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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Letrux - Em noite de climão (2017)

Letícia Novaes é a grande figura em Letrux, seu projeto solo-coletivo. Sua música é impressionante. Consegue aliar o tom de MPB através de suas letras maravilhosas, construindo verdadeiras paisagens sonoras (e meu Deus como fazia tempo que não ouvia letras tão boas!). Amparada por uma banda ótima, as guitarras sem exageros casam bem com a bateria rítmica*, o baixo marcante e o sintetizador que domina o ambiente. Sua introdução e sua fala no meio, são agradáveis de se ouvir. É um disco que me pegou de surpresa e é daqueles que a gente só vai gostando mais conforme o tempo passa. Faz algum tempo me distancio da música enquadrada no termo geralzão do "rock", por ter ouvido isto a vida inteira e já não me encantar com qualquer coisa. Letrux, entretanto, rendeu e ainda tá rendendo.

&


*e não é o que se espera de uma bateria?

sábado, 10 de dezembro de 2016

DAF (Deutsch Amerikanische Freundschaft) - DAF - (1988)

DAF é uma banda alemã pioneira no campo do eletrônico. Conheci eles através de um filme ruim, mas com trilha sonora boa chamado The Guest. Uma dupla, seu som é um sintetizador programado, uma bateria e o vocal. Seus maiores sucessos são Der Mussolini e a hipnótica Alles ist Gut. Confesso que gosto bastante deles. Sua simplicidade sonora e lírica me agradam bastante. Achar coisa do DAF é algo complicado, não sei como, mas mesmo sendo uma banda super importante, eles acabam não sendo tão famosos quanto se esperaria. Este disco parece ser uma compilação de 1988 com a produção de ninguém menos que Cony Plank - e se você não sabe quem é Cony Plank, procure dar uma olhada nisso e começar a entender os motivos que levaram Bowie a gravar discos/músicas maravilhosos/as em Berlim. Sonoridade frenética, podem facilmente ser a trilha sonora de festas insanas ou agitados filmes de ficção científica.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Jay Holy - Skeletor EP (2013)

Dicas de amigos sobre música, muitas vezes são as mais acertadas, especialmente quando você não espera nada dessas dicas. Este EP é puxado por belos moogs e sons sintéticos. Seu cover de Skeletons da banda Sound (uma das mais subestimadas do roque) é matador e te convence a ouvir o resto do EP, experiência bem agradável por sinal. Este som é recomendado para quem procura aquele som simples, bem trabalhado e que te envolve. Nessas horas eu insisto com você meu amigo que diz que a música morreu, e quase sem querer repete o discurso da necrosada indústria musical, a música vai bem, está produzindo coisas boas. Aproveite!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Drive Soundtrack (2011)

Drive é um filme com um roteiro não muito complexo, mas bem construído, junto com toda estética do filme não podemos ignorar a trilha sonora. Elaborada por Cliff Martinez, que trabalha em vários setores da música profissional. A música é boa para climas mais soturnos, noir, na proposta do filme. Os destaques da trilha sonora ficam por conta das músicas não compostas por Cliff Martinez, nightcall, under your spell e real hero.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Colin Potter - A Gain (1982)


Colin Potter é um sujeito lendário. É uma dessas figuras que você nunca ouviu falar, e dificilmente ouvirá de novo, mas ele é uma espécie de lenda dentro do universo underground de fitas k7 caseiras de música eletrônica industrial. Seu domínio sobre o som é incrível, não por acaso ele é também um engenheiro de som. Esta fita em particular conseguiu me desconcertar de uma maneira única como fazia algum tempo não me desconcertava (o que ultimamente só vem ocorrendo quando escuto coisas puxadas para o eletrônico). Já conhecia outro trabalho seu, o Here, mas ele não gerou aquela pegada. Sua música não é algo que tocaria numa festa, não numa festa comum pelo menos. É um tipo de música para ouvir sozinho e de preferência de dia (acredito muito em clima pra música). Este é um trabalho fundamental para mim, uma referência, além do desenho da capa que achei apaixonante, esses contornos de desenhos técnicos, esse modernismo tão bem mostrado pelo Joy Division. Sem falar que é o trocadalho do carilho o nome do albúm.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

La Femme - Psycho Tropical Berlin (2013)

La Femme é uma banda francesa que faz um som bem original. Sua pegada eletrônica com direito a energia punk me levam a enquadrar a banda no Cyberpunk. Pode ser algo exagerado, mas ainda considero o mais plausível. Suas letras em francês mostram que mesmo depois de Françoise Hardy, Johnny Hallyday e Mano Negra, a música pop francesa continua viva como nunca! Os synths estão ali junto com bateria, guitarra e baixo, dá vontade de sair pulando na maior parte das canções. É um disco recente - 2013 - e que vem sendo digerido. Recomendadíssimo.


quarta-feira, 16 de julho de 2014

David Bowie - Earthling (1997)

Que David Bowie é um camaleão todo mundo já sabe, e isso não é nenhuma novidade. O que acontece é que sua produção é vastíssima e muito abrangente. Tem música em italiano, em alemão e até em inglês! Entre este material obscuro de Bowie temos alguns discos inteiros, e Earthling é um destes discos. Inspirado na cena House inglesa dos anos 1990, Bowie resolveu produzir um disco nessa linha. O disco não é uma obra de arte como Ziggy Stardust & the Spiders from Mars ou Heroes, mas ainda assim é bom o suficiente para não diminuir o nome de Bowie. O uso daquelas programações, baterias, sintetizadores e sequenciadores ainda estão ali, como todo bom House deve ter, porém o uso de instrumentos está bem presente e dá o tom original de "Ah, isto é David Bowie". Faixas como Little wonder e Dead Man Walking, poderiam tranquilamente arrasar numa pista de dança. 

domingo, 1 de junho de 2014

Human League - Dare (1981)

Poderia ser uma banda de um hit só, mas não é. Human League tem uma história curiosa, começaram como uma banda praticamente experimental, porém neste terceiro disco eles decidem abordar uma sonoridade mais pop. Apesar de tudo que a música pop representa, ninguém tira o mérito de que a sonoridade pop é a mais fácil de ser ouvida! Letrinhas bestas e uma música legal. Como o Human League já tinha uma vida interessante e louvável antes, o resultado em Dare foi incrível. Na época o disco acabou sendo um sucesso, dando um belo ponta pé ao uso de elementos eletrônicos numa banda, e trazendo isto para o cenário da música pop. A faixa mais famosa e que você provavelmente já conhece é don't you want me, mas existem outras boas canções como the things that dreams are made of e seconds, são de longe as três melhores canções. O disco vale a pena ser ouvido, open your heart e do or die são bem oitentosas e devem ter atingido alguma pontuação legal nas rádios. Disco fácil de ouvir, especialmente para quem gosta da sonoridade mais ligada ao pós-punk e new wave dos anos 1980.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Wire - Object 47 (2008)

Certamente Wire é uma banda histórica devido a clássica trilogia Pink flag, Chairs Missing, 154, onde a banda consegue se reinventar e criar novas sonoridades em um curto espaço de tempo, pra quem não sabe os discos são de 1977, 1978, 1979! É estranho que a banda não tenha vingado muito, seu som não é tão contagiante quanto o do Sex Pistols, ou não pega tão fundo quanto Joy Division, bandas que estavam na ativa quando esta banda surge. Ainda assim, Wire é uma banda que vale a pena sentar e escutar, nunca se negaram e se reinventar e assim seguiram. O que pouco gente sabe é que a banda praticamente nunca parou, diminuiu suas atividades, mas sempre continuou produzindo, e o melhor, além de sua fase clássica ainda assim lançaram material muito bom. Quando me dei conta de que sua discografia seguia até os dias atuais tive que buscar algo mais recente da banda e acompanhar o que estava rolando, diferente do que ocorreu na minha busca pelo stranglers, a decepção não veio, eles não ficaram bregas ou com uma pegada menos marcante, pelo contrário mais uma vez eles conseguem se reinventar, compor uma nova sonoridade, pegar o que há de mais além na sua área e seguir em frente. Quando observamos bandas por um longo período de tempo, acabamos nos dando conta de como isso é importante, ainda mais quando nos deparamos com um disco como esse, que não fica devendo em nada para o peso que Wire acaba tendo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Brian Eno - Here come the warm jets (1974)

A música não seria a mesma coisa sem a presença de Brian Eno. Nos últimos tempos comecei a prestar mais atenção no que ele fez e anda fazendo. Bowie não teria gravado a fase Berlim com tanta qualidade sem a presença de Eno, quem sabe Bowie não teria inovado para além de Ziggy Stadust. Suposições é claro, não levam a nada. De fato, Brian Eno ainda participava da genial banda Roxy Music quando se lançou em aventuras solo. Há um disco anterior a Here come the warm jets, mas ele é experimental num nível muito particular e quem sabe ouço ele decentemente e posto aqui. O que me chama atenção é que este disco é experimental, Eno está claramente buscando novos rumos para a música, ainda um tanto tímido e mais longe da música ambiente, da qual parece ser o papa. Vale colocar que ele não é o criador da música ambiente e isto ainda merece uma postagem.

O que vale a pena no disco é a qualidade das músicas. Tendo como importante colaborador Robert Fripp, membro fundador do King Crimson, as músicas curtas e as guitarras marcantes nos deixam hipnotizados. Além de toda a repetição hipnotizante que eu adoro, a melodia marca sua presença. Destaque especial para Needles in Camel's eyes e Babys on Fire, presentes na trilha sonora de Velvet Goldmine. Todas as outras faixas são ótimas.

segunda-feira, 17 de março de 2014

The Palatine Factory Story (1978-1990)

Muito provavelmente você deve ter uma camiseta do Joy Division, deve ouvir seus discos e balançar o esqueleto enquanto ouve blue monday do New Order. Deve adorar a mistura de rock com eletrônico, do eletrônico em si e de sons experimentais. De certa forma todo mundo sabe o que foi o punk rock pelo mundo, ele deu a possibilidade de qualquer pessoa fazer uma banda e seu som. Querendo ou não isso foi super importante e praticamente tudo de original que temos depois do final dos anos 1970 deve alguma coisa ao punk rock.
A cena de Manchester deve em muito. Mas precisamos sempre entender o que foi essa cena, pois muitas vezes pode parecer difícil sacarmos a importância da coisa toda. Parece que a maior parcela da população mora em cidades médias ou algo parecido (não conheço bem as estatisticas), e de uma forma ou de outra sempre parecem haver centros que emanam as tendências e se mostram os únicos privilegiados com as inovações e novidades. Apesar da decadência Novaiorquina de finais de 1970, ainda estamos falando de Nova Iorque - e Londres. Cidades consagradas como importantes centros cosmopolitas, enquanto nós, os caipiras, morremos de tédio

Até certo ponto haviam condições propícias na cidade de Manchester, não era algo minúsculo, afinal foi ali que a revolução industrial começou, o que lhe garantia uma urbanidade. Ao mesmo tempo não podemos esquecer de toda a decadência pela qual a região passava devido a mudança macro econômica inglesa, que pretendia diminuir a produção e aumentar a prestação de serviços (não por acaso são hoje muito mais um centro financeiro do que produtor, o que lhes ocasiona problemas algumas vezes). Mas quem ouvia falar de Manchester naquela época? Ninguém, era apenas mais uma cidade esquecida. Tony Wilson talvez seja a resposta que desejamos. Rapaz estudado numa boa universidade, arranja emprego numa rede televisiva do interior. A partir de seu emprego ele percebe a oportunidade que se mostrava e começa a produzir estas bandas, não demorando muito funda a Factory, uma gravadora tão importante quanto a Sub pop, e por meio dessa gravadora lançavam muita coisa boa além de Joy Division e New Order.

Parece que o pessoal de Manchester sempre estava ligado no que estava rolando de bom na época. Antenados com o que havia de melhor podemos ouvir músicas lindas como sketch for summer do Durutti Column, Hymn from a village da banda James até as eletrônicas Cool as ice 52nd steet e Yashar da consagrada Cabaret Voltaire. Isso tudo somado as faixas obrigatórias de Joy Division, New Order e Happy Mondays. Se você quer agitar uma festa pós-punk ou quer ouvir aquele sonzinho anos 80 alternativo, essa é a coletânea. O bom é que diferente de muitas coletâneas, muito som você dificilmente encontrará em outro lugar.

terça-feira, 4 de março de 2014

Cleaners from Venus - In The Golden Autumn (1983)

Durante os anos 80 havia uma cultura das fitas k7 muito forte. Afinal, sem a internet era preciso dar algum jeito de conseguir suas músicas de uma forma mais barata. É também nos anos 1980 que o DIY do Punk está bem aceito entre os músicos e a busca por meios independentes de divulgação e gravação ganha notoriedade. Cleaners from Venus é uma espécie de banda "master" desta cultura do cassete (cassete culture, em inglês). Basicamente seu trabalho era lançado por meio do k7 e como podemos perceber pela capa, faziam um trabalho bem manual. O Som é bem particular, segue bem na linha dos anos 1980 mesmo, porém sua não tão boa qualidade de gravação acabam dando uma sonoridade lo-fi especial. Há uma mescla de elementos tradicionais do rock, como violão e guitarra, mas sintetizadores e baterias eletrônicas estão presentes. Recomendo ouvir Cleaners from Venus em dias de chuva. Vale a pena dar uma olhada nessa coisa do casste, parece que está voltando e que durante os anos 80 e princípios de 90 foi uma cultura muito forte, lançando muita coisa boa. Reza a lenda foi por meio das fitas que o indie rock se fez.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

The Cure - Staring at the Sea (1986) Singles

Antes de fazer este post tive que verificar se já não o tinha feito. Staring at the Sea é um puta disco do Cure e seu único defeito é ser uma coletânea. Minha relação com este disco começou lá pelos meus 13-14 anos quando eu descobri os sebos e as revistinhas de super-herói, comprava montes de Conan, X-men, Justiceiro e outras coisas do naipe. No meio disto tudo minha irmã arrumou um toca discos e meu irmão se interessava mais do que eu por música, ficando horas vasculhando lps antes dessa moda toda. Éramos duas criancinhas que entendiam alguma coisa de música e acabávamos fazendo os olhos de uns tiozões brilharem por uns segundos enquanto catávamos um vinil ou outro de artistas como Led Zeppelin, Janis Joplin ou Black Sabbath. Lembro muito bem que cheguei a ter este staring at the sea nas mãos, pegar o vinil é outra coisa como devem saber, é maravilhoso, a capa é um poster, te pega  quando é bem feita. Pelo que me lembro do encarte tem outras fotos desse cara da capa que parece ser um pescador  ou algo do gênero, e por isso até hoje a ideia de praias desertas e frias em preto e branco me lembram os anos 80 - e realmente esse é um clichê da época. Ocorreu que eu gastei mais com gibis do que discos naqueles tempos, e me dói o fato de que se eu quiser ter esse vinil hoje em dia gastarei muito mais do que dez ou quinze reais, tal qual ele custava na época (o que não parece mas dava um monte de gibi). Não sou fã das coletâneas, mas você tem que começar de algum jeito. Anos mais tarde no mesmo sebo minha namorada encontra este disco em versão CD, não estava afim de cometer o mesmo erro e levei ele comigo (algumas vezes eu dou uma dentro). O curioso é que acaba-se pegando uma fase cronológica do Cure, no começo seu som é relativamente elaborado, para depois (na fase em que termina este disco) estarem numa simplicidade que beira o pop - e óbvio pesando por uma fase dark pesada. Aquelas faixas que conheci pela rádio estão ali, close to me, in between days, lovecats e a faixa que demorou algum tempo para emplacar mas hoje é um sucesso que até me causa certa irritação, boys don't cry. Mas além disso temos estas faixas da fase inicial quando eles indicavam ser um relativo fracasso, Killing an Arab lembremos é do primeiro disco. Há faixas interessantes como a forest, que na minha opinião deveria tocar nas festas de halloween, e as magnífica walk e let's go to bed, que tem uma pegada bem mais discoteca do que as outras faixas. Cure acaba não parecendo uma banda muito forte no começo, mas eles são os caras que conseguiram mostrar o outro lado do anos 1980 para muita gente. Poderiam ser odiados por isso (tornarem algo mainstream), mas suas músicas são legais demais para isso, e acabam salvando alguns bailes de formatura por ai - mesmo que seja pedindo pros garotos não chorarem, mais uma vez! Atualmente estas coletâneas servem muito bem para quando se está impaciente e você quer passar poucos discos para o mp3 para ter o suficiente de Cure mas não uma enxurada. Por fim é quase um dos únicos discos que tenho deles, e vira e mexe estou tocando ele para me acompanhar na faxina ou café.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Wild Nothing - Empty State (2013) EP

Wild Nothing foi uma indicação de uma amiga minha. Não sou o tipo de pessoa que fica ligada nas novidades, mas sei que o pessoal do wild nothing está vivo, o que parece ser um bom começo. Seu som está ligado a isso que vêm sendo chamado de dream pop, estilo que me agrada muito e parece ter toques sinceros de LSD. Assisti agorinha o filme As vantages de ser invisível, e bem, apesar de não tocar nenhuma música da banda, o som deles pareceu combinar bem com o clima. Atualmente venho buscando sons novos e a música feita no campo do "eletrônico" está me surpreendendo muito e agradando cada vez mais. Wild Nothing é uma dessas bandas que espero durem mais do que uma estação, pois eles possuem sonoridade suficiente para isso. Usando e abusando de instrumentos tradicionais, associados a esse caráter eletro, acabam criando uma atmosfera sonora muito agradável.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Harmonia - Musik von Harmonia (1974)


 Certa vez enquanto eu estudava alemão, um colega disse: “é bom ficar de olho na Alemanha, tudo de importante surge ou passa por lá”, arquitetura moderna, design, nazismo, capitalismo, liberalismo, anarquismo, socialismo, ecologia, computação, movimentos sociais, filosofia e claro a música – e não vou falar dos Beatles e Hamburgo. Mesmo que muita coisa não tenha sua origem na Alemanha, coisas acontecem por lá, a música contemporânea vai ver algo chamado Kraut-rock surgir e dar origem a coisas fantásticas como os discos da fase alemã de Bowie e isto que chamamos de música eletrônica. Muita gente conhece o nome Kraftwerk, mas eles não são os únicos agraciados com música boa e original. Como após a segunda guerra a Alemanha foi ocupada pelos vencedores (praticamente EUA de um lado e URSS de outro, dando origem a divisão), a cultura americana vai se disseminar muito bem por lá. Junto com o rock'n'roll também havia uma consciência de que a música americana e inglesa não dava conta das angustias pelas quais os alemães passavam. Se eles buscassem simplesmente imitar o que já existia não havia novidade ou identidade nisso tudo e o máximo que alcançariam seria a música schlager (brega e vazia), mas por outro lado se eles fossem buscar alguma originalidade na música folclórica da Alemanha estavam lascados, pois aqui entre nós, é uma porcaria. Mais o menos nesse impasse eles precisavam buscar algo completamente novo e deles. Pegando o pico da onda do rock progressivo o kraut-rock adiciona elementos eletrônicos e ganha sua forma (mas nem sempre seguindo esta fórmula). Harmonia é uma das bandas mais importantes desta movimentação que vai deixar Bowie e Brian Eno doidinhos alguns anos mais tarde. Eles estão em algo que já me parece fora do Kraut-rock e estão muito mais ligados a música eletrônica e ambiente. Harmonia é um grupo formado com boa parte da nata da música experimental alemã da época. Definitivamente é um daqueles discos únicos que não surgem todo dia, especialmente para quem está cansado de ouvir sempre a mesma coisa e busca algo que consiga o levar mais longe. Vem sendo um dos meus discos favoritos especialmente quando a noite já está bem adiantada.
Apresentação ao vivo, e pensar que quase tudo isso cabe num computador.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Charanjit Singh - Ten Ragas to a Disco Beat (1982)


 Apesar de pensarmos em Estados Unidos e Inglaterra quando falamos sobre música pop, somos obrigados a engolir que os sujeitos a darem forma a música eletrônica são alemães e que o primeiro disco para ser tocado nas raves é da autoria de um indiano. O que temos na índia afinal é esta multi faceta, de longe sua maior riqueza. Na época o disco foi um verdadeiro fracasso, sendo redescoberto nos idos de 2010 e elevado a categoria de primeira gravação de Acid House que se tem notícia. A partir dai o sucesso foi garantido e Charanjit Singh começou a fazer algumas performaces ao vivo. No disco já podemos encontrar o uso do Roland TR-808 e Roland TB-303, usados já naquela época e mais tarde por nomes como Afrika Bambaataa e Yellow Magic Orchestra. O curioso é que tudo o que Singh fez foi misturar a música tradicional indiana e o que havia de mais moderno no período, a nascente música eletrônica.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Suicide - First Album (1977)

Suicide é um duo, bateria eletrônica, sintetizador e vocal. Seu som é bem particular e está ligado ao punk nova iorquino dessa época. Óbvio que eles seriam um episódio a parte, mas não os desconsidero de toda aquela cena descrita em mate-me por favor, apesar de não lembrar deles no livro. De qualquer forma pelo que eu sei eles foram e continuam sendo muito influentes, é só ouvir que alguns sons serão familiares. É uma música sombria, e por vezes difícil de ouvir (confesso que raramente escuto mais de duas músicas seguidas). Ghost Rider é o grande hit do disco. Se você se interessa pela música "eletrônica", Suicide é parada obrigatória para qualquer listinha dos discos mais importantes. Selvagem é o som deles. E aproveitem antes que não tenhamos mais piratebay.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Happy Mondays - Bummed (1988)

Esta capa é bonitona, gosto muito dela. Happy Mondays não foi uma paixão de cara, têm muito preconceito com eles pelo fato de terem sido os caras que afundaram a Factory. Além disso seu som não é tão triste quanto Joy Division ou New Order, o que pode decepcionar um pouco no começo. Percebo no som deles uma mistura forte, a guitarra frenética, o baixo ritmado no funk, bateria epilética e teclados psicodélicos. O vocal não acho grandes coisas, mas não é nenhum fim de mundo também.

sábado, 9 de novembro de 2013

The Field - Looping State of Mind (2011)

Não julgue um disco pela capa. Apesar disso gosto das capas e elas fazem parte de 80% ou 98% do meu julgamento inicial sobre o disco - ou seja, antes de escutar ele. Field é nada mais do que "música eletrônica". Não entendo nada disso e não sei te diferenciar nada nessa área, mas gosto de ouvir mais do que o "tunts tunts" barato que rola na baladas mundo a fora. Ocorre que este disco chegou até mim (dica: verifiquem os torents) e gostei cara, é legal, mesmo não sendo uma obra prima (e nem tudo na vida o será). Pesquisando agora para o post, parece que este álbum ficou entre os melhores de 2011, bem, isso só comprova o quão atrasado eu chego nas novidades. Também pouco me importo com elas.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Balkan Beat Box - Balkan Beat Box (2005)

Balkan Beat Box foi a recomendação de um amigo meu. Estavámos comentando sobre bandas com som inusitado, Balkan Beat Box surgiu na conversa. O som é basicamente um som "gypsie" (cigano, balcânico) remixado. Parece que o disco fez bastante sucesso na época. Pelo que encontrei por ai eles já produziram alguma coisa junto com Gogol Bordello e Eugene Hütz. Vale a pena ter algumas músicas inusitadas para dançar.