Se você gostou do Ptah, the el Daoud, este disco lançado na sequência vai agradar. Na mesma linha, porém mais acessível, mais fácil de ser escutado, menos experimental. A banda aqui está um pouco mais complexa, mas a simplicidade e ritmo em torno do baixo e a bateria continua marcante. O uso de instrumentos indianos também é perceptível, e os solos em sax tenor de Pharoah Sanders também estão aqui. Música incrível, que fez eu me perguntar como ignorei Alice Coltrane tanto tempo, como nunca ouvi falar dela?
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
sábado, 10 de dezembro de 2016
DAF (Deutsch Amerikanische Freundschaft) - DAF - (1988)
DAF é uma banda alemã pioneira no campo do eletrônico. Conheci eles através de um filme ruim, mas com trilha sonora boa chamado The Guest. Uma dupla, seu som é um sintetizador programado, uma bateria e o vocal. Seus maiores sucessos são Der Mussolini e a hipnótica Alles ist Gut. Confesso que gosto bastante deles. Sua simplicidade sonora e lírica me agradam bastante. Achar coisa do DAF é algo complicado, não sei como, mas mesmo sendo uma banda super importante, eles acabam não sendo tão famosos quanto se esperaria. Este disco parece ser uma compilação de 1988 com a produção de ninguém menos que Cony Plank - e se você não sabe quem é Cony Plank, procure dar uma olhada nisso e começar a entender os motivos que levaram Bowie a gravar discos/músicas maravilhosos/as em Berlim. Sonoridade frenética, podem facilmente ser a trilha sonora de festas insanas ou agitados filmes de ficção científica.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Alice Coltrane - The Ptah, El Daoud (1970)
Não saber até pouco tempo atrás quem foi Alice Coltrane, me envergonha. Como é de se imaginar, ela foi esposa de John Coltrane. Mas o que me surpreendeu não é esta associação - esse costume de reduzir mulheres à com quem são casadas. O que surpreendeu é sua música. Construída entre o jazz e ritmos tradicionais (em especial indianos, até pela sua conversão ao hinduismo em 1970), sua sonoridade é algo único. A potência da música é para tomar conta do ambiente. Sua oscilação entre o piano e a harpa, que pensei em princípio seria algo estranho, compõe execuções bem particulares. Tudo isto é produzido por um quarteto, que por vezes oscilam seus instrumentos, tal qual Alice Coltrane faz em Blue Nile, onde te leva para descer o Nilo, ora tocando piano, ora harpa. A faixa Turiya & Ramakrishna é o grande destaque. Em resumo uma música entorpecedora.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
John Cale and Terry Riley - Church of Anthrax (1971)
John Cale está para o Velvet Underground assim como Kim Deal está para o Pixies. Ambos são peças fundamentais na composição sonora de duas bandas fundamentais para o rock alternativo, porém acabaram ficando em segundo plano frente a figuras como Lou Reed e Black Francis. John Cale inicia uma carreira solo bem interessante, que já teve coisa postada aqui até. Este disco é uma colaboração com Terry Riley, um dos sujeitos mais importantes para a música minimalista. O disco é bem conceitual, como podemos imaginar. Temos duas músicas curtas, das quais The soul of Patrick Lee é a única cantada, que foram as que me convenceram da genialidade deste disco. Acredito que possa tem lembrar vagamente algo do Belle Sebastian, porém fica claro que não é.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
David Bowie - Low (1977)
Todo mundo escuta David Bowie, mas o que se ouve é sua fase mais glam, roqueira e andrógina (se é que em algum momento ele deixou de ser). Porém, creio que uma de suas produções mais originais e importantes para a música ficam a cargo da trilogia Berlim. Low é o primeiro disco desta trilogia (Heroes o segundo e Lodger o terceiro). A referência a cidade de Berlim é pelo fato de Bowie andar realizando andanças constantes pela cidade e ter gravado algumas faixas destes três discos nos estúdios Hansa em Berlim ocidental, sendo assim nenhum disco foi inteiramente gravado na Alemanha, muito menos em Berlim, apenas faixas esparsas. Mas a música não se restringe a geografia, a associação de Bowie neste período com Brian Eno e a admiração de ambos pelo Krautrock e afins é o elemento marcante destes três discos. O experimentalismo e a música ambiente estão ali, Warszawa está ali, e é graças a essa faixa que uma banda vai escolher o nome de Warsaw para mais tarde ser chamada de Joy Division. É um disco conceitual, mas que ao mesmo tempo faz questão de ser ouvido e por isso o elemento pop está ali. Creio que o grande feito de Low é abrir espaço e possibilidade de tornar audível ao grande público o que havia de mais experimental até então, fazendo uma ponte e dando forma a algo ainda restrito a alguns círculos. Também temos os efeitos, largamente usados e atualmente algo tão comum nas músicas, mas com certo ar de novidade na época.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Adrian Belew - Lone Rhino (1982)
Descobri Adrian Belew assistindo a versão ao vivo do David Bowie de Station to station com ele fazendo os barulhos que são sua marca registrada. Provavelmente graças ao punk rock, nunca fiquei de queixo muito caído para "super-guitarristas", apesar de gostar e valorizar (mesmo achando um saco) uma lista considerável. Minha implicância com músicos muito "virtuosos" é que não cessam de cuspir sua genialidade aos quatro ventos, e isso pode encher o saco, afinal rock'n'roll é para ouvir e dançar. Talvez Adrian Belew seja maravilhoso graças a sua influência mais citada: o rinoceronte! Na sua busca por um som novo e diferente, Belew é famoso por reproduzir com sua guitarra sons semelhantes ao grito de animais, sendo o rinoceronte o mais recorrente. De fato ele conseguiu criar um sonoridade completamente nova para a guitarra. Não por acaso é um músico de peso, além de Bowie também temos Frank Zappa, Talking Heads, Nine Ich Nails e King Crimson como as bandas nas quais já tocou. Seu trabalho solo é mais marcado pelo experimentalismo, e pode não ser tão surpreendente quando os nomes associados a ele já citados acima, mas de fato ele está longe de ser um nome ignorado, sua música e técnica são originais. Destaque para a faixa Lone Rhino.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Colin Potter - A Gain (1982)
Colin Potter é um sujeito lendário. É uma dessas figuras que você nunca ouviu falar, e dificilmente ouvirá de novo, mas ele é uma espécie de lenda dentro do universo underground de fitas k7 caseiras de música eletrônica industrial. Seu domínio sobre o som é incrível, não por acaso ele é também um engenheiro de som. Esta fita em particular conseguiu me desconcertar de uma maneira única como fazia algum tempo não me desconcertava (o que ultimamente só vem ocorrendo quando escuto coisas puxadas para o eletrônico). Já conhecia outro trabalho seu, o Here, mas ele não gerou aquela pegada. Sua música não é algo que tocaria numa festa, não numa festa comum pelo menos. É um tipo de música para ouvir sozinho e de preferência de dia (acredito muito em clima pra música). Este é um trabalho fundamental para mim, uma referência, além do desenho da capa que achei apaixonante, esses contornos de desenhos técnicos, esse modernismo tão bem mostrado pelo Joy Division. Sem falar que é o trocadalho do carilho o nome do albúm.
sábado, 30 de agosto de 2014
(V.A.) - NME C86 (1986)
Em 1986 a famosa revista NME resolveu selecionar o que havia de melhor rolando em fitas k-7 da cena independente inglesa, organizando assim uma coletânea e lançada em cassete mesmo. Esta coletânea acabou se tornando um marco, pois é tratada como um prenúncio do que viria a ganhar holofotes mais tarde. Quando relançaram em 2006 uma edição especial, a coletânea foi subtitulada como "the birth of indie rock", o que estou longe de discordar. A qualidade das gravações é aquela única e especial das fitas k7. O engraçado é ouvir algumas bandas que depois ficam famosas e bem produzidas em sua versão quase "demo". C86 é uma coleção interessante para entender melhor a cena underground britânica dos anos 1980. Seu som ainda mantém a simplicidade do fresco punk rock, mas já bem encaminhados para experimentações, psicodelias e melodia.
domingo, 17 de agosto de 2014
Charlie Megira & the Modern Dance Club - Love Police (2012)
Charlie Megira me desconcertou. Sua sonoridade já tem algo ali que conhecemos, o abuso do reverb, guitarras nevorsas, vocais berrados, referências claras a um rock "morto", 50toso, ou 90toso, porém tudo isso de uma maneira bem original, pois são referências, não imitações. Confesso que não esperava tanto de um cara alto, desajeitado e estranho vindo de Israel (!). Acontece que você vai pirar no seu som, que passeia pelo shoegazing e surf rock. Talvez temos aqui uma banda que traga algo novo para o rock, porém esse disco é restrito ao que chamamos de underground, não é nada pop, mas é muito bom. Seu disco é selvagem, cru e puro. Já aviso que foi complicadíssimo achar qualquer material dele, então aproveitem a oportunidade, pq o disco vale a pena.
domingo, 22 de junho de 2014
Porno for Pyros - Porno for Pyros (1993)
Os anos 1990 trouxeram o rock alternativo para os holofotes, desde então ele se tornou algo mais comum do que parece. Porno for Pyros é uma dessas bandas alternativas garageiras que passaram pela terra no começo dos anos 90. Resultado da interrupção dos trabalhos no Janes Addiction, membros remanescentes acabaram fundando a Porno for Pyros, chegaram a lançar nada mais que dois discos. Este é o primeiro deles. O tom garageiro está bem marcado nas canções, que buscam alcançar alguma psicodelia, algo perceptível pelos efeitos de guitarra e outras estripulias ao longo das canções. Acho curioso que em canções como Black girlfriend e Orgasm, eles lembram bastante uma sonoridade post-rock, porém de uma forma primitiva e relativamente distante deste gênero. É um disco curioso, com música tão estranhas e bizarras quanto a capa do disco.
domingo, 1 de junho de 2014
Human League - Dare (1981)
Poderia ser uma banda de um hit só, mas não é. Human League tem uma história curiosa, começaram como uma banda praticamente experimental, porém neste terceiro disco eles decidem abordar uma sonoridade mais pop. Apesar de tudo que a música pop representa, ninguém tira o mérito de que a sonoridade pop é a mais fácil de ser ouvida! Letrinhas bestas e uma música legal. Como o Human League já tinha uma vida interessante e louvável antes, o resultado em Dare foi incrível. Na época o disco acabou sendo um sucesso, dando um belo ponta pé ao uso de elementos eletrônicos numa banda, e trazendo isto para o cenário da música pop. A faixa mais famosa e que você provavelmente já conhece é don't you want me, mas existem outras boas canções como the things that dreams are made of e seconds, são de longe as três melhores canções. O disco vale a pena ser ouvido, open your heart e do or die são bem oitentosas e devem ter atingido alguma pontuação legal nas rádios. Disco fácil de ouvir, especialmente para quem gosta da sonoridade mais ligada ao pós-punk e new wave dos anos 1980.
sábado, 10 de maio de 2014
Erkin Koray - Erkin Koray (1973)
Usando o fuzz e a psicodelia sem medo, Erkin Koray lançou um dos discos mais significativos para o rock turco. Apesar do rock tomar proporções mundiais com o final dos anos 1960 e primórdios de 1970, sua cara ainda era muito "americana" e as pessoas começam a buscar por uma expressão mais legítima do rock, é assim que surgem movimentos como tropicália, kraut rock e o anatolian rock, este último da Turquia. Mesclando os elementos do rock psicodélico de então com a sonoridade da música tradicional turca, especialmente da região da Anatólia, Erkin Koray mostra por que é um dos maiores ícones da música turca, e na minha opinião do mundo, já que pago um pau danado pra esse cabra. A estrutura tradicional está ali, perceptível na guitarra fuzzeada imitando uma baglama (instrumento que Koray sabe tocar) dando uma sonoridade que acaba soam "árabe" aos nossos ouvidos - cabe colocar que se demonstra respeitoso diferenciar a cultura turca da árabe, já que são duas vertentes diferentes. Esta estrutura tradicional também aparece nos vocais, que segue as variações vocais tradicionais da música turca. Tudo isto sem deixar de ser um disco de rock psicodélico. Absolutamente um clássico e um disco memorável. Destaque para Mesafeler, Istemen, Cicek Dagi, Sana Birseyler Olmus e a atualmente favorita Ilhahi Morluk.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Wire - Object 47 (2008)
Certamente Wire é uma banda histórica devido a clássica trilogia Pink flag, Chairs Missing, 154, onde a banda consegue se reinventar e criar novas sonoridades em um curto espaço de tempo, pra quem não sabe os discos são de 1977, 1978, 1979! É estranho que a banda não tenha vingado muito, seu som não é tão contagiante quanto o do Sex Pistols, ou não pega tão fundo quanto Joy Division, bandas que estavam na ativa quando esta banda surge. Ainda assim, Wire é uma banda que vale a pena sentar e escutar, nunca se negaram e se reinventar e assim seguiram. O que pouco gente sabe é que a banda praticamente nunca parou, diminuiu suas atividades, mas sempre continuou produzindo, e o melhor, além de sua fase clássica ainda assim lançaram material muito bom. Quando me dei conta de que sua discografia seguia até os dias atuais tive que buscar algo mais recente da banda e acompanhar o que estava rolando, diferente do que ocorreu na minha busca pelo stranglers, a decepção não veio, eles não ficaram bregas ou com uma pegada menos marcante, pelo contrário mais uma vez eles conseguem se reinventar, compor uma nova sonoridade, pegar o que há de mais além na sua área e seguir em frente. Quando observamos bandas por um longo período de tempo, acabamos nos dando conta de como isso é importante, ainda mais quando nos deparamos com um disco como esse, que não fica devendo em nada para o peso que Wire acaba tendo.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Brian Eno - Here come the warm jets (1974)
A música não seria a mesma coisa sem a presença de Brian Eno. Nos últimos tempos comecei a prestar mais atenção no que ele fez e anda fazendo. Bowie não teria gravado a fase Berlim com tanta qualidade sem a presença de Eno, quem sabe Bowie não teria inovado para além de Ziggy Stadust. Suposições é claro, não levam a nada. De fato, Brian Eno ainda participava da genial banda Roxy Music quando se lançou em aventuras solo. Há um disco anterior a Here come the warm jets, mas ele é experimental num nível muito particular e quem sabe ouço ele decentemente e posto aqui. O que me chama atenção é que este disco é experimental, Eno está claramente buscando novos rumos para a música, ainda um tanto tímido e mais longe da música ambiente, da qual parece ser o papa. Vale colocar que ele não é o criador da música ambiente e isto ainda merece uma postagem.
O que vale a pena no disco é a qualidade das músicas. Tendo como importante colaborador Robert Fripp, membro fundador do King Crimson, as músicas curtas e as guitarras marcantes nos deixam hipnotizados. Além de toda a repetição hipnotizante que eu adoro, a melodia marca sua presença. Destaque especial para Needles in Camel's eyes e Babys on Fire, presentes na trilha sonora de Velvet Goldmine. Todas as outras faixas são ótimas.
segunda-feira, 17 de março de 2014
The Palatine Factory Story (1978-1990)
Muito provavelmente você deve ter uma camiseta do Joy Division, deve ouvir seus discos e balançar o esqueleto enquanto ouve blue monday do New Order. Deve adorar a mistura de rock com eletrônico, do eletrônico em si e de sons experimentais. De certa forma todo mundo sabe o que foi o punk rock pelo mundo, ele deu a possibilidade de qualquer pessoa fazer uma banda e seu som. Querendo ou não isso foi super importante e praticamente tudo de original que temos depois do final dos anos 1970 deve alguma coisa ao punk rock.
A cena de Manchester deve em muito. Mas precisamos sempre entender o que foi essa cena, pois muitas vezes pode parecer difícil sacarmos a importância da coisa toda. Parece que a maior parcela da população mora em cidades médias ou algo parecido (não conheço bem as estatisticas), e de uma forma ou de outra sempre parecem haver centros que emanam as tendências e se mostram os únicos privilegiados com as inovações e novidades. Apesar da decadência Novaiorquina de finais de 1970, ainda estamos falando de Nova Iorque - e Londres. Cidades consagradas como importantes centros cosmopolitas, enquanto nós, os caipiras, morremos de tédio
Até certo ponto haviam condições propícias na cidade de Manchester, não era algo minúsculo, afinal foi ali que a revolução industrial começou, o que lhe garantia uma urbanidade. Ao mesmo tempo não podemos esquecer de toda a decadência pela qual a região passava devido a mudança macro econômica inglesa, que pretendia diminuir a produção e aumentar a prestação de serviços (não por acaso são hoje muito mais um centro financeiro do que produtor, o que lhes ocasiona problemas algumas vezes). Mas quem ouvia falar de Manchester naquela época? Ninguém, era apenas mais uma cidade esquecida. Tony Wilson talvez seja a resposta que desejamos. Rapaz estudado numa boa universidade, arranja emprego numa rede televisiva do interior. A partir de seu emprego ele percebe a oportunidade que se mostrava e começa a produzir estas bandas, não demorando muito funda a Factory, uma gravadora tão importante quanto a Sub pop, e por meio dessa gravadora lançavam muita coisa boa além de Joy Division e New Order.
Parece que o pessoal de Manchester sempre estava ligado no que estava rolando de bom na época. Antenados com o que havia de melhor podemos ouvir músicas lindas como sketch for summer do Durutti Column, Hymn from a village da banda James até as eletrônicas Cool as ice 52nd steet e Yashar da consagrada Cabaret Voltaire. Isso tudo somado as faixas obrigatórias de Joy Division, New Order e Happy Mondays. Se você quer agitar uma festa pós-punk ou quer ouvir aquele sonzinho anos 80 alternativo, essa é a coletânea. O bom é que diferente de muitas coletâneas, muito som você dificilmente encontrará em outro lugar.
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terça-feira, 4 de março de 2014
Cleaners from Venus - In The Golden Autumn (1983)
Durante os anos 80 havia uma cultura das fitas k7 muito forte. Afinal, sem a internet era preciso dar algum jeito de conseguir suas músicas de uma forma mais barata. É também nos anos 1980 que o DIY do Punk está bem aceito entre os músicos e a busca por meios independentes de divulgação e gravação ganha notoriedade. Cleaners from Venus é uma espécie de banda "master" desta cultura do cassete (cassete culture, em inglês). Basicamente seu trabalho era lançado por meio do k7 e como podemos perceber pela capa, faziam um trabalho bem manual. O Som é bem particular, segue bem na linha dos anos 1980 mesmo, porém sua não tão boa qualidade de gravação acabam dando uma sonoridade lo-fi especial. Há uma mescla de elementos tradicionais do rock, como violão e guitarra, mas sintetizadores e baterias eletrônicas estão presentes. Recomendo ouvir Cleaners from Venus em dias de chuva. Vale a pena dar uma olhada nessa coisa do casste, parece que está voltando e que durante os anos 80 e princípios de 90 foi uma cultura muito forte, lançando muita coisa boa. Reza a lenda foi por meio das fitas que o indie rock se fez.
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
David Bowie - Heroes (1977)
David Bowie é uma dessas personalidades únicas da música pop. Além de ser um divo, ainda mais nessa capa quando ele era bem 9inho (admito), a música não seria a mesma coisa sem ele. No caso o disco "Heroes" é um ponto chave para ele. Muitas vezes não nos damos conta da importância da Alemanha para entender o século XX, muita coisa importante rolou por lá, e afinal de contas foi o país dividido pela guerra fria (o que marcou o século passado). Foi no meio disso tudo que o Brian Eno e o Bowie resolvem dividir o aluguel de um apê em Berlim ocidental pois estavam bem impressionados com a cena musical de lá. Já estavam testando algo bem interessante em Low e o maravilhoso Idiot do Iggy Pop, Heroes foi o resultado mais amadurecido e acessível desta experiência toda. Marcados pela música ambiente, podemos perceber que faixas como Heroes ou Sons of the silent age, conseguem nos envolver profundamente. O incrível é que o disco é ótimo, desde o a primeira faixa até a última ele continua soando atualíssimo, e acho que todo o trabalho de Bowie ficou marcado por esta fase Berlim em especial este disco, vide a capa do albúm the Next day que é uma releitura da capa de Heroes. Apesar de trilogia "Berlim" de Bowie, este foi seu único disco inteiramente gravado na Alemanha, o estúdio utilizado por sinal foi Hansa Studio by the Wall, onde segundo contam os relatos da época, dava para ver os guardas vermelhos observando dentro do estúdio com binóculos. A ligação com a Alemanha foi tão forte neste disco que existe na edição alemã uma versão Heroes/Helden, onde a faixa título é cantada em alemão também. Meu contado com este disco foi através do filme de Christiane F., que pirava muito no camaleão do rock, e assistindo a película dá pra sacar a atmosfera que ele pretendia criar com este disco. Apesar de conhecer este disco já fazia algum tempo ele nunca chegou "a bater" pois o escutava em fones de ouvido, e te digo, ele foi feito para ouvir bem alto num bom aparelho de som, então corre lá e vai fazer isso de preferência a noite. Recomendo ouvir Harmonia antes.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Harmonia - Musik von Harmonia (1974)
Certa vez enquanto eu estudava alemão, um colega disse: “é bom
ficar de olho na Alemanha, tudo de importante surge ou passa por lá”,
arquitetura moderna, design, nazismo, capitalismo, liberalismo,
anarquismo, socialismo, ecologia, computação, movimentos sociais,
filosofia e claro a música – e não vou falar dos Beatles e
Hamburgo. Mesmo que muita coisa não tenha sua origem na Alemanha,
coisas acontecem por lá, a música contemporânea vai ver algo
chamado Kraut-rock surgir e dar origem a coisas fantásticas como
os discos da fase alemã de Bowie e isto que chamamos de música
eletrônica. Muita gente conhece o nome Kraftwerk, mas eles não são
os únicos agraciados com música boa e original. Como após a
segunda guerra a Alemanha foi ocupada pelos vencedores (praticamente
EUA de um lado e URSS de outro, dando origem a divisão), a cultura
americana vai se disseminar muito bem por lá. Junto com o
rock'n'roll também havia uma consciência de que a música americana
e inglesa não dava conta das angustias pelas quais os alemães
passavam. Se eles buscassem simplesmente imitar o que já existia não
havia novidade ou identidade nisso tudo e o máximo que alcançariam
seria a música schlager
(brega e vazia), mas por outro lado se eles fossem buscar
alguma originalidade na música folclórica da Alemanha estavam
lascados, pois aqui entre nós, é uma porcaria. Mais o menos nesse
impasse eles precisavam buscar algo completamente novo e deles.
Pegando o pico da onda do rock progressivo o kraut-rock adiciona
elementos eletrônicos e ganha sua forma (mas nem sempre seguindo
esta fórmula). Harmonia é uma das bandas mais importantes desta
movimentação que vai deixar Bowie e Brian Eno doidinhos alguns anos mais tarde.
Eles estão em algo que já me parece fora do Kraut-rock e estão
muito mais ligados a música eletrônica e ambiente. Harmonia é um grupo formado com boa parte da nata da música experimental alemã da época. Definitivamente
é um daqueles discos únicos que não surgem todo dia, especialmente
para quem está cansado de ouvir sempre a mesma coisa e busca algo
que consiga o levar mais longe. Vem sendo um dos meus discos favoritos especialmente quando a noite já está bem adiantada.
![]() |
| Apresentação ao vivo, e pensar que quase tudo isso cabe num computador. |
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Roxy Music - Country Life (1974)
"Você não conhece Roxy Music?", perguntei eu para uma amiga, e de imediato passei este disco para ela. Apesar da pergunta soberba eu não sou um profundo conhecedor da banda, sei de algo em relação a todo o trabalho produzido, especialmente no que se refere aos trabalhos solo de Brian Eno e Bryan Ferry. O nome da banda está no clube dos nomes impactantes como: Velvet Underground, Joy Division, Kraftwerk e Television. Mais do que um nome bonitinho Roxy Music é tão importante quanto as outras bandas citadas. Apesar de ser usualmente catalogada como uma banda de Glam Rock, eles não podem se resumir a isto apenas. O que teremos com Roxy Music para a música de maneira geral, é algo como uma versão mais pop do que foi o Kraut Rock, ou uma versão menos experimental do Kraut Rock. Se você ainda ficar em dúvida, espero que esta capa linda te ajude a convencer (como já disse antes, me atraio aos discos pela capa). Podemos perceber aqui linhas de guitarra únicas, um baixo bem marcado (o que pouca gente sabe, faz toda a diferença) e os toques únicos de Bryan Ferry.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Charanjit Singh - Ten Ragas to a Disco Beat (1982)
Apesar de pensarmos em Estados Unidos e Inglaterra quando falamos
sobre música pop, somos obrigados a engolir que os sujeitos a darem
forma a música eletrônica são alemães e que o primeiro disco para
ser tocado nas raves é da autoria de um indiano. O que temos na
índia afinal é esta multi faceta, de longe sua maior riqueza. Na
época o disco foi um verdadeiro fracasso, sendo redescoberto nos
idos de 2010 e elevado a categoria de primeira gravação de Acid
House que se tem notícia. A partir dai o sucesso foi garantido e
Charanjit Singh começou a fazer algumas performaces ao vivo. No
disco já podemos encontrar o uso do Roland TR-808 e Roland TB-303,
usados já naquela época e mais tarde por nomes como Afrika
Bambaataa e Yellow Magic Orchestra. O curioso é que tudo o que Singh
fez foi misturar a música tradicional indiana e o que havia de mais
moderno no período, a nascente música eletrônica.
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