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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Letrux - Em noite de climão (2017)

Letícia Novaes é a grande figura em Letrux, seu projeto solo-coletivo. Sua música é impressionante. Consegue aliar o tom de MPB através de suas letras maravilhosas, construindo verdadeiras paisagens sonoras (e meu Deus como fazia tempo que não ouvia letras tão boas!). Amparada por uma banda ótima, as guitarras sem exageros casam bem com a bateria rítmica*, o baixo marcante e o sintetizador que domina o ambiente. Sua introdução e sua fala no meio, são agradáveis de se ouvir. É um disco que me pegou de surpresa e é daqueles que a gente só vai gostando mais conforme o tempo passa. Faz algum tempo me distancio da música enquadrada no termo geralzão do "rock", por ter ouvido isto a vida inteira e já não me encantar com qualquer coisa. Letrux, entretanto, rendeu e ainda tá rendendo.

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*e não é o que se espera de uma bateria?

domingo, 4 de dezembro de 2016

VA - Putumayo presents: Latin Lounge (2005)

Putumayo é uma gravadora especializada em lançar músicas de ritmos não convencionais, ou se preferir, tradicionais/folclóricos. O dono da gravadora percebeu certa vez um grupo de músicos caribenhos ou africanos (algo assim) tocando e a carência das pessoas em terem acesso a este tipo de música. Desta forma eles são especializados em organizarem coletâneas temáticas, como esta que é dedica ao lounge latino. De maneira geral, o trabalho desta gravadora merece ser conhecido, ajuda bastante a expandir os horizontes musicais. Este disco em específico é muito bom de ouvir, que por ser lounge tem alguma coisa de equilibrado entre a música ambiente e o pop fácil que ouvimos nas rádios. 

quinta-feira, 5 de março de 2015

Gattopardo - Gattopardo LP (2014)

Não é todo dia que uma banda aparece fazendo algo diferente da maioria. Em meio a um cenário underground, alternativo e sem dinheiro, as coisas são mais difíceis, nem por isso menos belas. Com um show envolvente a Gattopardo vem fazendo um bom pós-punk em português - algo bem complicado. Com referências bem marcadas que parecem passar por Bauhaus e The Fall, a sonoridade consegue se constituir como algo próprio para além da simples imitação do ídolo. Referências claras, mas que continuam sendo referências. Isto tudo é muito positivo. Confesso que esta é uma das poucas bandas na linha do pós-punk que pude assistir, e valeu a pena!


campodasbandas!

sábado, 18 de outubro de 2014

Killing Chainsaw - Slim Fast Formula (1994)

Já faz algum tempo que eu venho defendendo a cena alternativa brasileira em relação a mainstream no quesito musical. Parece que após um surto nos anos 1980, o rock brasileiro entra numa decadência... discussões a parte sobre a qualidade do cenário nacional, é uma constatação sincera minha afirmar que é no dito cenário underground brasileiro que as melhores bandas surgem. Apesar de galgarem as rádios nos anos 1990, bandas como Raimundos, Planet Hemp e Nação Zumbi, para citar as mais famosas, são geradas em circuitos independentes. Desse circuito independente (alternativo, underground... como quiser) o grande nome foi sem dúvidas Pin Ups. Quando pesquisei coisas sobre o Pin Ups para postar aqui no blogue, me deparei com Killing Chainsaw (motosserra matadora?), que foi uma grande promessa e como podemos constatar tinha todo potencial para suprir os anseios sobre ela. Mas segundo uma série de fatores (desde pessoais até de "gravadoras") a banda acabou... Este parece ser um dos poucos materiais gravados com boa qualidade sonora - confesso não ter escutado os outros discos. Seu som é marcado aqui pelo peso das duas guitarras, uma bateria ativa e um baixo bem marcado. Uma dificuldade é classificar a banda, pois percebemos a pegada do grunge, a barulheira do shoegazing, e um peso, bem de leve, de metal, mas acho forçado enquadrar a banda em qualquer um dos estilos descritos acima. Uma característica são as letras em inglês, algo muito comum na época, nem que seja no nome da banda - alguém ai falou do Planet Hemp? Talvez por eu ser uma criança, ou pela nostalgia com o passado, os anos 1990 tinham uma efervescência ótima de bandas brasileiras, Killing Chainsaw é uma dessas bandas ótimas que passaram por aqui.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Dance of Days - a história não tem fim (2001)

Alguns gêneros musicais são bem conhecidos por suas “bandas genéricas”. Bandas que fazem a mesmíssima coisa que dezenas de outras já fizeram, os mesmos tipos de letras, os mesmos efeitos de guitarra, a mesma estrutura, etc etc etc. O punk, hardcore, post-hardcore são famosos por isso, assim como emo. Gêneros onde um mar de mediocridade esconde algumas excelentes bandas, que tem uma inventividade muito acima da média. O disco “A História Não Tem Fim”, da banda paulistana Dance of Days é um ótimo exemplo disso.
Já no longínquo ano de 2001, quando no cenário punk/hardcore era tomado por centenas de bandas cantando em inglês, com uma sonoridade mais ou menos parecida, o Dance of Days aparece com seu primeiro álbum cheio, com 15 músicas, 13 delas em português, um álbum gravado quase ao vivo, o que por um lado mostra todas as falhas técnicas da banda (que não são poucas), por outro também deixa transparecer toda a força e energia do álbum. A primeira música, “Se Essas Paredes Falassem” deixa muito claro a essência da banda, enquanto o vocalista grita a letra que fala sobre um sujeito que em meio a um mundo extremamente preconceituoso, se vê em um relacionamento homossexual.
Daí pra frente o álbum se divide em duas partes, a primeira é extremamente pesada e agressiva, onde as letras extremamente políticas são ao mesmo tempo muito passionais, podemos ver isso na música Ícaro Sobre As Chamas:

[...] Enquanto nos porões destas fábricas nosso suor move as máquinas,
a fumaça cinza apaga o sol,
e então saímos pra recolher
os restos por baixo da fuligem.
Por favor não me deixa ver que nós trocamos
nosso sangue por migalhas e que não há mais abrigo
pra se proteger agora que a noite não tem fim.
Segura forte minhas mãos e diz
que amanhã vamos acordar
e nosso leito não vai estar tão sujo e frio...
O disco segue com a música “Corvos do Paraíso”, onde o vocalista Nenê Altro canta suas desilusões de lutas e grupos políticos – “vejo a solidariedade proletária escorrer pelo sangue nas costas de meus irmãos”. Toda essa primeira parte do álbum é marcada por essa espécie de desilusão das lutas políticas e da mentalidade de grupo. A próxima faixa, “Vinda a Mim” é quase um hino anticristão e anticatólico, e a desilusão política volta mais uma vez em “Flores Aos Rebeldes Que Falharam”, que tem mais uma letra carregada de niilismo que diz - “E nunca conseguimos nada. Todos sonhos que tivemos condenamos ao esquecimento e ao nosso próprio desprezo”. E a primeira parte do disco chega ao fim com a música “Carro Bomba”, a música mais pesada e “punk” do álbum, possui uma letra que transmite um sentimento daqueles que qualquer trabalhador assalariado desse mundo já pensou, talvez não de maneira tão agressiva, mas enfim: - “Você não imagina o que eu tenho em mente quando digo bom dia... Quando digo "sim, senhor" eu penso em te erguer pelo pescoço  e te ver mijar nas calças, seu filho da puta.”
Depois dessa canção de pura poesia e amor ao próximo, começa a parte mais calma do álbum, onde as músicas são mais cantadas e menos gritadas, e o aspecto político delas fica mais escondido nas letras pessoais, extremamente pessoais, é o caso da música “Mais Um Café Gelado Por Favor”, onde o personagem grita que não quer mais ouvir sobre trabalho, dinheiro ou como ele deveria mudar o mundo e se comportar, sobre coisas que ele não vai mudar. É quase impossível ouvir isso e não se identificar, porque afinal, todo mundo um dia já passou por isso, esse talvez seja o grande trunfo da banda e o fator maior do seu “sucesso”, a capacidade de fazer letras passionais que conservem algum conteúdo, coisa que era muito pouco vista na música, no rock brasileiro do final de 90 e começo dos anos 2000.
Após algumas canções mais “românticas” que deixaram a banda com o rótulo risivelmente pejorativo de emo, o disco termina com “Suburbia 1996”, uma música em inglês que fala de um garoto que saiu para ir a um show punk, e que depois, não quer mais voltar pra casa, prefere ficar no porão onde o show aconteceu, ainda que sozinho. E termina com:
Oh, please stay and make me feel alive.
Is it all the same with all punk kids?
Are we so afraid of our time passing by?
Just one more coffee...
just one more kiss...
Just one more song... it's all that I need
To feel like the world isn't bad enough
As long as you are there for me...

E assim termina o primeiro álbum do Dance of Days, com suas 15 músicas quase sem nenhum refrão, gritadas, berradas, cantadas desafinadamente, mas que é repleto de energia e honestidade. Quem não é muito fã do gênero dificilmente vai gostar, mas com certeza vale a pena ouvir, pela história da música e do punk brasileiro.

Para compartilhar
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Campo das bandas

obs: esse é o primeiro post do novo colaborador que chamarei por enquanto de Januário, e que devido a problemas técnicos, foi postado por mim.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Criolo Doido - Ainda há tempo (2006)

Praticamente todo mundo conhece o excelente disco do Criolo lançado em 2011, porém diferente do nó na orelha o "ainda há tempo" está bem mais ligado ao rap e a cultura hip hop do que o disco seguinte. Os samplers não perdem em nada para nenhum bom disco de rap e até mesmo causa um certo espanto de como este disco não fez o sucesso que deveria ter tido e como ainda aparece como algo um pouco apagado, o próprio site do artista, por exemplo, onde ele divulga seu material de uma forma exemplar, não traz este álbum fenomenal. Apesar do claro uso de samplers e loops, podemos arriscar tecer uma linha entre este e o disco seguinte, já que boa parte do trabalho do Dj se pauta em instrumental, nem sempre seguidos de uma batida eletrônica, mas sim usando o grave do baixo por exemplo. Suas letras, como sempre, muito bem construídas, trazendo os desafios e superações da população da periferia e da importância da cultura hip hop pra favela. 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Rakta - S/T (2013)

Muita gente vai querer me atirar pedras ao afirmar que o rock nacional é muito mal representado, não temos grandes bandas, o que temos são bandas que continuam até hoje porque em algum momento lançaram um ou dois discos bons e por causa disso estão ai até hoje. De maneira geral temos músicas fracas, seja pela composição pouco original ou pelas letras capengas. Essas afirmações acima podem dar a entender que um "rock brasileiro" ou uma "cena" rock nacional seja impossível e suas tentativas sejam ridículas, ledo engano. Há muita banda boa, que vai te divertir muito durante o show e que têm músicas boas o suficiente para escutar em casa mais tarde, entretanto estas bandas estão nesta coisa chamada underground e/ou circuito alternativo. O apoio vêm dos fãs que assistem os shows, e só. Rakta é uma dessas bandas. Nunca havia assistido uma banda formada apenas por garotas, o que é muito raro e necessário - afinal, punk rock não é só pro seu namorado. Fui assistir o show das garotas sem conhecer uma música se quer (como venho adquirindo o hábito de fazer), e foi um show que eu não esperava, de tão positivo que acabou sendo. Apesar de não apresentarem nenhum mega virtuosismo no manuseio dos instrumentos, todas elas sabem o que fazer e fazem o necessário. Entretanto elas poderiam cair na velha cartilha punk rock, e criarem uma sonoridade repetitiva, que apesar de serem composições próprias, você já conheceria. Elas trazem um som original que me pareceu uma mistura do punk, pós-punk e uma pegada industrial. Não sei se era pelo espaço pequeno onde elas tocaram, mas conforme a banda desenvolvia seu som acabavam criando toda uma atmosfera sonora que te envolvia e pedia para que se entregasse cada vez mais. Além de tudo a banda fez esta capa lindona.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Top Surprise - Klouds EP (2013)

 Não sou de catar novidades, apenas busco música boa, especialmente aquela que você não consegue em qualquer lugar. Numa dessas investidas o site da Bandcamp se mostra ótimo. Foi ali procurando que encontrei este EP simpático da banda Top Surprise. O som deles é bom, especialmente pra que gosta de barulho, o que é de longe a praia deles. Apesar de meu certo desprezo para bandas nacionais que cantam em inglês (tenho aquele lance anti-imperialista sabe?) não posso fazer ou falar nada quando fica bom, e este é o caso doo Top surprise. Infelizmente nunca pude ver uma apresentação ao vivo deles. Foram lançados pela PugRecords.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Olho Seco - Os Primeiros Dias (1981-1983)

Gosto mesmo é de melodia, mas olho seco é uma banda especial para mim. Conheci a banda no meu aniversário, porém quem convidou seus amigos foi minha irmã mais velha (sempre ela) e vieram seus amiguinhos punks da época. Moicanos, camisetas de banda e all-stars desfilavam pela casa. Um desses amigos tinha um disco do olho seco (botas fuzis e capacetes), e era a audição do dia. Ele emprestou o cd, graamos em fita k-7, e acabei entendendo as letras e acordes do Olho seco. Porém, pelo que percebo da banda eles se tornam mais rápidos conforme o tempo passa, e isso não me agrada muito (prefiro os Ramons ao GBH). Nisto que me aparece este disco, "Os primeiros dias", é um baita disco, é agressivo, rápido, mas o suficiente para se manter inteligível. Gosto bastante do som da banda ai, é muito bom e vale a pena ser ouvido. Pensar que essa música era feita no Brasil no começo dos anos 80 é muito gratificante. Considero o punk nacional muito particular e original.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Autoramas - Motocross (1999)

 Autoramas está entre as minhas bandas nacionais favoritas, já os conhecia da leva de boas bandas que houveram no Brasil durante os anos 1990. Você com certeza conhece canções como "fale mal de mim", "você sabe" ou alguma outra. Faz anos que eles vêm sobrevivendo no Underground e infelizmente nunca vi um show deles (algo que dói no meu coração). Enquanto o fatídico show não acontece vamos ouvindo este EP lançado em 1999 com duas faixas instrumentais. A banda faz um som trabalhado sem abandonar a querida simplicidade.


obs: os links do piratebay vêm mudando constantemente devido a problemas do site que muda constantemente de país.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Pin Ups - Lee Marvin (1997)

Pin Ups é constantemente indicada como uma das bandas mais importantes do underground brasileiro dos anos 1990. O fantástico é a qualidade do som da banda, totalmente ligada na cena gringa que vinha rolando (leia-se: Inglaterra & Estados Unidos). Não devendo em nada para o que vinha sendo produzido lá fora. Pessoalmente gosto mais do Lee Marvin do que do time will burn, os dois únicos discos que conheço da banda (se tiver mais alguma coisa, posta ai). Neste disco em especial, o vocalista original abandona a banda pra se dedicar a sua família, nem chegando a participar do show de lançamento, por isso os vocais são revezados e a baixista Alê começa a cantar. Se você se interessa pela movimentação do underground de 1990 (onde Planet Hemp e Naçao Zumbi são os expoentes maiores), vale a pena ouvir Pin Ups e ficar imaginando como eram os festivais que rolavam, que eu, na época uma inocente criança, via alguma coisa quando minha irmã e primo (mais velhos) trocavam do cartoon network para a mtv na casa do meu avô, já que eu não tinha tv a cabo.

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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Planet Hemp - Os cães ladram mas a caravana não pára (1997)

 Talvez hoje em dia possa parecer bizarro, mas quando este disco saiu ele foi fundamental para mim. Minha irmã que estava começando a se ligar em som, acabou correndo atrás e conseguiu comprar um cd deles e levar para casa. Como ainda éramos muito pirralhos ouvir este disco era algo para ser feito escondido, quando nossos pais não estavam em casa. Complicado crianças ouvirem "queimando tudo" na frente de seus pais. Havia essa empolgação toda, alguns amigos na escola também tinham irmãos mais velhos e escutavam Planet Hemp também. Era, para mim, algo como uma definição de "legal" quem ouvia ou não Planet Hemp. Hoje em dia vejo que a banda foi muito mais do que algo proibido e que falava de muito mais do que sobre maconha, tema sempre polêmico. Percebo agora que eles tratam de outros assuntos, e que o tema da maconha era apenas o que chamava mais atenção. As letras tem um conteúdo muito bom, falando desde a música até problemas da nossa sociedade (muitos ainda enfrentados, a exemplo de uma polícia corrupta ou a criminalização da maconha). Além disso o som da banda é muito bom, fazem aquele caminho comum, mas difícil, da "mistureba", manifesto antropofágico puro, caminhando entre vários ritmos do underground e de ótima qualidade. Este disco com toda certeza é um clássico e na minha opinião o melhor da banda. Sem falar que eles já estavam por dentro do esquema das gravadoras alternativas e festivais, apesar de falarmos muito hoje sobre isso devido a importante alternativa que isto tudo representa para a grandes gravadoras (inimigas mortais do download pela internet), tal esquema gravadoras laternativas/festivais, já faziam bastante barulho nos anos 1990 - DIY.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Elis Regina - Falso Brilhante (1976)

A indústria da música é algo interessante, sacana, mas interessante. Há uma coisa que me interessa, que é a capacidade dos estúdios em agruparem músicos de altíssima qualidade e como, a partir deles, conseguem montar bandas ótimas, fora da velha história dos amigos que gostam de tocar. Elis Regina talvez seja o nome mais famoso em termos de MPB. Custei um tempo para perceber que a Elis está muito mais para interprete do que "músico" mesmo. Ela não cria suas canções, mas interpreta as composições de outros autores. Verdade seja dita, fica bom, e não só isso, fica diferente. Elis Regina cantando uma música é Elis Regina cantando. Isso talvez seja uma boa para entendermos um pouco mais sobre essa questão do direito autoral.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Mutantes - Tudo foi feito pelo sol (1974)

 Definitivamente o Rock Progressivo não é a minha praia. Não que eu ache ele ruim ou outro desses clichês, realmente gosto de algumas coisas, mas é um tipo de rock que pouco me agrada, não me preenche os ouvidos. Soube que os mutantes iam tocar no psicodália, um evento que rola aqui pelas bandas de Santa Catarina e enche de rockeiros classe média (aliás, parece que o rock é quase que restrito a classes média e alta). De qualquer forma, fui sabendo que era um disco da fase progressiva deles e que só o Sérgio Dias, da formação original, estava ali ainda. Sabia também que eles já estavam velhos e que já não é a mesma coisa, que eu veria uma representação desse passado tão idolatrado. Propositalmente procurei não escutar muito este disco conhecido antes de ir para o festival, ouvi-o uma ou duas vezes antes do festival e não corri atrás de mais nenhuma banda que iria tocar. Queria a experiência de ver e ouvir uma banda pela primeira vez e ao vivo, como venho gostando de fazer ou ir em shows e festivais menores que rolam por aqui. O resultado final é que percebi no show que este disco é maravilhoso, uma coisa linda! E me admirava de não conhecer ou ter ouvido falar sobre ele antes. Parece que foi com este disco que os Mutantes consolidaram seu nome na gringa. Bem, pra eu gostar de um disco de rock progressivo, todo ele, não umas duas ou três faixas, todo ele, é algo que vale a pena ser compartilhado com o mundo.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sheik Tosado - Som de caráter urbano e de salão (1999)

Cada vez mais percebo como o manifesto antropofágico dá uma boa saída para a cultura brasileira de maneira geral. Suspeito que a produção cultural na década de 1990 já estava mais madura e procurava mais do que na década anterior, demonstrar sua face brasileira e identidade sem contudo cair em nacionalismos cegos. Na esteira iniciada pelo Clash e seguida pelo Mano Negra, a mistura do rock com os ritmos tradicionais ganhou sua legitimidade. Neste sentido o manisfesto antropofágico é uma boa saída pois não ignora o regional/local, tão particular de cada lugar (geográfico ou não), com o que vêm de outras latitudes. A língua já faz essa mistura, de pegar trejeitos locais e mesclar eles com outros, algumas vezes vindos de longe. A cultura tem disso, ela não é pura, não se quer pura, "pureza é um mito", já colocava Oiticica nesta frase de duplo sentido - seja por ser elemento fundador de muita coisa, como por ser algo impossível, brincando com este duplo sentido da palavra mito dado no cotidiano: origem ou mentira. Neste sentido Sheik Tosado a banda que tornou o China (sim aquele cara da MTV) conhecido. O som é bem particular, mistura as guitarras do rock underground (hardcore e afins) com a batucada do frevo. Sim eu sei que Chico Science e a Nação Zumbi também vão fazer isso, mas vale lembrar que as duas bandas são diferentes, assim como a cultura em cada lugar, é um rizoma afinal.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Apicultores Clandestinos - Parece, mas não é


Se têm algo importante de ser pensado é a vida das pessoas que moram em cidades de porte médio em lugar nenhum ("middle town in nowhere place", como vi num cometário do video 1979 do Smashing Pumpkins), longe das capitais, quase caipiras. Fazemos parte de uma fatia importante da população, mas o isolamento parece muito grande, e o é de fato. Mesmo assim, com um acesso muito mais difícil a cultura e uma carência de espetáculos, museus, bibliotecas - situação que piorou com o advento da televisão - sempre se produz alguma coisa nesses rincões, a música folk que o diga. Apicultores Clandestinos são de uma cidade menor ou tão insignificante (Rio do Sul, SC) quanto a onde moro (Blumenau, SC), mas isso não os impede em nada de produzir música de qualidade. Fazia tempo que ouvia falar dos rapazes que tocam vestidos de apicultores e jogam mel pra platéia, e um belo dia tive a oportunidade de ir vê-los. Já existe um certo séquito de fãs da banda na cidade, então sempre que eles vêm tocar por aqui lá estão pessoas dançando e cantando todas as músicas, o que torna a experiência muito mais divertida. Com claras influências de Man or Astroman?, os Apicultores produzem um bom rock de garagem, com surf, psicodelia e punk-rock, fazendo com que seja impossível alguém com sangue nas veias não querer dançar. Pelo que sei este é o primeiro disco deles, e os grandes destaques são: Ladrãozinho de guitarra, Não cheire cola, rock do abc e Satanás boliviano. São seguramente uma das bandas mais legais do underground catarinense. Só pra encerrar, curta a cena legal, aproveite para apreciar apresentações ao vivo de músicas próprias nestes tempos onde a arte está em forte processo de reprodutibilidade técnica, mesmo assim a aura ainda está lá, nada substitui ficar bêbado e dançar freneticamente com gente legal! Foi assim, não pelas mídias tradicionais ou internet, que conheci a música deles.

sábado, 20 de abril de 2013

Caetano Veloso - London, London (1971)


Meu tio, que nasceu e vive até hoje em Buenos Aires, me passou vários discos que ele estava ouvindo para fazermos uma troca musical, nisto este disco do Caetano estava lá. Por incrível que pareça, não conhecia/conheço nada de Caetano, mas já sabia que ele é uma espécie de majestade musical na Argentina, simplesmente o adoram e todo show dele lota. Dai que estava mais do que na hora de ouvir, por isso resolvi arriscar, e bem, gostei do risco e do resultado. Este disco é fruto do exílio de Veloso em Londres, por isso a maior parte das músicas são cantadas em inglês. Apesar de ser um inglês bem baiano gosto bastante de ouvir ele, e olha que sou chato com o inglês (Tim Maia ainda é difícil para mim). Boa parte dos temas estão ligados a questão da saudade, algo perfeitamente compreensível, já que ele estava em exílio. Não é de Caetano Veloso, mas talvez a melhor música à abordar este tema seja back in Bahia, de Gilberto Gil, que me parece, querendo ou não, sintetizar essa experiência da distância e do exílio.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Wanderléa - Maravilhosa (1972)


Está longe de ser um grande disco, entretanto isto não o diminui em nada. Não encontrei muitas informações, mas pelo que vejo este disco está repleto de interpretações não composições própris e específicas de Wanderléa. Os estilos musicais variam bastante também. Imagino que isto foi uma jogada de mercado, já que na época as pessoas precisavam comprar o disco (que era caro) para ouvirem música, assim sendo quanto mais o disco agradasse fácil, mais ele vendia. Uma outra relação com a música obrigou a uma dinâmica de composição musical diferente.
  De alguma forma estas músicas brasileiras de 1970 lembram a "casa da vovó", vai entender, mas comento isto pois imagino que de alguma forma a lembraça faça parte da experiência estética devido a sensação que ela evoca.
 Obs: recentemente percebi que os links do 4shared só funcionam para quem tem login no mesmo, então para ter acesso a estes discos é necessário uma conta no site.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Di Melo - Di Melo (1975)






 Estes discos da década de 1970 de música brasileira geram uma (sempre) perigosa nostalgia. Misturando elementos do que havia de melhor na época, este disco se constitui. A faixa de abertura Kilariô é um sucesso absoluto até hoje. Segundo parece ele foi re-descoberto nos últimos anos.


  1. Kilariô
  2. A vida em seus métodos diz calma
  3. Aceito tudo
  4. Conformópolis
  5. Má-lida
  6. Sementes
  7. Pernalonga
  8. Minha estrela
  9. Se o mundo acabasse em mel
  10. Alma gêmea
  11. João
  12. Indecisão



domingo, 24 de fevereiro de 2013

Codona - 3 (1982)


Collin Wallcot, Don Cherry, Nana Vasconcelos (CODONA). Não encontrei muita informação sobre este projeto, deduzo que seja o terceiro (3) deste grupo. de qualquer forma o som que tem aqui é uma mistura de ritmos tradicionais, dos quais poucos consigo identificar. Bem, se você escuta post-rock, porque não ouvir esses projetos destes músicos que adoram se trancar em estúdios e gostam de fazer som com as coisas mais inusitadas? Infelizmente meus conhecimentos para coisas além do "rock" são muito restritos e pouca coisa posso comentar a respeito. É um disco particular, e com uma capa muito legal!
 Uma das minhas faixas favoritas é lullaby.

  1. Goshakabuchi
  2. Hey da ba Doom
  3. Travel By Night
  4. Lullaby
  5. Trayra Boia
  6. Clicky Clacky
  7. Inner Organs

tragaBóiaMarina!

ps: discografia em torrent