A ideia do disco é ser uma trilha sonora para um documentário sobre as missões apollo. O disco é numa linha de ambiente fácil de ser ouvido, pois as músicas são curtas e mais atmosféricas do que temos no disco de música de aeroporto do Brian Eno. Ando escutando bastante música ambiente, e em especial Brian Eno. O Disco apollo é sempre bem quisto no caso de dúvidas e na busca de algo mais fácil e prático de ouvir. O uso de guitarras tem alguma presença aqui, algo que também encontramos nas participações com Robert Fripp, mas soam diferentes.
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terça-feira, 25 de outubro de 2016
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
The Horrors - Luminous (2014)
The Horrors é uma banda da qual meus amigos sempre falavam, e da qual eu exercia muito da minha resistência para bandas atuais. Porém, eles foram me cativando no momento certo, junto com um bom sistema de som, questão pela qual eu prezo cada vez mais. Sua sonoridade flerta com uma série de coisas que eu adoro, muitos efeitos, ambiência, experimentação e uma música nem tão longa (apesar de se estenderem mais neste disco do que em relação ao começo de carreira). Definitivamente eles começaram como uma promissora banda de garagem, e conseguiram galgar um lugar na produção de música de qualidade. Suas músicas soam grandiosas, em largas medidas devido ao seu uso e abuso de teclados e efeitos. Luminous já é a pegada mais madura da coisa toda, seu som é mais grandioso, mais refinado do que nos discos anteriores, vai ver por isso demorei um pouco mais para pegar este disco. Minha teoria de que quanto mais tempo você demorar pra curtir um disco, mais tempo você curte ele na sua vida, algumas vezes acerta.
BahiaPirata!
quinta-feira, 23 de abril de 2015
David Bowie - Low (1977)
Todo mundo escuta David Bowie, mas o que se ouve é sua fase mais glam, roqueira e andrógina (se é que em algum momento ele deixou de ser). Porém, creio que uma de suas produções mais originais e importantes para a música ficam a cargo da trilogia Berlim. Low é o primeiro disco desta trilogia (Heroes o segundo e Lodger o terceiro). A referência a cidade de Berlim é pelo fato de Bowie andar realizando andanças constantes pela cidade e ter gravado algumas faixas destes três discos nos estúdios Hansa em Berlim ocidental, sendo assim nenhum disco foi inteiramente gravado na Alemanha, muito menos em Berlim, apenas faixas esparsas. Mas a música não se restringe a geografia, a associação de Bowie neste período com Brian Eno e a admiração de ambos pelo Krautrock e afins é o elemento marcante destes três discos. O experimentalismo e a música ambiente estão ali, Warszawa está ali, e é graças a essa faixa que uma banda vai escolher o nome de Warsaw para mais tarde ser chamada de Joy Division. É um disco conceitual, mas que ao mesmo tempo faz questão de ser ouvido e por isso o elemento pop está ali. Creio que o grande feito de Low é abrir espaço e possibilidade de tornar audível ao grande público o que havia de mais experimental até então, fazendo uma ponte e dando forma a algo ainda restrito a alguns círculos. Também temos os efeitos, largamente usados e atualmente algo tão comum nas músicas, mas com certo ar de novidade na época.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Adrian Belew - Lone Rhino (1982)
Descobri Adrian Belew assistindo a versão ao vivo do David Bowie de Station to station com ele fazendo os barulhos que são sua marca registrada. Provavelmente graças ao punk rock, nunca fiquei de queixo muito caído para "super-guitarristas", apesar de gostar e valorizar (mesmo achando um saco) uma lista considerável. Minha implicância com músicos muito "virtuosos" é que não cessam de cuspir sua genialidade aos quatro ventos, e isso pode encher o saco, afinal rock'n'roll é para ouvir e dançar. Talvez Adrian Belew seja maravilhoso graças a sua influência mais citada: o rinoceronte! Na sua busca por um som novo e diferente, Belew é famoso por reproduzir com sua guitarra sons semelhantes ao grito de animais, sendo o rinoceronte o mais recorrente. De fato ele conseguiu criar um sonoridade completamente nova para a guitarra. Não por acaso é um músico de peso, além de Bowie também temos Frank Zappa, Talking Heads, Nine Ich Nails e King Crimson como as bandas nas quais já tocou. Seu trabalho solo é mais marcado pelo experimentalismo, e pode não ser tão surpreendente quando os nomes associados a ele já citados acima, mas de fato ele está longe de ser um nome ignorado, sua música e técnica são originais. Destaque para a faixa Lone Rhino.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Colin Potter - A Gain (1982)
Colin Potter é um sujeito lendário. É uma dessas figuras que você nunca ouviu falar, e dificilmente ouvirá de novo, mas ele é uma espécie de lenda dentro do universo underground de fitas k7 caseiras de música eletrônica industrial. Seu domínio sobre o som é incrível, não por acaso ele é também um engenheiro de som. Esta fita em particular conseguiu me desconcertar de uma maneira única como fazia algum tempo não me desconcertava (o que ultimamente só vem ocorrendo quando escuto coisas puxadas para o eletrônico). Já conhecia outro trabalho seu, o Here, mas ele não gerou aquela pegada. Sua música não é algo que tocaria numa festa, não numa festa comum pelo menos. É um tipo de música para ouvir sozinho e de preferência de dia (acredito muito em clima pra música). Este é um trabalho fundamental para mim, uma referência, além do desenho da capa que achei apaixonante, esses contornos de desenhos técnicos, esse modernismo tão bem mostrado pelo Joy Division. Sem falar que é o trocadalho do carilho o nome do albúm.
sábado, 30 de agosto de 2014
(V.A.) - NME C86 (1986)
Em 1986 a famosa revista NME resolveu selecionar o que havia de melhor rolando em fitas k-7 da cena independente inglesa, organizando assim uma coletânea e lançada em cassete mesmo. Esta coletânea acabou se tornando um marco, pois é tratada como um prenúncio do que viria a ganhar holofotes mais tarde. Quando relançaram em 2006 uma edição especial, a coletânea foi subtitulada como "the birth of indie rock", o que estou longe de discordar. A qualidade das gravações é aquela única e especial das fitas k7. O engraçado é ouvir algumas bandas que depois ficam famosas e bem produzidas em sua versão quase "demo". C86 é uma coleção interessante para entender melhor a cena underground britânica dos anos 1980. Seu som ainda mantém a simplicidade do fresco punk rock, mas já bem encaminhados para experimentações, psicodelias e melodia.
sábado, 2 de agosto de 2014
Pink Floyd - Obscured by Clouds (1972)
Não é preciso dizer nada sobre o Pink Floyd, todo mundo sabe quem eles são e a importância deles para a música pop. O problema sério do Pink Floyd é que sua música está num patamar tão único de beleza e arte, que somado a suas músicas de dez minutos, acaba criando um problema sério para ouvir Pink Floyd no dia-a-dia, seja pelo caráter intimista da música, ou do tempo gigante da canção, tornando as chances do aparecimento de um incomodo antes do fim da canção algo gigante. Neste sentido o disco Obscured by Clouds é um achado, pois suas canções são mais curtas, sendo a mais longa com 5:52 minutos, e ainda assim é Pink Floyd. No mínimo curioso como este disco acabou ficando de fora de muitas listas de discos desses ingleses doidões. Acredito que o dark side of the moon que veio depois, acabou ofuscando este discoi
O disco é resultado de uma trilha sonora encomendada para o filme La Vallée.
domingo, 1 de junho de 2014
Human League - Dare (1981)
Poderia ser uma banda de um hit só, mas não é. Human League tem uma história curiosa, começaram como uma banda praticamente experimental, porém neste terceiro disco eles decidem abordar uma sonoridade mais pop. Apesar de tudo que a música pop representa, ninguém tira o mérito de que a sonoridade pop é a mais fácil de ser ouvida! Letrinhas bestas e uma música legal. Como o Human League já tinha uma vida interessante e louvável antes, o resultado em Dare foi incrível. Na época o disco acabou sendo um sucesso, dando um belo ponta pé ao uso de elementos eletrônicos numa banda, e trazendo isto para o cenário da música pop. A faixa mais famosa e que você provavelmente já conhece é don't you want me, mas existem outras boas canções como the things that dreams are made of e seconds, são de longe as três melhores canções. O disco vale a pena ser ouvido, open your heart e do or die são bem oitentosas e devem ter atingido alguma pontuação legal nas rádios. Disco fácil de ouvir, especialmente para quem gosta da sonoridade mais ligada ao pós-punk e new wave dos anos 1980.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Wire - Object 47 (2008)
Certamente Wire é uma banda histórica devido a clássica trilogia Pink flag, Chairs Missing, 154, onde a banda consegue se reinventar e criar novas sonoridades em um curto espaço de tempo, pra quem não sabe os discos são de 1977, 1978, 1979! É estranho que a banda não tenha vingado muito, seu som não é tão contagiante quanto o do Sex Pistols, ou não pega tão fundo quanto Joy Division, bandas que estavam na ativa quando esta banda surge. Ainda assim, Wire é uma banda que vale a pena sentar e escutar, nunca se negaram e se reinventar e assim seguiram. O que pouco gente sabe é que a banda praticamente nunca parou, diminuiu suas atividades, mas sempre continuou produzindo, e o melhor, além de sua fase clássica ainda assim lançaram material muito bom. Quando me dei conta de que sua discografia seguia até os dias atuais tive que buscar algo mais recente da banda e acompanhar o que estava rolando, diferente do que ocorreu na minha busca pelo stranglers, a decepção não veio, eles não ficaram bregas ou com uma pegada menos marcante, pelo contrário mais uma vez eles conseguem se reinventar, compor uma nova sonoridade, pegar o que há de mais além na sua área e seguir em frente. Quando observamos bandas por um longo período de tempo, acabamos nos dando conta de como isso é importante, ainda mais quando nos deparamos com um disco como esse, que não fica devendo em nada para o peso que Wire acaba tendo.
domingo, 27 de abril de 2014
Cure - Seventeen Seconds (1980)
A fase obscura do Cure é simplesmente o que eles fizeram de melhor e mais original. Seventeen Seconds é o segundo disco da banda e já lançam um clássico. Considero a sonoridade bem diferente do disco anterior o Three imaginary boys, a estrutura minimalista das músicas, o uso constante do flanger, dão ao som uma ambiência e corpo únicos. Na época os membros da banda sabiam que faziam um som novo, não por acaso na época eram chamados de "o novo Joy Division". Confesso que o disco me pegou durante uma madrugada. A música é uma experiência estética e por isso as sensações são importantes para sentir melhor a sonoridade. Não há muito o que falar de algo que já é bem consagrado.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Pulp - It (1983)
Pulp é uma banda clássica, mas ao mesmo tempo misteriosa. Possui uma rotatividade grande de músicos e de estilos, apesar de manter uma mesma linha "indie" sempre. Confesso que conheço bem pouco sobre a banda, e para dizer a verdade o único álbum que conheço a fundo é o It, disco de estréia da banda. A sonoridade do disco é bem particular, por mais que não seja um disco de música "folk", o uso constante do violão ao longo do disco acaba remetendo a este estilo. É uma música bem na linha: tomando café e lendo livros num domingo chuvoso. Temos canções como in many ways ou love, love, que são uma fofura e dão vontade de sair pulando por ai em campos floridos. Essa capa minimalista é uma beleza. Disco para momentos de paz e calma.
segunda-feira, 17 de março de 2014
The Palatine Factory Story (1978-1990)
Muito provavelmente você deve ter uma camiseta do Joy Division, deve ouvir seus discos e balançar o esqueleto enquanto ouve blue monday do New Order. Deve adorar a mistura de rock com eletrônico, do eletrônico em si e de sons experimentais. De certa forma todo mundo sabe o que foi o punk rock pelo mundo, ele deu a possibilidade de qualquer pessoa fazer uma banda e seu som. Querendo ou não isso foi super importante e praticamente tudo de original que temos depois do final dos anos 1970 deve alguma coisa ao punk rock.
A cena de Manchester deve em muito. Mas precisamos sempre entender o que foi essa cena, pois muitas vezes pode parecer difícil sacarmos a importância da coisa toda. Parece que a maior parcela da população mora em cidades médias ou algo parecido (não conheço bem as estatisticas), e de uma forma ou de outra sempre parecem haver centros que emanam as tendências e se mostram os únicos privilegiados com as inovações e novidades. Apesar da decadência Novaiorquina de finais de 1970, ainda estamos falando de Nova Iorque - e Londres. Cidades consagradas como importantes centros cosmopolitas, enquanto nós, os caipiras, morremos de tédio
Até certo ponto haviam condições propícias na cidade de Manchester, não era algo minúsculo, afinal foi ali que a revolução industrial começou, o que lhe garantia uma urbanidade. Ao mesmo tempo não podemos esquecer de toda a decadência pela qual a região passava devido a mudança macro econômica inglesa, que pretendia diminuir a produção e aumentar a prestação de serviços (não por acaso são hoje muito mais um centro financeiro do que produtor, o que lhes ocasiona problemas algumas vezes). Mas quem ouvia falar de Manchester naquela época? Ninguém, era apenas mais uma cidade esquecida. Tony Wilson talvez seja a resposta que desejamos. Rapaz estudado numa boa universidade, arranja emprego numa rede televisiva do interior. A partir de seu emprego ele percebe a oportunidade que se mostrava e começa a produzir estas bandas, não demorando muito funda a Factory, uma gravadora tão importante quanto a Sub pop, e por meio dessa gravadora lançavam muita coisa boa além de Joy Division e New Order.
Parece que o pessoal de Manchester sempre estava ligado no que estava rolando de bom na época. Antenados com o que havia de melhor podemos ouvir músicas lindas como sketch for summer do Durutti Column, Hymn from a village da banda James até as eletrônicas Cool as ice 52nd steet e Yashar da consagrada Cabaret Voltaire. Isso tudo somado as faixas obrigatórias de Joy Division, New Order e Happy Mondays. Se você quer agitar uma festa pós-punk ou quer ouvir aquele sonzinho anos 80 alternativo, essa é a coletânea. O bom é que diferente de muitas coletâneas, muito som você dificilmente encontrará em outro lugar.
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terça-feira, 4 de março de 2014
Cleaners from Venus - In The Golden Autumn (1983)
Durante os anos 80 havia uma cultura das fitas k7 muito forte. Afinal, sem a internet era preciso dar algum jeito de conseguir suas músicas de uma forma mais barata. É também nos anos 1980 que o DIY do Punk está bem aceito entre os músicos e a busca por meios independentes de divulgação e gravação ganha notoriedade. Cleaners from Venus é uma espécie de banda "master" desta cultura do cassete (cassete culture, em inglês). Basicamente seu trabalho era lançado por meio do k7 e como podemos perceber pela capa, faziam um trabalho bem manual. O Som é bem particular, segue bem na linha dos anos 1980 mesmo, porém sua não tão boa qualidade de gravação acabam dando uma sonoridade lo-fi especial. Há uma mescla de elementos tradicionais do rock, como violão e guitarra, mas sintetizadores e baterias eletrônicas estão presentes. Recomendo ouvir Cleaners from Venus em dias de chuva. Vale a pena dar uma olhada nessa coisa do casste, parece que está voltando e que durante os anos 80 e princípios de 90 foi uma cultura muito forte, lançando muita coisa boa. Reza a lenda foi por meio das fitas que o indie rock se fez.
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segunda-feira, 3 de março de 2014
Joe Strummer & the Mescaleros - Streetcore (2003)
Até onde sei, quando Joe Strummer lançou esta série de discos fazia muito tempo que ele andava sumido, ninguém mais parecia saber de seu paradeiro. Quando de súbito ele aparece com esta série de albúns de canções inéditas, quando sem que ninguém esperasse ele morre. Este disco em especial é lançado postumamente, porém da série lançada por ele e os Mescaleros na virada de 1999-2000, este é o disco com o qual eu mais estou familiarizado. Temos boas músicas, mas o problema é que em relação ao que foi produzido durante os tempos do Clash, podemos nos decepcionar um pouco. Mas vale lembrar que a sonoridade aqui é diferente, Strummer buscava um novo caminho. De maneira geral temos uma fusão entre o rock e o reggae mais madura e sólida, já bem marcada e regrada. Joe Strummer abusa dessas fusões e praticamente não usa a sonoridade punk, pela qual ficou famoso. Ele está ligado a estes elementos fusion e a aquilo que foi chamado de pub rock, que ele já havia feito com os 101ers. Não é um disco de todo forte, óbvio que não é ruim também, mas sem dúvidas este albúm não teria tanta expressão caso fosse lançado por outra pessoa. Ainda assim vale a pena, só não espere por punk rock, é a última coisa que você vai encontrar.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
David Bowie - Heroes (1977)
David Bowie é uma dessas personalidades únicas da música pop. Além de ser um divo, ainda mais nessa capa quando ele era bem 9inho (admito), a música não seria a mesma coisa sem ele. No caso o disco "Heroes" é um ponto chave para ele. Muitas vezes não nos damos conta da importância da Alemanha para entender o século XX, muita coisa importante rolou por lá, e afinal de contas foi o país dividido pela guerra fria (o que marcou o século passado). Foi no meio disso tudo que o Brian Eno e o Bowie resolvem dividir o aluguel de um apê em Berlim ocidental pois estavam bem impressionados com a cena musical de lá. Já estavam testando algo bem interessante em Low e o maravilhoso Idiot do Iggy Pop, Heroes foi o resultado mais amadurecido e acessível desta experiência toda. Marcados pela música ambiente, podemos perceber que faixas como Heroes ou Sons of the silent age, conseguem nos envolver profundamente. O incrível é que o disco é ótimo, desde o a primeira faixa até a última ele continua soando atualíssimo, e acho que todo o trabalho de Bowie ficou marcado por esta fase Berlim em especial este disco, vide a capa do albúm the Next day que é uma releitura da capa de Heroes. Apesar de trilogia "Berlim" de Bowie, este foi seu único disco inteiramente gravado na Alemanha, o estúdio utilizado por sinal foi Hansa Studio by the Wall, onde segundo contam os relatos da época, dava para ver os guardas vermelhos observando dentro do estúdio com binóculos. A ligação com a Alemanha foi tão forte neste disco que existe na edição alemã uma versão Heroes/Helden, onde a faixa título é cantada em alemão também. Meu contado com este disco foi através do filme de Christiane F., que pirava muito no camaleão do rock, e assistindo a película dá pra sacar a atmosfera que ele pretendia criar com este disco. Apesar de conhecer este disco já fazia algum tempo ele nunca chegou "a bater" pois o escutava em fones de ouvido, e te digo, ele foi feito para ouvir bem alto num bom aparelho de som, então corre lá e vai fazer isso de preferência a noite. Recomendo ouvir Harmonia antes.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Roxy Music - Country Life (1974)
"Você não conhece Roxy Music?", perguntei eu para uma amiga, e de imediato passei este disco para ela. Apesar da pergunta soberba eu não sou um profundo conhecedor da banda, sei de algo em relação a todo o trabalho produzido, especialmente no que se refere aos trabalhos solo de Brian Eno e Bryan Ferry. O nome da banda está no clube dos nomes impactantes como: Velvet Underground, Joy Division, Kraftwerk e Television. Mais do que um nome bonitinho Roxy Music é tão importante quanto as outras bandas citadas. Apesar de ser usualmente catalogada como uma banda de Glam Rock, eles não podem se resumir a isto apenas. O que teremos com Roxy Music para a música de maneira geral, é algo como uma versão mais pop do que foi o Kraut Rock, ou uma versão menos experimental do Kraut Rock. Se você ainda ficar em dúvida, espero que esta capa linda te ajude a convencer (como já disse antes, me atraio aos discos pela capa). Podemos perceber aqui linhas de guitarra únicas, um baixo bem marcado (o que pouca gente sabe, faz toda a diferença) e os toques únicos de Bryan Ferry.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Música Indiana
Para além de todo o misticismo em torno da Índia, o que há de mais
tátil lá é a sua pluralidade. Talvez a Índia seja, junto com o
Brasil, um dos únicos países no mundo com tanta diversidade
cultural. As questões religiosas refletem isso, há tantas religiões
na Índia quanto ritmos musicais. O instrumento mais famoso é de
longe a Sitar. Seu som peculiar é largamente associado a psicodelia.
Dentre os músicos que tocam Sitar, Ravi Shankar é uma espécie de
Jimi Hendrix do instrumento.
Por acaso é o disco the sounds of India
de Ravi Shankar que está no livro 1001 discos para ouvir
antes de morrer – onde
clássicos e mais clássicos da música pop aparecem. O disco não
foi escolhido por acaso, é nele que temos a faixa an
introduction to indian music,
onde ele explica coisas básicas como o tempo da música indiana. A
ideia é ótima para nós ocidentais irmos conhecendo a música
oriental e entendermos ela. Apresentando em separado cada parte, elas
ficam mais claras quando executadas junto. Igual aquela cena do
Moonrise Kingdom.
A música europeia é a que criou as partituras, onde as notas estão
indicadas e o tempo da música está ali também (colcheias, semi
colcheias, etc). Este tipo de notação musical surge com um tipo de
música, a europeia.
Porém tem algo que pode estranhar a nossos ouvidos acostumados com a
voz humana, não há vocais na música de Ravi Shankar. E se existe
algo bonito são as variações feitas pelas Surdas. Elas são
cantoras de hinos sagrados, geralmente em devoção a Krishna. Como
muitas delas são cegas, se crê que a cegueira lhes facilitaria a
habilidade para o canto, sendo sua voz um dom divino. As letras são
em forma de poesia, hinos devocionais. Você com certeza já ouviu
algum canto devocional das surdas, nem que seja como trilha de fundo
de algum filme ambientado na Índia. Por acaso um belo dia encontrei
o disco Surdas Bhajans hindi devotional de Sangitha Kalanidhi
M. S. Subbulakshmi. Mesmo sem conseguir pronunciar seu nome, me
apaixonei por sua música rapidinho. A presença de vocais se mistura
com outros instrumentos da música indiana que geram um som tal que
te leva para longe.
![]() |
| George Harrison e Ravi Shankar |
Mesmo começando com o clássico Ravi Shankar, muita gente (inclusive
eu) parou para ouvir alguma música indiana com os Beatles,
mais especificamente George Harrison e o disco Revolver.
George Harrison é apontado como um dos precursores na mistura da
música indiana clássica com o rock, chegando até mesmo a tomar
aulas de sitar com Ravi Shankar e ficando um bom tempo na Índia para
se aperfeiçoar. Seu trabalho é notório, mas segundo declarações
suas ao justificar seu “abandono” da Sitar coloca: “jamais
chegaria a ser um bom tocador de sitar e isso não melhorou em nada
minha guitarra”.
Acredito que a mistura da música indiana com o rock tenha seu
exemplo mais bem sucedido com Ananda Shankar, parente de Ravi
Shankar. Ananda foi encontrado por Jimi Hendrix em Nova York que logo
o convidou para produzirem alguma música juntos. Parece que Jimi
Hendrix buscava um som novo e amou a Sitar de Ananda. Até chegaram a
ir para o estúdio, mas tudo o que Hendrix e Shankar conseguiram foi
brigar. Depois disso Ananda Shankar decidiu gravar seu próprio
disco. O resultado foi o homônimo Ananda Shankar em 1970.
Depois da era hippie a cultura indiana parece que conseguiu
furar um pouco essa cultura ocidental moderna tão dura e rígida. O
objetivo da contracultura é justamente este, criar algo novo em
negação a sociedade que existia, uma alternativa para esse mundo
cão.
Recentemente tomei contato com o som ácido indiano dos anos 1960.
Como em todo lugar, eles produziam sua própria versão daquele som
maravilhoso dos incríveis anos sessenta. Gosto bastante desta
psicodelia de garagem, muito mais do que todo o refinamento e
perfeição de bandas como Yes ou Pink Floyd. A sujeira
faz com que as coisas sejam menos estéreis.
Se você já assistiu Ghost World, com toda certeza gostou da
entrada quando toca Jaan Pehechaan ho, a música mais
explosiva para balançar braços e cabeça na sua vida! Partindo dai,
podemos perceber que não só de música clássica vive a Índia.
Apesar de toda yoga e ayurveda, eles possuem seu lado
ocidental. Podemos escutar a Simla Beat, coletânea do
festival organizado pela marca de cigarros Simla, que gravou em duas
edições as músicas dos participantes vencedores (o concurso ocorria em várias regiões da Índia). Não espere por Sitars ou
algo indiano, temos um esforço descarado em imitar as bandas
americanas e inglesas. Curioso afinal, já que o que torna a Índia tão famosa,
e não só na música, é essa sua particularidade em relação ao
mundo ocidental (europeu). Simla Beat não passa de uma boa
coletânea de música rock psicodélica de garagem indiana dos anos
1960, som fácil e gostoso de ouvir. Mas o encontro entre a Índia e
a cultura ocidental não para por ai.
![]() |
| Om, provavelmente o mantra mais famoso. |
O que pouca gente sabe é que a província indiana de Goa, que foi
até o ano de 1962 colônia portuguesa, vai se transformar num reduto
dos Hippies. Isso fará com que mais tarde Goa se transforme
num templo das raves, e parece continuar sendo. O curioso
é que um dos primeiros discos para as raves é produzido na
Índia! Charanjit Singh lança seu Ten ragas to a disco beat,
e temos a rave lançada para o mundo. O nome já anuncia o
caráter meditativo da música (lembra do raga citado acima?). Nada
mais que os primórdios do eletrônico. Pode nos parecer até mesmo
demasiado repetitivo, mas imagine este som em 1982! Loucura pura!
Ocorre que a Índia tem um caldeirão de sons tão grande quanto sua
variedade religiosa, e por isso independente de ser tocado por um
instrumento sagrado como a Sitar, a ideia do contato com o seu ser
está sempre ali, e isto talvez seja o mais importante da música
indiana para nós ocidentais, motivados por máquinas, fumaça e o
tempo marcado do relógio.
Ps: para mais informações sobre os discos e download, clique nos links ;)
Ps: para mais informações sobre os discos e download, clique nos links ;)
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Beatles - Revolver (1966)
Sem sombra de dúvidas se não fosse pelos Beatles a música hoje em
dia não seria a mesma coisa. Devo admitir que eles são de longe a minha
boy band favorita. Confesso que demorei anos para
gostar de fato deles, mas os caras são realmente bons no que fazem.
Mas tudo isto você sabe não é mesmo? O que temos de especial aqui
neste disco é que os Beatles estão flertando com a psicodelia e não
podemos esquecer eles são uma banda de música pop na época
em que Revolver é lançado. Desta forma eles acabam trazendo
mais do que a sitar para o grande público, estão misturando LSD com
música indiana e mostrando isso para o grande público. Pode parecer
estranho, mas o que eles estão fazendo é se esforçando por deixar o
mundo menos coxinha (inclusive eles). Esta psicodelia não está tão
clara quanto ficará mais tarde com Sgt Pepper, mas já temos
uma amostra mais clara do que no disco anterior Rubber Soul. As faixas Love you To e a matadora Tomorrow
Never Knows, usam da sitar e são as mais lisérgicas do disco
apesar de todo o mérito de canções como Yellow Submarine,
Taxman, Eleonor Rigby e outras tantas que acredito você já
conhece.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Spacemen 3 - Sound of Confusion (1986)
Spacemen 3 não me parece uma banda muito conhecida no Brasil. Entatanto não é nenhum achado do baú. Como foi postado o som da banda Pin Ups, lembrei que o som do Spacemen 3 inaugura muita coisa que se pode escutar principalmente no Time will burn. A banda inglesa me parece definir bem o som do que seria este ressurgimento da psicodelia após o pós-punk - My Bloody valentine, Happy Mondays, Jesus & Marychain talvez sejam as bandas mais cotadas deste movimento. Apesar do caráter psicodélico, não espere aquele som já previsível (e lindo) da parte mais famosa de Pink Floyd que esta muito mais para o progressivo do que para psicodelia. A parte psicodélica que me interessa é a da piração de bandas como 13th Floor Elevators, os primeiros discos do Pink Floyd (que acho mais pirados, e mais "difíceis"), os primeiros discos dos Mutantes, Erkin Koray e o uso de fuzz. Chamo de psicodelia de garagem (por ser uma psicodelia que dá para dançar). A banda causou certo alvoroço quando defendeu o uso recreativo de drogas. O mais incrível é que dá para sentir um cadinho de Stooges ali. Aproveite!
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Happy Mondays - Bummed (1988)
Esta capa é bonitona, gosto muito dela. Happy Mondays não foi uma paixão de cara, têm muito preconceito com eles pelo fato de terem sido os caras que afundaram a Factory. Além disso seu som não é tão triste quanto Joy Division ou New Order, o que pode decepcionar um pouco no começo. Percebo no som deles uma mistura forte, a guitarra frenética, o baixo ritmado no funk, bateria epilética e teclados psicodélicos. O vocal não acho grandes coisas, mas não é nenhum fim de mundo também.
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