Até onde sei, quando Joe Strummer lançou esta série de discos fazia muito tempo que ele andava sumido, ninguém mais parecia saber de seu paradeiro. Quando de súbito ele aparece com esta série de albúns de canções inéditas, quando sem que ninguém esperasse ele morre. Este disco em especial é lançado postumamente, porém da série lançada por ele e os Mescaleros na virada de 1999-2000, este é o disco com o qual eu mais estou familiarizado. Temos boas músicas, mas o problema é que em relação ao que foi produzido durante os tempos do Clash, podemos nos decepcionar um pouco. Mas vale lembrar que a sonoridade aqui é diferente, Strummer buscava um novo caminho. De maneira geral temos uma fusão entre o rock e o reggae mais madura e sólida, já bem marcada e regrada. Joe Strummer abusa dessas fusões e praticamente não usa a sonoridade punk, pela qual ficou famoso. Ele está ligado a estes elementos fusion e a aquilo que foi chamado de pub rock, que ele já havia feito com os 101ers. Não é um disco de todo forte, óbvio que não é ruim também, mas sem dúvidas este albúm não teria tanta expressão caso fosse lançado por outra pessoa. Ainda assim vale a pena, só não espere por punk rock, é a última coisa que você vai encontrar.
segunda-feira, 3 de março de 2014
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
The Cure - Staring at the Sea (1986) Singles
Antes de fazer este post tive que verificar se já não o tinha feito. Staring at the Sea é um puta disco do Cure e seu único defeito é ser uma coletânea. Minha relação com este disco começou lá pelos meus 13-14 anos quando eu descobri os sebos e as revistinhas de super-herói, comprava montes de Conan, X-men, Justiceiro e outras coisas do naipe. No meio disto tudo minha irmã arrumou um toca discos e meu irmão se interessava mais do que eu por música, ficando horas vasculhando lps antes dessa moda toda. Éramos duas criancinhas que entendiam alguma coisa de música e acabávamos fazendo os olhos de uns tiozões brilharem por uns segundos enquanto catávamos um vinil ou outro de artistas como Led Zeppelin, Janis Joplin ou Black Sabbath. Lembro muito bem que cheguei a ter este staring at the sea nas mãos, pegar o vinil é outra coisa como devem saber, é maravilhoso, a capa é um poster, te pega quando é bem feita. Pelo que me lembro do encarte tem outras fotos desse cara da capa que parece ser um pescador ou algo do gênero, e por isso até hoje a ideia de praias desertas e frias em preto e branco me lembram os anos 80 - e realmente esse é um clichê da época. Ocorreu que eu gastei mais com gibis do que discos naqueles tempos, e me dói o fato de que se eu quiser ter esse vinil hoje em dia gastarei muito mais do que dez ou quinze reais, tal qual ele custava na época (o que não parece mas dava um monte de gibi). Não sou fã das coletâneas, mas você tem que começar de algum jeito. Anos mais tarde no mesmo sebo minha namorada encontra este disco em versão CD, não estava afim de cometer o mesmo erro e levei ele comigo (algumas vezes eu dou uma dentro). O curioso é que acaba-se pegando uma fase cronológica do Cure, no começo seu som é relativamente elaborado, para depois (na fase em que termina este disco) estarem numa simplicidade que beira o pop - e óbvio pesando por uma fase dark pesada. Aquelas faixas que conheci pela rádio estão ali, close to me, in between days, lovecats e a faixa que demorou algum tempo para emplacar mas hoje é um sucesso que até me causa certa irritação, boys don't cry. Mas além disso temos estas faixas da fase inicial quando eles indicavam ser um relativo fracasso, Killing an Arab lembremos é do primeiro disco. Há faixas interessantes como a forest, que na minha opinião deveria tocar nas festas de halloween, e as magnífica walk e let's go to bed, que tem uma pegada bem mais discoteca do que as outras faixas. Cure acaba não parecendo uma banda muito forte no começo, mas eles são os caras que conseguiram mostrar o outro lado do anos 1980 para muita gente. Poderiam ser odiados por isso (tornarem algo mainstream), mas suas músicas são legais demais para isso, e acabam salvando alguns bailes de formatura por ai - mesmo que seja pedindo pros garotos não chorarem, mais uma vez! Atualmente estas coletâneas servem muito bem para quando se está impaciente e você quer passar poucos discos para o mp3 para ter o suficiente de Cure mas não uma enxurada. Por fim é quase um dos únicos discos que tenho deles, e vira e mexe estou tocando ele para me acompanhar na faxina ou café.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Wild Nothing - Empty State (2013) EP
Wild Nothing foi uma indicação de uma amiga minha. Não sou o tipo de pessoa que fica ligada nas novidades, mas sei que o pessoal do wild nothing está vivo, o que parece ser um bom começo. Seu som está ligado a isso que vêm sendo chamado de dream pop, estilo que me agrada muito e parece ter toques sinceros de LSD. Assisti agorinha o filme As vantages de ser invisível, e bem, apesar de não tocar nenhuma música da banda, o som deles pareceu combinar bem com o clima. Atualmente venho buscando sons novos e a música feita no campo do "eletrônico" está me surpreendendo muito e agradando cada vez mais. Wild Nothing é uma dessas bandas que espero durem mais do que uma estação, pois eles possuem sonoridade suficiente para isso. Usando e abusando de instrumentos tradicionais, associados a esse caráter eletro, acabam criando uma atmosfera sonora muito agradável.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Rakta - S/T (2013)
Muita gente vai querer me atirar pedras ao afirmar que o rock nacional é muito mal representado, não temos grandes bandas, o que temos são bandas que continuam até hoje porque em algum momento lançaram um ou dois discos bons e por causa disso estão ai até hoje. De maneira geral temos músicas fracas, seja pela composição pouco original ou pelas letras capengas. Essas afirmações acima podem dar a entender que um "rock brasileiro" ou uma "cena" rock nacional seja impossível e suas tentativas sejam ridículas, ledo engano. Há muita banda boa, que vai te divertir muito durante o show e que têm músicas boas o suficiente para escutar em casa mais tarde, entretanto estas bandas estão nesta coisa chamada underground e/ou circuito alternativo. O apoio vêm dos fãs que assistem os shows, e só. Rakta é uma dessas bandas. Nunca havia assistido uma banda formada apenas por garotas, o que é muito raro e necessário - afinal, punk rock não é só pro seu namorado. Fui assistir o show das garotas sem conhecer uma música se quer (como venho adquirindo o hábito de fazer), e foi um show que eu não esperava, de tão positivo que acabou sendo. Apesar de não apresentarem nenhum mega virtuosismo no manuseio dos instrumentos, todas elas sabem o que fazer e fazem o necessário. Entretanto elas poderiam cair na velha cartilha punk rock, e criarem uma sonoridade repetitiva, que apesar de serem composições próprias, você já conheceria. Elas trazem um som original que me pareceu uma mistura do punk, pós-punk e uma pegada industrial. Não sei se era pelo espaço pequeno onde elas tocaram, mas conforme a banda desenvolvia seu som acabavam criando toda uma atmosfera sonora que te envolvia e pedia para que se entregasse cada vez mais. Além de tudo a banda fez esta capa lindona.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
David Bowie - Heroes (1977)
David Bowie é uma dessas personalidades únicas da música pop. Além de ser um divo, ainda mais nessa capa quando ele era bem 9inho (admito), a música não seria a mesma coisa sem ele. No caso o disco "Heroes" é um ponto chave para ele. Muitas vezes não nos damos conta da importância da Alemanha para entender o século XX, muita coisa importante rolou por lá, e afinal de contas foi o país dividido pela guerra fria (o que marcou o século passado). Foi no meio disso tudo que o Brian Eno e o Bowie resolvem dividir o aluguel de um apê em Berlim ocidental pois estavam bem impressionados com a cena musical de lá. Já estavam testando algo bem interessante em Low e o maravilhoso Idiot do Iggy Pop, Heroes foi o resultado mais amadurecido e acessível desta experiência toda. Marcados pela música ambiente, podemos perceber que faixas como Heroes ou Sons of the silent age, conseguem nos envolver profundamente. O incrível é que o disco é ótimo, desde o a primeira faixa até a última ele continua soando atualíssimo, e acho que todo o trabalho de Bowie ficou marcado por esta fase Berlim em especial este disco, vide a capa do albúm the Next day que é uma releitura da capa de Heroes. Apesar de trilogia "Berlim" de Bowie, este foi seu único disco inteiramente gravado na Alemanha, o estúdio utilizado por sinal foi Hansa Studio by the Wall, onde segundo contam os relatos da época, dava para ver os guardas vermelhos observando dentro do estúdio com binóculos. A ligação com a Alemanha foi tão forte neste disco que existe na edição alemã uma versão Heroes/Helden, onde a faixa título é cantada em alemão também. Meu contado com este disco foi através do filme de Christiane F., que pirava muito no camaleão do rock, e assistindo a película dá pra sacar a atmosfera que ele pretendia criar com este disco. Apesar de conhecer este disco já fazia algum tempo ele nunca chegou "a bater" pois o escutava em fones de ouvido, e te digo, ele foi feito para ouvir bem alto num bom aparelho de som, então corre lá e vai fazer isso de preferência a noite. Recomendo ouvir Harmonia antes.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Harmonia - Musik von Harmonia (1974)
Certa vez enquanto eu estudava alemão, um colega disse: “é bom
ficar de olho na Alemanha, tudo de importante surge ou passa por lá”,
arquitetura moderna, design, nazismo, capitalismo, liberalismo,
anarquismo, socialismo, ecologia, computação, movimentos sociais,
filosofia e claro a música – e não vou falar dos Beatles e
Hamburgo. Mesmo que muita coisa não tenha sua origem na Alemanha,
coisas acontecem por lá, a música contemporânea vai ver algo
chamado Kraut-rock surgir e dar origem a coisas fantásticas como
os discos da fase alemã de Bowie e isto que chamamos de música
eletrônica. Muita gente conhece o nome Kraftwerk, mas eles não são
os únicos agraciados com música boa e original. Como após a
segunda guerra a Alemanha foi ocupada pelos vencedores (praticamente
EUA de um lado e URSS de outro, dando origem a divisão), a cultura
americana vai se disseminar muito bem por lá. Junto com o
rock'n'roll também havia uma consciência de que a música americana
e inglesa não dava conta das angustias pelas quais os alemães
passavam. Se eles buscassem simplesmente imitar o que já existia não
havia novidade ou identidade nisso tudo e o máximo que alcançariam
seria a música schlager
(brega e vazia), mas por outro lado se eles fossem buscar
alguma originalidade na música folclórica da Alemanha estavam
lascados, pois aqui entre nós, é uma porcaria. Mais o menos nesse
impasse eles precisavam buscar algo completamente novo e deles.
Pegando o pico da onda do rock progressivo o kraut-rock adiciona
elementos eletrônicos e ganha sua forma (mas nem sempre seguindo
esta fórmula). Harmonia é uma das bandas mais importantes desta
movimentação que vai deixar Bowie e Brian Eno doidinhos alguns anos mais tarde.
Eles estão em algo que já me parece fora do Kraut-rock e estão
muito mais ligados a música eletrônica e ambiente. Harmonia é um grupo formado com boa parte da nata da música experimental alemã da época. Definitivamente
é um daqueles discos únicos que não surgem todo dia, especialmente
para quem está cansado de ouvir sempre a mesma coisa e busca algo
que consiga o levar mais longe. Vem sendo um dos meus discos favoritos especialmente quando a noite já está bem adiantada.
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| Apresentação ao vivo, e pensar que quase tudo isso cabe num computador. |
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Pankrti - Rdeci Album (1984)
O que rola nas bordas? O que acontece nos lugares que a gente até esquece que existem? Pankrti foram uma importantíssima banda de punk rock da Eslovênia durante os anos 80. Mais do que isso, sua sonoridade é aquele punk rock que já conhecemos, mas eles fazem soar do jeito deles. Para melhorar sei que a banda adotava uma postura política interessante, simpatizando abertamente com os movimentos anarquistas e comunistas. Rdeci album significa albúm vermelho, referência a doutrina comunista. Devido a esse posicionamento foram uma das primeiras bandas do chamado Yugo Rock a se posicionarem contra a guerra civil que acabou desmembrando a Iugoslávia. Sua melhor música não está ai, é "Anarhist", mesmo assim vale a pena ouvir este disco. Parece que este seria o disco clássico da banda, seu melhor trabalho. Os caras pareciam ser ótimos músicos.
&
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Roxy Music - Country Life (1974)
"Você não conhece Roxy Music?", perguntei eu para uma amiga, e de imediato passei este disco para ela. Apesar da pergunta soberba eu não sou um profundo conhecedor da banda, sei de algo em relação a todo o trabalho produzido, especialmente no que se refere aos trabalhos solo de Brian Eno e Bryan Ferry. O nome da banda está no clube dos nomes impactantes como: Velvet Underground, Joy Division, Kraftwerk e Television. Mais do que um nome bonitinho Roxy Music é tão importante quanto as outras bandas citadas. Apesar de ser usualmente catalogada como uma banda de Glam Rock, eles não podem se resumir a isto apenas. O que teremos com Roxy Music para a música de maneira geral, é algo como uma versão mais pop do que foi o Kraut Rock, ou uma versão menos experimental do Kraut Rock. Se você ainda ficar em dúvida, espero que esta capa linda te ajude a convencer (como já disse antes, me atraio aos discos pela capa). Podemos perceber aqui linhas de guitarra únicas, um baixo bem marcado (o que pouca gente sabe, faz toda a diferença) e os toques únicos de Bryan Ferry.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Música Indiana
Para além de todo o misticismo em torno da Índia, o que há de mais
tátil lá é a sua pluralidade. Talvez a Índia seja, junto com o
Brasil, um dos únicos países no mundo com tanta diversidade
cultural. As questões religiosas refletem isso, há tantas religiões
na Índia quanto ritmos musicais. O instrumento mais famoso é de
longe a Sitar. Seu som peculiar é largamente associado a psicodelia.
Dentre os músicos que tocam Sitar, Ravi Shankar é uma espécie de
Jimi Hendrix do instrumento.
Por acaso é o disco the sounds of India
de Ravi Shankar que está no livro 1001 discos para ouvir
antes de morrer – onde
clássicos e mais clássicos da música pop aparecem. O disco não
foi escolhido por acaso, é nele que temos a faixa an
introduction to indian music,
onde ele explica coisas básicas como o tempo da música indiana. A
ideia é ótima para nós ocidentais irmos conhecendo a música
oriental e entendermos ela. Apresentando em separado cada parte, elas
ficam mais claras quando executadas junto. Igual aquela cena do
Moonrise Kingdom.
A música europeia é a que criou as partituras, onde as notas estão
indicadas e o tempo da música está ali também (colcheias, semi
colcheias, etc). Este tipo de notação musical surge com um tipo de
música, a europeia.
Porém tem algo que pode estranhar a nossos ouvidos acostumados com a
voz humana, não há vocais na música de Ravi Shankar. E se existe
algo bonito são as variações feitas pelas Surdas. Elas são
cantoras de hinos sagrados, geralmente em devoção a Krishna. Como
muitas delas são cegas, se crê que a cegueira lhes facilitaria a
habilidade para o canto, sendo sua voz um dom divino. As letras são
em forma de poesia, hinos devocionais. Você com certeza já ouviu
algum canto devocional das surdas, nem que seja como trilha de fundo
de algum filme ambientado na Índia. Por acaso um belo dia encontrei
o disco Surdas Bhajans hindi devotional de Sangitha Kalanidhi
M. S. Subbulakshmi. Mesmo sem conseguir pronunciar seu nome, me
apaixonei por sua música rapidinho. A presença de vocais se mistura
com outros instrumentos da música indiana que geram um som tal que
te leva para longe.
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| George Harrison e Ravi Shankar |
Mesmo começando com o clássico Ravi Shankar, muita gente (inclusive
eu) parou para ouvir alguma música indiana com os Beatles,
mais especificamente George Harrison e o disco Revolver.
George Harrison é apontado como um dos precursores na mistura da
música indiana clássica com o rock, chegando até mesmo a tomar
aulas de sitar com Ravi Shankar e ficando um bom tempo na Índia para
se aperfeiçoar. Seu trabalho é notório, mas segundo declarações
suas ao justificar seu “abandono” da Sitar coloca: “jamais
chegaria a ser um bom tocador de sitar e isso não melhorou em nada
minha guitarra”.
Acredito que a mistura da música indiana com o rock tenha seu
exemplo mais bem sucedido com Ananda Shankar, parente de Ravi
Shankar. Ananda foi encontrado por Jimi Hendrix em Nova York que logo
o convidou para produzirem alguma música juntos. Parece que Jimi
Hendrix buscava um som novo e amou a Sitar de Ananda. Até chegaram a
ir para o estúdio, mas tudo o que Hendrix e Shankar conseguiram foi
brigar. Depois disso Ananda Shankar decidiu gravar seu próprio
disco. O resultado foi o homônimo Ananda Shankar em 1970.
Depois da era hippie a cultura indiana parece que conseguiu
furar um pouco essa cultura ocidental moderna tão dura e rígida. O
objetivo da contracultura é justamente este, criar algo novo em
negação a sociedade que existia, uma alternativa para esse mundo
cão.
Recentemente tomei contato com o som ácido indiano dos anos 1960.
Como em todo lugar, eles produziam sua própria versão daquele som
maravilhoso dos incríveis anos sessenta. Gosto bastante desta
psicodelia de garagem, muito mais do que todo o refinamento e
perfeição de bandas como Yes ou Pink Floyd. A sujeira
faz com que as coisas sejam menos estéreis.
Se você já assistiu Ghost World, com toda certeza gostou da
entrada quando toca Jaan Pehechaan ho, a música mais
explosiva para balançar braços e cabeça na sua vida! Partindo dai,
podemos perceber que não só de música clássica vive a Índia.
Apesar de toda yoga e ayurveda, eles possuem seu lado
ocidental. Podemos escutar a Simla Beat, coletânea do
festival organizado pela marca de cigarros Simla, que gravou em duas
edições as músicas dos participantes vencedores (o concurso ocorria em várias regiões da Índia). Não espere por Sitars ou
algo indiano, temos um esforço descarado em imitar as bandas
americanas e inglesas. Curioso afinal, já que o que torna a Índia tão famosa,
e não só na música, é essa sua particularidade em relação ao
mundo ocidental (europeu). Simla Beat não passa de uma boa
coletânea de música rock psicodélica de garagem indiana dos anos
1960, som fácil e gostoso de ouvir. Mas o encontro entre a Índia e
a cultura ocidental não para por ai.
![]() |
| Om, provavelmente o mantra mais famoso. |
O que pouca gente sabe é que a província indiana de Goa, que foi
até o ano de 1962 colônia portuguesa, vai se transformar num reduto
dos Hippies. Isso fará com que mais tarde Goa se transforme
num templo das raves, e parece continuar sendo. O curioso
é que um dos primeiros discos para as raves é produzido na
Índia! Charanjit Singh lança seu Ten ragas to a disco beat,
e temos a rave lançada para o mundo. O nome já anuncia o
caráter meditativo da música (lembra do raga citado acima?). Nada
mais que os primórdios do eletrônico. Pode nos parecer até mesmo
demasiado repetitivo, mas imagine este som em 1982! Loucura pura!
Ocorre que a Índia tem um caldeirão de sons tão grande quanto sua
variedade religiosa, e por isso independente de ser tocado por um
instrumento sagrado como a Sitar, a ideia do contato com o seu ser
está sempre ali, e isto talvez seja o mais importante da música
indiana para nós ocidentais, motivados por máquinas, fumaça e o
tempo marcado do relógio.
Ps: para mais informações sobre os discos e download, clique nos links ;)
Ps: para mais informações sobre os discos e download, clique nos links ;)
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Wang Wen - IV (2008)
Não sei ao certo quando surge o post-rock, só sei que ultimamente cada vez mais pessoas ao meu redor são apaixonadas pelo estilo. Para mim o post-rock tem o mesmo problema que o do progressivo, as músicas são muito grandes, geralmente muito tranquilas e você tem que sentar e ouvir elas. São músicas que devem ser ouvidas. Isso acaba fazendo com que se torne difícil fazer uma audição do estilo enquanto se está lavando a louça por exemplo (já que você está dividindo sua atenção entre música e louça), acaba-se tendo fácil uma má audição da música e ela acaba causando certa irritação. Nestes tempos de imediatismo ouvir discos do começo ao fim é tarefa árdua. Wang Wen é uma dessas bandas de post-rock que não devem nada a ninguém, seu som é lindo. Considero eles tão bons quanto a turma do Mogwai, mas já aviso que eles são diferentes. Para começo de história os rapazes são da China, parece que cantam em inglês (e muito pouco). Todos os elementos de um bom post-rock estão ali, guitarras infinitas imitando na intensidade das ondas do mar, os famosos crescendo, solinhos e escalas. Este disco foi um achado que acabei tendo por acaso, gosto bastante dele, apesar de ouvi-lo pouco e ter demorado para escutar todas as músicas. Sei que os sujeitos usam alguma coisa das escalas de música chinesa, o que creio acaba dando o toque particular deles. Como me parece ser típico dos chineses, eles fazem tudo bem feito.
Para nossa sorte parece que a própria banda disponibilizou esse disco para download.
De qualquer forma aqui está um torrent subido por mim com o arquivo que eu tenho comigo.
Chute no cü
De qualquer forma aqui está um torrent subido por mim com o arquivo que eu tenho comigo.
Chute no cü
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