Sem sombra de dúvidas se não fosse pelos Beatles a música hoje em
dia não seria a mesma coisa. Devo admitir que eles são de longe a minha
boy band favorita. Confesso que demorei anos para
gostar de fato deles, mas os caras são realmente bons no que fazem.
Mas tudo isto você sabe não é mesmo? O que temos de especial aqui
neste disco é que os Beatles estão flertando com a psicodelia e não
podemos esquecer eles são uma banda de música pop na época
em que Revolver é lançado. Desta forma eles acabam trazendo
mais do que a sitar para o grande público, estão misturando LSD com
música indiana e mostrando isso para o grande público. Pode parecer
estranho, mas o que eles estão fazendo é se esforçando por deixar o
mundo menos coxinha (inclusive eles). Esta psicodelia não está tão
clara quanto ficará mais tarde com Sgt Pepper, mas já temos
uma amostra mais clara do que no disco anterior Rubber Soul. As faixas Love you To e a matadora Tomorrow
Never Knows, usam da sitar e são as mais lisérgicas do disco
apesar de todo o mérito de canções como Yellow Submarine,
Taxman, Eleonor Rigby e outras tantas que acredito você já
conhece.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Charanjit Singh - Ten Ragas to a Disco Beat (1982)
Apesar de pensarmos em Estados Unidos e Inglaterra quando falamos
sobre música pop, somos obrigados a engolir que os sujeitos a darem
forma a música eletrônica são alemães e que o primeiro disco para
ser tocado nas raves é da autoria de um indiano. O que temos na
índia afinal é esta multi faceta, de longe sua maior riqueza. Na
época o disco foi um verdadeiro fracasso, sendo redescoberto nos
idos de 2010 e elevado a categoria de primeira gravação de Acid
House que se tem notícia. A partir dai o sucesso foi garantido e
Charanjit Singh começou a fazer algumas performaces ao vivo. No
disco já podemos encontrar o uso do Roland TR-808 e Roland TB-303,
usados já naquela época e mais tarde por nomes como Afrika
Bambaataa e Yellow Magic Orchestra. O curioso é que tudo o que Singh
fez foi misturar a música tradicional indiana e o que havia de mais
moderno no período, a nascente música eletrônica.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
VA - Simla Beat (1970-1971)
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| Capa do disco de 1970 |
Parece que Simla era a maior marca de cigarro na Índia durante os finais de 1960 e princípios de 1970. Como o rock estava em alta eles aproveitaram para criar um festival de rock para as bandas de toda a Índia apresentarem sua música. Esqueça qualquer referência a música clássica indiana, parece que os músicos aqui jamais ouviram falar em Ravi Shankar ou até mesmo na sitar. Tão pouco deixe de esperar qualquer canção cantada em hindu ou algo parecido, todas as canções aqui são em inglês, por sinal em nada parecido com o falado pelo dono do mercadinho dos Simpsons. De qualquer maneira, são boas canções e não ficam devendo em nada para a psicodelia de garagem que era produzida durante esse período em qualquer parte do mundo. As músicas encontradas aqui de maneira geral não são algo tão elaborado quanto teremos neste período nos países nórdicos, nem tão original quanto o que foi a Tropicália. Apesar de boa música esta compilação dos vencedores de um concurso produzido pela indústria do cigarro para atrair o mercado jovem da Índia, tudo não passa de uma cópia do que vinha sendo produzido nos EUA e RU, revelando um baixa autonomia cultural neste sentido, algo perceptível pelos covers contidos nesta compilação. Isso infelizmente lhes tira muito da originalidade que podemos esperar. Óbvio e vale lembrar que cada povo faz as coisas a sua maneira e sempre adiciona algo.
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| Capa do disco de 1971 |
O link leva direto para uma compilção dos dois discos.
Bahia Pirata
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Gun Club - Mother Juno (1987)
Acredito que Gun Club seja a banda mais famosa a misturar Blues com Punk. É uma mistura inusitada, mas que surte um efeito legal. Este disco em especial foi mais querido por mim durante algum tempo do que o famoso fire of love. As músicas são mais soturnas e adoro esta música simples e negra. Além de tudo a voz de Jeffrey Lee Pierce contém um desespero único. A faixa de abertura Bill Bailey já traz essa descrença com o mundo. Na época eu usava muito o transporte público, e Gun Club soava perfeito quando já estava escuro e era necessário caminhar pelas ruas já quase escuras. Com suas guitarras limpas, melancólicas e inconformadas. Este ar muito mais ligado ao pós-punk que encontramos aqui em Mother Juno acredito estar diretamente ligado ao seu consumo de drogas pesadas. No fim, só pela capa o disco já vale. Gun Club é único.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Riff - Macadam 3... 2... 1... 0... (1981)
Pappo Napolitano é uma lenda argentina. Já publiquei o som deles do Aeroblus, que é um rock pesado de primeira. Parece que nos finais da década de 1970, Pappo viaja para o Reino Unido e se encanta pela cena Heavy Metal da época e, em menor grau, pelo punk rock e o new wave. Claramente o som de Riff é um rock pesado (Heavy). Já te adianto que não suporto o Heavy Metal de maneira geral, porém o que temos em Riff é um rock pesado, muito mais ligado a Black Sabbath e outras bandas que precedem o que veio a se tornar mais tarde o famoso Metal. A Argentina tem boas músicas, igual aqui no Brasil, cabe a nós escutar os sons e selecionarmos o que mais nos agrada.
domingo, 29 de dezembro de 2013
Top Surprise - Klouds EP (2013)
Não sou de catar novidades, apenas busco música boa, especialmente aquela que você não consegue em qualquer lugar. Numa dessas investidas o site da Bandcamp se mostra ótimo. Foi ali procurando que encontrei este EP simpático da banda Top Surprise. O som deles é bom, especialmente pra que gosta de barulho, o que é de longe a praia deles. Apesar de meu certo desprezo para bandas nacionais que cantam em inglês (tenho aquele lance anti-imperialista sabe?) não posso fazer ou falar nada quando fica bom, e este é o caso doo Top surprise. Infelizmente nunca pude ver uma apresentação ao vivo deles. Foram lançados pela PugRecords.
sábado, 28 de dezembro de 2013
TSOL - Change Today? (1984)
Os anos 80 reservam muita coisa boa entre todo aquele pop famosérimo e o hard rock farofagem. Você precisa de paciência e vontade mas sempre se encontram coisas boas, Cure talvez seja o exemplo mais clássico. Havia uma cena underground durante os anos 1980 que será importante para coisas que surgem depois como Nirvana, My Bloody Valentine e Mudhoney. Não podemos esquecer todas essas citadas começam suas atividades no final de oitenta. O Skate estava muito ligado ao punk neste período, algo que me parece, vai mudar nos anos 1990 (assim como o estilo de andar, se aproximando muito mais do rap). Podemos sentir a importância que foi o punk rock para a música rock, pois o mais importante dito por aquele punhado de bandas do final dos anos 1970 foi, "faça a sua música", acabando com várias regras - vide Clash. Tsol é uma dessas bandas importantes do período, sua canção "Flowers by the Door" é sem dúvida a melhor canção do disco seu ar é bem soturno.
domingo, 22 de dezembro de 2013
Olho Seco - Os Primeiros Dias (1981-1983)
Gosto mesmo é de melodia, mas olho seco é uma banda especial para mim. Conheci a banda no meu aniversário, porém quem convidou seus amigos foi minha irmã mais velha (sempre ela) e vieram seus amiguinhos punks da época. Moicanos, camisetas de banda e all-stars desfilavam pela casa. Um desses amigos tinha um disco do olho seco (botas fuzis e capacetes), e era a audição do dia. Ele emprestou o cd, graamos em fita k-7, e acabei entendendo as letras e acordes do Olho seco. Porém, pelo que percebo da banda eles se tornam mais rápidos conforme o tempo passa, e isso não me agrada muito (prefiro os Ramons ao GBH). Nisto que me aparece este disco, "Os primeiros dias", é um baita disco, é agressivo, rápido, mas o suficiente para se manter inteligível. Gosto bastante do som da banda ai, é muito bom e vale a pena ser ouvido. Pensar que essa música era feita no Brasil no começo dos anos 80 é muito gratificante. Considero o punk nacional muito particular e original.
sábado, 21 de dezembro de 2013
Autoramas - Motocross (1999)
Autoramas está entre as minhas bandas nacionais favoritas, já os conhecia da leva de boas bandas que houveram no Brasil durante os anos 1990. Você com certeza conhece canções como "fale mal de mim", "você sabe" ou alguma outra. Faz anos que eles vêm sobrevivendo no Underground e infelizmente nunca vi um show deles (algo que dói no meu coração). Enquanto o fatídico show não acontece vamos ouvindo este EP lançado em 1999 com duas faixas instrumentais. A banda faz um som trabalhado sem abandonar a querida simplicidade.
obs: os links do piratebay vêm mudando constantemente devido a problemas do site que muda constantemente de país.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Suicide - First Album (1977)
Suicide é um duo, bateria eletrônica, sintetizador e vocal. Seu som é bem particular e está ligado ao punk nova iorquino dessa época. Óbvio que eles seriam um episódio a parte, mas não os desconsidero de toda aquela cena descrita em mate-me por favor, apesar de não lembrar deles no livro. De qualquer forma pelo que eu sei eles foram e continuam sendo muito influentes, é só ouvir que alguns sons serão familiares. É uma música sombria, e por vezes difícil de ouvir (confesso que raramente escuto mais de duas músicas seguidas). Ghost Rider é o grande hit do disco. Se você se interessa pela música "eletrônica", Suicide é parada obrigatória para qualquer listinha dos discos mais importantes. Selvagem é o som deles. E aproveitem antes que não tenhamos mais piratebay.
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