Colin Potter é um sujeito lendário. É uma dessas figuras que você nunca ouviu falar, e dificilmente ouvirá de novo, mas ele é uma espécie de lenda dentro do universo underground de fitas k7 caseiras de música eletrônica industrial. Seu domínio sobre o som é incrível, não por acaso ele é também um engenheiro de som. Esta fita em particular conseguiu me desconcertar de uma maneira única como fazia algum tempo não me desconcertava (o que ultimamente só vem ocorrendo quando escuto coisas puxadas para o eletrônico). Já conhecia outro trabalho seu, o Here, mas ele não gerou aquela pegada. Sua música não é algo que tocaria numa festa, não numa festa comum pelo menos. É um tipo de música para ouvir sozinho e de preferência de dia (acredito muito em clima pra música). Este é um trabalho fundamental para mim, uma referência, além do desenho da capa que achei apaixonante, esses contornos de desenhos técnicos, esse modernismo tão bem mostrado pelo Joy Division. Sem falar que é o trocadalho do carilho o nome do albúm.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2014
terça-feira, 4 de março de 2014
Cleaners from Venus - In The Golden Autumn (1983)
Durante os anos 80 havia uma cultura das fitas k7 muito forte. Afinal, sem a internet era preciso dar algum jeito de conseguir suas músicas de uma forma mais barata. É também nos anos 1980 que o DIY do Punk está bem aceito entre os músicos e a busca por meios independentes de divulgação e gravação ganha notoriedade. Cleaners from Venus é uma espécie de banda "master" desta cultura do cassete (cassete culture, em inglês). Basicamente seu trabalho era lançado por meio do k7 e como podemos perceber pela capa, faziam um trabalho bem manual. O Som é bem particular, segue bem na linha dos anos 1980 mesmo, porém sua não tão boa qualidade de gravação acabam dando uma sonoridade lo-fi especial. Há uma mescla de elementos tradicionais do rock, como violão e guitarra, mas sintetizadores e baterias eletrônicas estão presentes. Recomendo ouvir Cleaners from Venus em dias de chuva. Vale a pena dar uma olhada nessa coisa do casste, parece que está voltando e que durante os anos 80 e princípios de 90 foi uma cultura muito forte, lançando muita coisa boa. Reza a lenda foi por meio das fitas que o indie rock se fez.
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domingo, 23 de fevereiro de 2014
Rakta - S/T (2013)
Muita gente vai querer me atirar pedras ao afirmar que o rock nacional é muito mal representado, não temos grandes bandas, o que temos são bandas que continuam até hoje porque em algum momento lançaram um ou dois discos bons e por causa disso estão ai até hoje. De maneira geral temos músicas fracas, seja pela composição pouco original ou pelas letras capengas. Essas afirmações acima podem dar a entender que um "rock brasileiro" ou uma "cena" rock nacional seja impossível e suas tentativas sejam ridículas, ledo engano. Há muita banda boa, que vai te divertir muito durante o show e que têm músicas boas o suficiente para escutar em casa mais tarde, entretanto estas bandas estão nesta coisa chamada underground e/ou circuito alternativo. O apoio vêm dos fãs que assistem os shows, e só. Rakta é uma dessas bandas. Nunca havia assistido uma banda formada apenas por garotas, o que é muito raro e necessário - afinal, punk rock não é só pro seu namorado. Fui assistir o show das garotas sem conhecer uma música se quer (como venho adquirindo o hábito de fazer), e foi um show que eu não esperava, de tão positivo que acabou sendo. Apesar de não apresentarem nenhum mega virtuosismo no manuseio dos instrumentos, todas elas sabem o que fazer e fazem o necessário. Entretanto elas poderiam cair na velha cartilha punk rock, e criarem uma sonoridade repetitiva, que apesar de serem composições próprias, você já conheceria. Elas trazem um som original que me pareceu uma mistura do punk, pós-punk e uma pegada industrial. Não sei se era pelo espaço pequeno onde elas tocaram, mas conforme a banda desenvolvia seu som acabavam criando toda uma atmosfera sonora que te envolvia e pedia para que se entregasse cada vez mais. Além de tudo a banda fez esta capa lindona.
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