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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sheik Tosado - Som de caráter urbano e de salão (1999)

Cada vez mais percebo como o manifesto antropofágico dá uma boa saída para a cultura brasileira de maneira geral. Suspeito que a produção cultural na década de 1990 já estava mais madura e procurava mais do que na década anterior, demonstrar sua face brasileira e identidade sem contudo cair em nacionalismos cegos. Na esteira iniciada pelo Clash e seguida pelo Mano Negra, a mistura do rock com os ritmos tradicionais ganhou sua legitimidade. Neste sentido o manisfesto antropofágico é uma boa saída pois não ignora o regional/local, tão particular de cada lugar (geográfico ou não), com o que vêm de outras latitudes. A língua já faz essa mistura, de pegar trejeitos locais e mesclar eles com outros, algumas vezes vindos de longe. A cultura tem disso, ela não é pura, não se quer pura, "pureza é um mito", já colocava Oiticica nesta frase de duplo sentido - seja por ser elemento fundador de muita coisa, como por ser algo impossível, brincando com este duplo sentido da palavra mito dado no cotidiano: origem ou mentira. Neste sentido Sheik Tosado a banda que tornou o China (sim aquele cara da MTV) conhecido. O som é bem particular, mistura as guitarras do rock underground (hardcore e afins) com a batucada do frevo. Sim eu sei que Chico Science e a Nação Zumbi também vão fazer isso, mas vale lembrar que as duas bandas são diferentes, assim como a cultura em cada lugar, é um rizoma afinal.

sábado, 20 de abril de 2013

Caetano Veloso - London, London (1971)


Meu tio, que nasceu e vive até hoje em Buenos Aires, me passou vários discos que ele estava ouvindo para fazermos uma troca musical, nisto este disco do Caetano estava lá. Por incrível que pareça, não conhecia/conheço nada de Caetano, mas já sabia que ele é uma espécie de majestade musical na Argentina, simplesmente o adoram e todo show dele lota. Dai que estava mais do que na hora de ouvir, por isso resolvi arriscar, e bem, gostei do risco e do resultado. Este disco é fruto do exílio de Veloso em Londres, por isso a maior parte das músicas são cantadas em inglês. Apesar de ser um inglês bem baiano gosto bastante de ouvir ele, e olha que sou chato com o inglês (Tim Maia ainda é difícil para mim). Boa parte dos temas estão ligados a questão da saudade, algo perfeitamente compreensível, já que ele estava em exílio. Não é de Caetano Veloso, mas talvez a melhor música à abordar este tema seja back in Bahia, de Gilberto Gil, que me parece, querendo ou não, sintetizar essa experiência da distância e do exílio.