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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Letrux - Em noite de climão (2017)

Letícia Novaes é a grande figura em Letrux, seu projeto solo-coletivo. Sua música é impressionante. Consegue aliar o tom de MPB através de suas letras maravilhosas, construindo verdadeiras paisagens sonoras (e meu Deus como fazia tempo que não ouvia letras tão boas!). Amparada por uma banda ótima, as guitarras sem exageros casam bem com a bateria rítmica*, o baixo marcante e o sintetizador que domina o ambiente. Sua introdução e sua fala no meio, são agradáveis de se ouvir. É um disco que me pegou de surpresa e é daqueles que a gente só vai gostando mais conforme o tempo passa. Faz algum tempo me distancio da música enquadrada no termo geralzão do "rock", por ter ouvido isto a vida inteira e já não me encantar com qualquer coisa. Letrux, entretanto, rendeu e ainda tá rendendo.

&


*e não é o que se espera de uma bateria?

sábado, 1 de julho de 2017

Pascal Roge - Erik Satie - 3 Gymnopédies & Other Piano Works (1984)

Erik Satie é interpretado por Pascal Roge neste disco de 1984. Sujeito excêntrico, Satie tranquilamente se encaixa no perfil das vanguardas de começo do Século XX. É dele, e não de Brian Eno, a paternidade da música ambiente. Contam que Erik Satie executava suas peças de música ambiente na expectativa de que as pessoas continuassem suas conversas e atividades, pois o ruído que elas produziam fazia parte da composição. Entretanto, seguindo a etiqueta, as pessoas se punham em silêncio contemplativo, o que só deixava Satie irritado e decepcionado. As músicas aqui presentes são na linha do que Satie fez sua fama, o minimalismo e o ambiente em relaxantes passeios pelo piano. Seu manejo do instrumento é o que dá conta de tomar o espaço vazio entre as mobílias.

zppshr.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Alice Coltrane - Journey to Satchidananda (1970)

Se você gostou do Ptah, the el Daoud, este disco lançado na sequência vai agradar. Na mesma linha, porém mais acessível, mais fácil de ser escutado, menos experimental. A banda aqui está um pouco mais complexa, mas a simplicidade e ritmo em torno do baixo e a bateria continua marcante. O uso de instrumentos indianos também é perceptível, e os solos em sax tenor de Pharoah Sanders também estão aqui. Música incrível, que fez eu me perguntar como ignorei Alice Coltrane tanto tempo, como nunca ouvi falar dela?

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Brian Eno with Daniel Lanois & Roger Eno - Apollo: Atmospheres and Soundtracks (1983)

A ideia do disco é ser uma trilha sonora para um documentário sobre as missões apollo. O disco é numa linha de ambiente fácil de ser ouvido, pois as músicas são curtas e mais atmosféricas do que temos no disco de música de aeroporto do Brian Eno. Ando escutando bastante música ambiente, e em especial Brian Eno. O Disco apollo é sempre bem quisto no caso de dúvidas e na busca de algo mais fácil e prático de ouvir. O uso de guitarras tem alguma presença aqui, algo que também encontramos nas participações com Robert Fripp, mas soam diferentes.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Alice Coltrane - The Ptah, El Daoud (1970)

Não saber até pouco tempo atrás quem foi Alice Coltrane, me envergonha. Como é de se imaginar, ela foi esposa de John Coltrane. Mas o que me surpreendeu não é esta associação - esse costume de reduzir mulheres à com quem são casadas. O que surpreendeu é sua música. Construída entre o jazz e ritmos tradicionais (em especial indianos, até pela sua conversão ao hinduismo em 1970), sua sonoridade é algo único. A potência da música é para tomar conta do ambiente. Sua oscilação entre o piano e a harpa, que pensei em princípio seria algo estranho, compõe execuções bem particulares. Tudo isto é produzido por um quarteto, que por vezes oscilam seus instrumentos, tal qual Alice Coltrane faz em Blue Nile, onde te leva para descer o Nilo, ora tocando piano, ora harpa. A faixa Turiya & Ramakrishna é o grande destaque. Em resumo uma música entorpecedora.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Vangelis - Blade Runner (1994)


Talvez seja complicado dizer algo sobre Blade Runner que não seja simples - e merecida - babação de ovo. Em princípio, anos atrás quando ainda frequentava lojas de disco (e estas também existiam), havia visto a trilha sonora de Blade Runner para vender, e me perguntei quem ouviria esta música sem o filme? A música ambiente ainda era algo distante para mim. Verdade que não é uma dessas músicas "mais fáceis" de ouvir, somos de fato muito acostumados com o pop e sua linguagem (não é questão de facilidade ou acessibilidade, linguagem é algo mais ligado a prática). Fazer a trilha sonora de Blade Runner não deve ter sido tarefa fácil, pois se tratando do futuro não cairia bem usar músicas do passado (no caso, nosso presente e tempos anteriores). Neste sentido trouxeram Vangelis e seus sintetizadores formando uma orquestra. Apesar do filme ser de 1982, o lançamento da trilha só ocorreu em 1994, e desde então aparecem várias versões, desde músicas feitas que não são utilizadas no filme, até músicas posteriores mas inspiradas no filme.

BahiaPirata!