas excelentes bandas, que tem uma inventividade muito acima da média. O disco “A História Não Tem Fim”, da banda paulistana Dance of Days é um ótimo exemplo disso.
Já no longínquo ano de 2001, quando no cenário punk/hardcore era tomado por centenas de bandas cantando em inglês, com uma sonoridade mais ou menos parecida, o Dance of Days aparece com seu primeiro álbum cheio, com 15 músicas, 13 delas em português, um álbum gravado quase ao vivo, o que por um lado mostra todas as falhas técnicas da banda (que não são poucas), por outro também deixa transparecer toda a força e energia do álbum. A primeira música, “Se Essas Paredes Falassem” deixa muito claro a essência da banda, enquanto o vocalista grita a letra que fala sobre um sujeito que em meio a um mundo extremamente preconceituoso, se vê em um relacionamento homossexual.
Daí pra frente o álbum se divide em duas partes, a primeira é extremamente pesada e agressiva, onde as letras extremamente políticas são ao mesmo tempo muito passionais, podemos ver isso na música Ícaro Sobre As Chamas:

[...] Enquanto nos porões destas fábricas nosso suor move as máquinas,
a fumaça cinza apaga o sol,
e então saímos pra recolher
os restos por baixo da fuligem.
Por favor não me deixa ver que nós trocamos
nosso sangue por migalhas e que não há mais abrigo
pra se proteger agora que a noite não tem fim.
Segura forte minhas mãos e diz
que amanhã vamos acordar
e nosso leito não vai estar tão sujo e frio...
O disco segue com a música “Corvos do Paraíso”, onde o vocalista Nenê Altro canta suas desilusões de lutas e grupos políticos – “vejo a solidariedade proletária escorrer pelo sangue nas costas de meus irmãos”. Toda essa primeira parte do álbum é marcada por essa espécie de desilusão das lutas políticas e da mentalidade de grupo. A próxima faixa, “Vinda a Mim” é quase um hino anticristão e anticatólico, e a desilusão política volta mais uma vez em “Flores Aos Rebeldes Que Falharam”, que tem mais uma letra carregada de niilismo que diz - “E nunca conseguimos nada. Todos sonhos que tivemos condenamos ao esquecimento e ao nosso próprio desprezo”. E a primeira parte do disco chega ao fim com a música “Carro Bomba”, a música mais pesada e “punk” do álbum, possui uma letra que transmite um sentimento daqueles que qualquer trabalhador assalariado desse mundo já pensou, talvez não de maneira tão agressiva, mas enfim: - “Você não imagina o que eu tenho em mente quando digo bom dia... Quando digo "sim, senhor" eu penso em te erguer pelo pescoço  e te ver mijar nas calças, seu filho da puta.”
Depois dessa canção de pura poesia e amor ao próximo, começa a parte mais calma do álbum, onde as músicas são mais cantadas e menos gritadas, e o aspecto político delas fica mais escondido nas letras pessoais, extremamente pessoais, é o caso da música “Mais Um Café Gelado Por Favor”, onde o personagem grita que não quer mais ouvir sobre trabalho, dinheiro ou como ele deveria mudar o mundo e se comportar, sobre coisas que ele não vai mudar. É quase impossível ouvir isso e não se identificar, porque afinal, todo mundo um dia já passou por isso, esse talvez seja o grande trunfo da banda e o fator maior do seu “sucesso”, a capacidade de fazer letras passionais que conservem algum conteúdo, coisa que era muito pouco vista na música, no rock brasileiro do final de 90 e começo dos anos 2000.
Após algumas canções mais “românticas” que deixaram a banda com o rótulo risivelmente pejorativo de emo, o disco termina com “Suburbia 1996”, uma música em inglês que fala de um garoto que saiu para ir a um show punk, e que depois, não quer mais voltar pra casa, prefere ficar no porão onde o show aconteceu, ainda que sozinho. E termina com:
Oh, please stay and make me feel alive.
Is it all the same with all punk kids?
Are we so afraid of our time passing by?
Just one more coffee...
just one more kiss...
Just one more song... it's all that I need
To feel like the world isn't bad enough
As long as you are there for me...

E assim termina o primeiro álbum do Dance of Days, com suas 15 músicas quase sem nenhum refrão, gritadas, berradas, cantadas desafinadamente, mas que é repleto de energia e honestidade. Quem não é muito fã do gênero dificilmente vai gostar, mas com certeza vale a pena ouvir, pela história da música e do punk brasileiro.

Para compartilhar
&
Campo das bandas

obs: esse é o primeiro post do novo colaborador que chamarei por enquanto de Januário, e que devido a problemas técnicos, foi postado por mim.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Joe Strummer & the Mescaleros - Streetcore (2003)

Até onde sei, quando Joe Strummer lançou esta série de discos fazia muito tempo que ele andava sumido, ninguém mais parecia saber de seu paradeiro. Quando de súbito ele aparece com esta série de albúns de canções inéditas, quando sem que ninguém esperasse ele morre. Este disco em especial é lançado postumamente, porém da série lançada por ele e os Mescaleros na virada de 1999-2000, este é o disco com o qual eu mais estou familiarizado. Temos boas músicas, mas o problema é que em relação ao que foi produzido durante os tempos do Clash, podemos nos decepcionar um pouco. Mas vale lembrar que a sonoridade aqui é diferente, Strummer buscava um novo caminho. De maneira geral temos uma fusão entre o rock e o reggae mais madura e sólida, já bem marcada e regrada. Joe Strummer abusa dessas fusões e praticamente não usa a sonoridade punk, pela qual ficou famoso. Ele está ligado a estes elementos fusion e a aquilo que foi chamado de pub rock, que ele já havia feito com os 101ers. Não é um disco de todo forte, óbvio que não é ruim também, mas sem dúvidas este albúm não teria tanta expressão caso fosse lançado por outra pessoa. Ainda assim vale a pena, só não espere por punk rock, é a última coisa que você vai encontrar.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Rakta - S/T (2013)

Muita gente vai querer me atirar pedras ao afirmar que o rock nacional é muito mal representado, não temos grandes bandas, o que temos são bandas que continuam até hoje porque em algum momento lançaram um ou dois discos bons e por causa disso estão ai até hoje. De maneira geral temos músicas fracas, seja pela composição pouco original ou pelas letras capengas. Essas afirmações acima podem dar a entender que um "rock brasileiro" ou uma "cena" rock nacional seja impossível e suas tentativas sejam ridículas, ledo engano. Há muita banda boa, que vai te divertir muito durante o show e que têm músicas boas o suficiente para escutar em casa mais tarde, entretanto estas bandas estão nesta coisa chamada underground e/ou circuito alternativo. O apoio vêm dos fãs que assistem os shows, e só. Rakta é uma dessas bandas. Nunca havia assistido uma banda formada apenas por garotas, o que é muito raro e necessário - afinal, punk rock não é só pro seu namorado. Fui assistir o show das garotas sem conhecer uma música se quer (como venho adquirindo o hábito de fazer), e foi um show que eu não esperava, de tão positivo que acabou sendo. Apesar de não apresentarem nenhum mega virtuosismo no manuseio dos instrumentos, todas elas sabem o que fazer e fazem o necessário. Entretanto elas poderiam cair na velha cartilha punk rock, e criarem uma sonoridade repetitiva, que apesar de serem composições próprias, você já conheceria. Elas trazem um som original que me pareceu uma mistura do punk, pós-punk e uma pegada industrial. Não sei se era pelo espaço pequeno onde elas tocaram, mas conforme a banda desenvolvia seu som acabavam criando toda uma atmosfera sonora que te envolvia e pedia para que se entregasse cada vez mais. Além de tudo a banda fez esta capa lindona.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Pankrti - Rdeci Album (1984)

 O que rola nas bordas? O que acontece nos lugares que a gente até esquece que existem? Pankrti foram uma importantíssima banda de punk rock da Eslovênia durante os anos 80. Mais do que isso, sua sonoridade é aquele punk rock que já conhecemos, mas eles fazem soar do jeito deles. Para melhorar sei que a banda adotava uma postura política interessante, simpatizando abertamente com os movimentos anarquistas e comunistas. Rdeci album significa albúm vermelho, referência a doutrina comunista. Devido a esse posicionamento foram uma das primeiras bandas do chamado Yugo Rock a se posicionarem contra a guerra civil que acabou desmembrando a Iugoslávia. Sua melhor música não está ai, é "Anarhist", mesmo assim vale a pena ouvir este disco. Parece que este seria o disco clássico da banda, seu melhor trabalho. Os caras pareciam ser ótimos músicos.

&

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Gun Club - Mother Juno (1987)

Acredito que Gun Club seja a banda mais famosa a misturar Blues com Punk. É uma mistura inusitada, mas que surte um efeito legal. Este disco em especial foi mais querido por mim durante algum tempo do que o famoso fire of love. As músicas são mais soturnas e adoro esta música simples e negra. Além de tudo a voz de Jeffrey Lee Pierce contém um desespero único. A faixa de abertura Bill Bailey já traz essa descrença com o mundo. Na época eu usava muito o transporte público, e Gun Club soava perfeito quando já estava escuro e era necessário caminhar pelas ruas já quase escuras. Com suas guitarras limpas, melancólicas e inconformadas. Este ar muito mais ligado ao pós-punk que encontramos aqui em Mother Juno acredito estar diretamente ligado ao seu consumo de drogas pesadas. No fim, só pela capa o disco já vale. Gun Club é único.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Top Surprise - Klouds EP (2013)

 Não sou de catar novidades, apenas busco música boa, especialmente aquela que você não consegue em qualquer lugar. Numa dessas investidas o site da Bandcamp se mostra ótimo. Foi ali procurando que encontrei este EP simpático da banda Top Surprise. O som deles é bom, especialmente pra que gosta de barulho, o que é de longe a praia deles. Apesar de meu certo desprezo para bandas nacionais que cantam em inglês (tenho aquele lance anti-imperialista sabe?) não posso fazer ou falar nada quando fica bom, e este é o caso doo Top surprise. Infelizmente nunca pude ver uma apresentação ao vivo deles. Foram lançados pela PugRecords.

sábado, 28 de dezembro de 2013

TSOL - Change Today? (1984)

Os anos 80 reservam muita coisa boa entre todo aquele pop famosérimo e o hard rock farofagem. Você precisa de paciência e vontade mas sempre se encontram coisas boas, Cure talvez seja o exemplo mais clássico. Havia uma cena underground durante os anos 1980 que será importante para coisas que surgem depois como Nirvana, My Bloody Valentine e Mudhoney. Não podemos esquecer todas essas citadas começam suas atividades no final de oitenta. O Skate estava muito ligado ao punk neste período, algo que me parece, vai mudar nos anos 1990 (assim como o estilo de andar, se aproximando muito mais do rap). Podemos sentir a importância que foi o punk rock para a música rock, pois o mais importante dito por aquele punhado de bandas do final dos anos 1970 foi, "faça a sua música", acabando com várias regras - vide Clash. Tsol é uma dessas bandas importantes do período, sua canção "Flowers by the Door" é sem dúvida a melhor canção do disco seu ar é bem soturno.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Olho Seco - Os Primeiros Dias (1981-1983)

Gosto mesmo é de melodia, mas olho seco é uma banda especial para mim. Conheci a banda no meu aniversário, porém quem convidou seus amigos foi minha irmã mais velha (sempre ela) e vieram seus amiguinhos punks da época. Moicanos, camisetas de banda e all-stars desfilavam pela casa. Um desses amigos tinha um disco do olho seco (botas fuzis e capacetes), e era a audição do dia. Ele emprestou o cd, graamos em fita k-7, e acabei entendendo as letras e acordes do Olho seco. Porém, pelo que percebo da banda eles se tornam mais rápidos conforme o tempo passa, e isso não me agrada muito (prefiro os Ramons ao GBH). Nisto que me aparece este disco, "Os primeiros dias", é um baita disco, é agressivo, rápido, mas o suficiente para se manter inteligível. Gosto bastante do som da banda ai, é muito bom e vale a pena ser ouvido. Pensar que essa música era feita no Brasil no começo dos anos 80 é muito gratificante. Considero o punk nacional muito particular e original.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Suicide - First Album (1977)

Suicide é um duo, bateria eletrônica, sintetizador e vocal. Seu som é bem particular e está ligado ao punk nova iorquino dessa época. Óbvio que eles seriam um episódio a parte, mas não os desconsidero de toda aquela cena descrita em mate-me por favor, apesar de não lembrar deles no livro. De qualquer forma pelo que eu sei eles foram e continuam sendo muito influentes, é só ouvir que alguns sons serão familiares. É uma música sombria, e por vezes difícil de ouvir (confesso que raramente escuto mais de duas músicas seguidas). Ghost Rider é o grande hit do disco. Se você se interessa pela música "eletrônica", Suicide é parada obrigatória para qualquer listinha dos discos mais importantes. Selvagem é o som deles. E aproveitem antes que não tenhamos mais piratebay.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Pin Ups - Lee Marvin (1997)

Pin Ups é constantemente indicada como uma das bandas mais importantes do underground brasileiro dos anos 1990. O fantástico é a qualidade do som da banda, totalmente ligada na cena gringa que vinha rolando (leia-se: Inglaterra & Estados Unidos). Não devendo em nada para o que vinha sendo produzido lá fora. Pessoalmente gosto mais do Lee Marvin do que do time will burn, os dois únicos discos que conheço da banda (se tiver mais alguma coisa, posta ai). Neste disco em especial, o vocalista original abandona a banda pra se dedicar a sua família, nem chegando a participar do show de lançamento, por isso os vocais são revezados e a baixista Alê começa a cantar. Se você se interessa pela movimentação do underground de 1990 (onde Planet Hemp e Naçao Zumbi são os expoentes maiores), vale a pena ouvir Pin Ups e ficar imaginando como eram os festivais que rolavam, que eu, na época uma inocente criança, via alguma coisa quando minha irmã e primo (mais velhos) trocavam do cartoon network para a mtv na casa do meu avô, já que eu não tinha tv a cabo.

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sábado, 14 de setembro de 2013

Yanka Dyagileva - Ангедония (1989)

Cada vez mais eu venho gostando do som da Yanka Dyagileva. Música simples, dá para perceber que é só aquela guitarra nervosa, baixo, bateria e ela como que declamando poemas numa língua da qual não entendo patavina. Não bastasse adoro as capas dos discos dela. Como minha irmã (até hoje maior companheira de sons) vem gostando também, fico confiante para mostrar mais essa bizarrice para o público. A vibe se mantém naquela onde folk-punk. Baita som pra dias nublados, chuvosos ou frios.


sábado, 31 de agosto de 2013

Buzzcocks - Singles Going Steady (1979)

 Buzzcocks foi uma revelação para mim. Gostava muito do punk, mas me parecia que o normal era que seguissem uma tendência cada vez mais agressiva (a exemplo de GBH), o que pessoalmente me desagradava. Gostava desse som meio bubblegum, melódicosinho porém sem ser coxinha ao extremo. Uma boa medida era Buzzcocks. Sentimentais, porém não chorosos. Suas letras falam das angústias adolescentes, algo que fazia bastante sentido para mim naqueles anos. Ainda hoje tenho minhas dúvidas de até onde é realmente sério o conteúdo das letras, até porque o nome da banda é de caráter bem cômico. Este disco no caso é uma compilação de singles lançado em 1979. Um baita disco para começar a ouvir Buzzcocks, ou para continuar ouvindo.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Planet Hemp - Os cães ladram mas a caravana não pára (1997)

 Talvez hoje em dia possa parecer bizarro, mas quando este disco saiu ele foi fundamental para mim. Minha irmã que estava começando a se ligar em som, acabou correndo atrás e conseguiu comprar um cd deles e levar para casa. Como ainda éramos muito pirralhos ouvir este disco era algo para ser feito escondido, quando nossos pais não estavam em casa. Complicado crianças ouvirem "queimando tudo" na frente de seus pais. Havia essa empolgação toda, alguns amigos na escola também tinham irmãos mais velhos e escutavam Planet Hemp também. Era, para mim, algo como uma definição de "legal" quem ouvia ou não Planet Hemp. Hoje em dia vejo que a banda foi muito mais do que algo proibido e que falava de muito mais do que sobre maconha, tema sempre polêmico. Percebo agora que eles tratam de outros assuntos, e que o tema da maconha era apenas o que chamava mais atenção. As letras tem um conteúdo muito bom, falando desde a música até problemas da nossa sociedade (muitos ainda enfrentados, a exemplo de uma polícia corrupta ou a criminalização da maconha). Além disso o som da banda é muito bom, fazem aquele caminho comum, mas difícil, da "mistureba", manifesto antropofágico puro, caminhando entre vários ritmos do underground e de ótima qualidade. Este disco com toda certeza é um clássico e na minha opinião o melhor da banda. Sem falar que eles já estavam por dentro do esquema das gravadoras alternativas e festivais, apesar de falarmos muito hoje sobre isso devido a importante alternativa que isto tudo representa para a grandes gravadoras (inimigas mortais do download pela internet), tal esquema gravadoras laternativas/festivais, já faziam bastante barulho nos anos 1990 - DIY.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Dinossaur Jr - You're Living all Over me (1987)

Dinossaur Jr é uma dessas bandas clássicas dentro do underground. O som deles é bem garageiro, porém com bons toques melódicos. Na boa escola do Buzzcocks. Sou pouco aprofundado na banda, mas este disco, por sinal o primeiro que conheci, é ótimo, escuto-o até hoje. Sempre rola algo dos pequenos dinossauros no meu mp3. Se você gosta deste som underground, que não se encontra fácil por ai, que te ajuda a fazer amigos na vida, deixo este disco lindo para ouvirem.