Certamente Wire é uma banda histórica devido a clássica trilogia Pink flag, Chairs Missing, 154, onde a banda consegue se reinventar e criar novas sonoridades em um curto espaço de tempo, pra quem não sabe os discos são de 1977, 1978, 1979! É estranho que a banda não tenha vingado muito, seu som não é tão contagiante quanto o do Sex Pistols, ou não pega tão fundo quanto Joy Division, bandas que estavam na ativa quando esta banda surge. Ainda assim, Wire é uma banda que vale a pena sentar e escutar, nunca se negaram e se reinventar e assim seguiram. O que pouco gente sabe é que a banda praticamente nunca parou, diminuiu suas atividades, mas sempre continuou produzindo, e o melhor, além de sua fase clássica ainda assim lançaram material muito bom. Quando me dei conta de que sua discografia seguia até os dias atuais tive que buscar algo mais recente da banda e acompanhar o que estava rolando, diferente do que ocorreu na minha busca pelo stranglers, a decepção não veio, eles não ficaram bregas ou com uma pegada menos marcante, pelo contrário mais uma vez eles conseguem se reinventar, compor uma nova sonoridade, pegar o que há de mais além na sua área e seguir em frente. Quando observamos bandas por um longo período de tempo, acabamos nos dando conta de como isso é importante, ainda mais quando nos deparamos com um disco como esse, que não fica devendo em nada para o peso que Wire acaba tendo.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
domingo, 27 de abril de 2014
Cure - Seventeen Seconds (1980)
A fase obscura do Cure é simplesmente o que eles fizeram de melhor e mais original. Seventeen Seconds é o segundo disco da banda e já lançam um clássico. Considero a sonoridade bem diferente do disco anterior o Three imaginary boys, a estrutura minimalista das músicas, o uso constante do flanger, dão ao som uma ambiência e corpo únicos. Na época os membros da banda sabiam que faziam um som novo, não por acaso na época eram chamados de "o novo Joy Division". Confesso que o disco me pegou durante uma madrugada. A música é uma experiência estética e por isso as sensações são importantes para sentir melhor a sonoridade. Não há muito o que falar de algo que já é bem consagrado.
sábado, 26 de abril de 2014
Click - Wampum (1983)
The Click é uma banda originária de Lincoln, Nebraska. Pra quem não sabe isso quer dizer que eles são de uma cidade nem grande nem pequena no meio dos EUA. Me chama a atenção para a sonoridade que eles faziam, a guitarra faz sua sonoridade simples, a bateria é bem marcada, e o destaque fica por conta do contra-baixo, por vezes sintetizado. Fiquei impressionado com a originalidade da banda, que apesar de fazer algo que era a linha underground da época, consegue criar algo relativamente original. Minhas faixas favoritas são Elephant e Wednesday's Volume. Este é o EP que encontrei deles, há algumas outras coisas perdidas por ai, até mesmo alguns clipes publicados no youtube, e até parece que recentemente a banda fez algum revival.
Traga a bóia!
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Pulp - It (1983)
Pulp é uma banda clássica, mas ao mesmo tempo misteriosa. Possui uma rotatividade grande de músicos e de estilos, apesar de manter uma mesma linha "indie" sempre. Confesso que conheço bem pouco sobre a banda, e para dizer a verdade o único álbum que conheço a fundo é o It, disco de estréia da banda. A sonoridade do disco é bem particular, por mais que não seja um disco de música "folk", o uso constante do violão ao longo do disco acaba remetendo a este estilo. É uma música bem na linha: tomando café e lendo livros num domingo chuvoso. Temos canções como in many ways ou love, love, que são uma fofura e dão vontade de sair pulando por ai em campos floridos. Essa capa minimalista é uma beleza. Disco para momentos de paz e calma.
domingo, 13 de abril de 2014
Beach Fossils - What a Pleasure (2011)
Definitivamente a sonoridade atmosférica e sombria dos anos 80 me encanta, mas não são muitas bandas que conseguem fazer este tipo de som com propriedade, Beach Fossil é uma dessas bandas. Suas canções parecem querer te absorver e te levar para algum lugar tranquilo. As guitarras ecoam longe ao longo do disco. Acabei descobrindo o som numa discotecagem, achei tão bom que fui obrigado a perguntar que som que era, e bem, não me arrependi de nada. Para começar a conversa sobre Beach Fossils, deixo este EP lançado em 2011 pelo novaiorquinos.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Brian Eno - Here come the warm jets (1974)
A música não seria a mesma coisa sem a presença de Brian Eno. Nos últimos tempos comecei a prestar mais atenção no que ele fez e anda fazendo. Bowie não teria gravado a fase Berlim com tanta qualidade sem a presença de Eno, quem sabe Bowie não teria inovado para além de Ziggy Stadust. Suposições é claro, não levam a nada. De fato, Brian Eno ainda participava da genial banda Roxy Music quando se lançou em aventuras solo. Há um disco anterior a Here come the warm jets, mas ele é experimental num nível muito particular e quem sabe ouço ele decentemente e posto aqui. O que me chama atenção é que este disco é experimental, Eno está claramente buscando novos rumos para a música, ainda um tanto tímido e mais longe da música ambiente, da qual parece ser o papa. Vale colocar que ele não é o criador da música ambiente e isto ainda merece uma postagem.
O que vale a pena no disco é a qualidade das músicas. Tendo como importante colaborador Robert Fripp, membro fundador do King Crimson, as músicas curtas e as guitarras marcantes nos deixam hipnotizados. Além de toda a repetição hipnotizante que eu adoro, a melodia marca sua presença. Destaque especial para Needles in Camel's eyes e Babys on Fire, presentes na trilha sonora de Velvet Goldmine. Todas as outras faixas são ótimas.
domingo, 23 de março de 2014
Las Vegas Grind, part 2
Las vegas é um simbolo muito forte da cultura americana. Parece que por lá as coisas são todas possíveis, talvez por isso sua conotação sexual tão forte (mesmo que hoje em dia seja proibida a prostituição dentro dos limites da cidade). A música querendo ou não sempre foi algo importante na sociedade, seja como algo principal da noite, seja apenas como ambiência ou como pano de fundo para um show de strip tease. O que chama atenção aqui é este "rockabilly" incomum, particular, estranho, difere do Little Richard, Elvis ou Chuck Berry, mas ainda é Rockabilly. A originalidade chama muito a atenção, talvez pelo propósito final as músicas tem poucas vozes, geralmente quando se canta ou fala é alguma brincadeira ou simplesmente berros e gemidos, essas brincadeiras são acompanhadas pela banda que batuca aqui, toca um acorde diferente ali, muda o ritmo e por ai vai. De qualquer forma é uma boa coletânea para se ter. Logo posto as outras partes (parece que há até o volume 6).
segunda-feira, 17 de março de 2014
The Palatine Factory Story (1978-1990)
Muito provavelmente você deve ter uma camiseta do Joy Division, deve ouvir seus discos e balançar o esqueleto enquanto ouve blue monday do New Order. Deve adorar a mistura de rock com eletrônico, do eletrônico em si e de sons experimentais. De certa forma todo mundo sabe o que foi o punk rock pelo mundo, ele deu a possibilidade de qualquer pessoa fazer uma banda e seu som. Querendo ou não isso foi super importante e praticamente tudo de original que temos depois do final dos anos 1970 deve alguma coisa ao punk rock.
A cena de Manchester deve em muito. Mas precisamos sempre entender o que foi essa cena, pois muitas vezes pode parecer difícil sacarmos a importância da coisa toda. Parece que a maior parcela da população mora em cidades médias ou algo parecido (não conheço bem as estatisticas), e de uma forma ou de outra sempre parecem haver centros que emanam as tendências e se mostram os únicos privilegiados com as inovações e novidades. Apesar da decadência Novaiorquina de finais de 1970, ainda estamos falando de Nova Iorque - e Londres. Cidades consagradas como importantes centros cosmopolitas, enquanto nós, os caipiras, morremos de tédio
Até certo ponto haviam condições propícias na cidade de Manchester, não era algo minúsculo, afinal foi ali que a revolução industrial começou, o que lhe garantia uma urbanidade. Ao mesmo tempo não podemos esquecer de toda a decadência pela qual a região passava devido a mudança macro econômica inglesa, que pretendia diminuir a produção e aumentar a prestação de serviços (não por acaso são hoje muito mais um centro financeiro do que produtor, o que lhes ocasiona problemas algumas vezes). Mas quem ouvia falar de Manchester naquela época? Ninguém, era apenas mais uma cidade esquecida. Tony Wilson talvez seja a resposta que desejamos. Rapaz estudado numa boa universidade, arranja emprego numa rede televisiva do interior. A partir de seu emprego ele percebe a oportunidade que se mostrava e começa a produzir estas bandas, não demorando muito funda a Factory, uma gravadora tão importante quanto a Sub pop, e por meio dessa gravadora lançavam muita coisa boa além de Joy Division e New Order.
Parece que o pessoal de Manchester sempre estava ligado no que estava rolando de bom na época. Antenados com o que havia de melhor podemos ouvir músicas lindas como sketch for summer do Durutti Column, Hymn from a village da banda James até as eletrônicas Cool as ice 52nd steet e Yashar da consagrada Cabaret Voltaire. Isso tudo somado as faixas obrigatórias de Joy Division, New Order e Happy Mondays. Se você quer agitar uma festa pós-punk ou quer ouvir aquele sonzinho anos 80 alternativo, essa é a coletânea. O bom é que diferente de muitas coletâneas, muito som você dificilmente encontrará em outro lugar.
Marcadores:
70,
80,
90,
acid house,
art rock,
classic house,
disco,
dub,
eletro,
experimental,
funk,
garage,
indie,
New wave,
pop,
pós-punk,
proto-punk,
psicodelia,
UK
terça-feira, 11 de março de 2014
Chicago House Music Classics
Com certeza um dos estilos musicais mais populares da atualidade é a música eletrônica, e um dos gêneros de música eletrônica mais conhecido e apreciado é a house music. Originária da cidade de Chicago em meados dos anos 80 (1984, pra ser mais exata), esse novo estilo de dance music tocava no clube Warehouse, e as pessoas iam as lojas de discos procurando "por aquela música que toca na Warehouse", logo rolou o encurtamento do nome do clube, a popularização do gênero e nasceu o House.
Chicago House Music Classics é uma compilação do early house e classic house dessa época, com clássicos e tracks raras. O classic house é muuuuito diferente da house music que toca nos clubes de hoje em dia. Além do tempo tempo das batidas 4/4, o classic house tem bpm baixo e muitas músicas ainda gravadas com "instrumentos de verdade", como piano, bateria e baixo. Em algumas você nota a "modernização" com sintetizadores, baterias eletrônicas e samplers. Como são 189 faixas (!) no CHMC, há faixas das primeiras fases do house, quando ainda era muito parecido com funk e disco; cheias de pegadas dançantes e vocais. Há ainda faixas com a produção eletrônica bem mais refinada, podendo-se realmente observar uma semelhança com a música eletrônica contemporânea, como referência, mas quando a música "fica boa", surge um vocal melódico com letras românticas (pô!). De qualquer maneira, classic house é um gênero que você só consegue entender e gostar a não ser se você "viveu aquilo", naquela momento, em Chicago. Isso porque a maioria das faixas soam antigas e cafonas para nós. Mas é interessante para apreciadores de música eletrônica em geral, conhecer o berço e a evolução desse estilo musical. Fãs de dance e funk também ficarão satisfeitos ouvindo CHMC.
Há faixas clássicas discotecadas até hoje por DJs de house, como "House Nation" do The House Master Boyz e The Boy Rude of House, "Move Your Body" do Marshall Jefferson, "Can You Feel It" de Fingers Inc., com a calorosa versão de Genesis da house music. Chicago House Music Classics ainda tem as primeiras faixas de acid house (Phuture - Acid Tracks), hip house (The Beatmasters ft. Cookie Crew - Rok da House).
Os dois selos mais significativos para o house music de Chigado são Trax Records e DJ International, ambas na ativa até hoje.
baía pirata
terça-feira, 4 de março de 2014
Cleaners from Venus - In The Golden Autumn (1983)
Durante os anos 80 havia uma cultura das fitas k7 muito forte. Afinal, sem a internet era preciso dar algum jeito de conseguir suas músicas de uma forma mais barata. É também nos anos 1980 que o DIY do Punk está bem aceito entre os músicos e a busca por meios independentes de divulgação e gravação ganha notoriedade. Cleaners from Venus é uma espécie de banda "master" desta cultura do cassete (cassete culture, em inglês). Basicamente seu trabalho era lançado por meio do k7 e como podemos perceber pela capa, faziam um trabalho bem manual. O Som é bem particular, segue bem na linha dos anos 1980 mesmo, porém sua não tão boa qualidade de gravação acabam dando uma sonoridade lo-fi especial. Há uma mescla de elementos tradicionais do rock, como violão e guitarra, mas sintetizadores e baterias eletrônicas estão presentes. Recomendo ouvir Cleaners from Venus em dias de chuva. Vale a pena dar uma olhada nessa coisa do casste, parece que está voltando e que durante os anos 80 e princípios de 90 foi uma cultura muito forte, lançando muita coisa boa. Reza a lenda foi por meio das fitas que o indie rock se fez.
&
Marcadores:
80,
eletro,
experimental,
garage,
indie,
industrial,
pop,
rock,
UK
Assinar:
Postagens (Atom)











