quinta-feira, 12 de junho de 2014

Criolo Doido - Ainda há tempo (2006)

Praticamente todo mundo conhece o excelente disco do Criolo lançado em 2011, porém diferente do nó na orelha o "ainda há tempo" está bem mais ligado ao rap e a cultura hip hop do que o disco seguinte. Os samplers não perdem em nada para nenhum bom disco de rap e até mesmo causa um certo espanto de como este disco não fez o sucesso que deveria ter tido e como ainda aparece como algo um pouco apagado, o próprio site do artista, por exemplo, onde ele divulga seu material de uma forma exemplar, não traz este álbum fenomenal. Apesar do claro uso de samplers e loops, podemos arriscar tecer uma linha entre este e o disco seguinte, já que boa parte do trabalho do Dj se pauta em instrumental, nem sempre seguidos de uma batida eletrônica, mas sim usando o grave do baixo por exemplo. Suas letras, como sempre, muito bem construídas, trazendo os desafios e superações da população da periferia e da importância da cultura hip hop pra favela. 

sábado, 7 de junho de 2014

Unrest - Imperial f.f.r.r. (1992)

Muitas coisas só são devidamente compreendidas após algum tempo, talvez por este motivo sentimentos de nostalgia são tão comuns. Apesar de ter nascido nos anos 1990, e devido a minha idade não ter tido como acompanhar tudo que rolava, o que é meio óbvio, esta é uma década que vem mostrando muita coisa boa para além do grunge. Uma série de bandas produzem discos que dão o ponta pé a sonoridades que vemos em voga nas bandas atuais. Unrest e seu imperial f.f.r.r. talvez façam parte deste gigante rol de bandas. O disco é muito bom, traz uma série de composições de caráter pop, porém originais, algo como um Galaxie 500 mais garageiro e ligeiro. As canções são em sua maioria calmas e possuem um caráter experimental mínimo. Confesso que apesar de ser um bom disco, sinto que falta alguma coisa, que não sei explicar o que, pode até ser eu, vai lá saber. De qualquer forma é um bom disco para ser ouvido.

domingo, 1 de junho de 2014

Human League - Dare (1981)

Poderia ser uma banda de um hit só, mas não é. Human League tem uma história curiosa, começaram como uma banda praticamente experimental, porém neste terceiro disco eles decidem abordar uma sonoridade mais pop. Apesar de tudo que a música pop representa, ninguém tira o mérito de que a sonoridade pop é a mais fácil de ser ouvida! Letrinhas bestas e uma música legal. Como o Human League já tinha uma vida interessante e louvável antes, o resultado em Dare foi incrível. Na época o disco acabou sendo um sucesso, dando um belo ponta pé ao uso de elementos eletrônicos numa banda, e trazendo isto para o cenário da música pop. A faixa mais famosa e que você provavelmente já conhece é don't you want me, mas existem outras boas canções como the things that dreams are made of e seconds, são de longe as três melhores canções. O disco vale a pena ser ouvido, open your heart e do or die são bem oitentosas e devem ter atingido alguma pontuação legal nas rádios. Disco fácil de ouvir, especialmente para quem gosta da sonoridade mais ligada ao pós-punk e new wave dos anos 1980.

sábado, 10 de maio de 2014

Erkin Koray - Erkin Koray (1973)

Usando o fuzz e a psicodelia sem medo, Erkin Koray lançou um dos discos mais significativos para o rock turco. Apesar do rock tomar proporções mundiais com o final dos anos 1960 e primórdios de 1970, sua cara ainda era muito "americana" e as pessoas começam a buscar por uma expressão mais legítima do rock, é assim que surgem movimentos como tropicália, kraut rock e o anatolian rock, este último da Turquia. Mesclando os elementos do rock psicodélico de então com a sonoridade da música tradicional turca, especialmente da região da Anatólia, Erkin Koray mostra por que é um dos maiores ícones da música turca, e na minha opinião do mundo, já que pago um pau danado pra esse cabra. A estrutura tradicional está ali, perceptível na guitarra fuzzeada imitando uma baglama (instrumento que Koray sabe tocar) dando uma sonoridade que acaba soam "árabe" aos nossos ouvidos - cabe colocar que se demonstra respeitoso diferenciar a cultura turca da árabe, já que são duas vertentes diferentes. Esta estrutura tradicional também aparece nos vocais, que segue as variações vocais tradicionais da música turca. Tudo isto sem deixar de ser um disco de rock psicodélico. Absolutamente um clássico e um disco memorável. Destaque para Mesafeler, Istemen, Cicek Dagi, Sana Birseyler Olmus e a atualmente favorita Ilhahi Morluk.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Wire - Object 47 (2008)

Certamente Wire é uma banda histórica devido a clássica trilogia Pink flag, Chairs Missing, 154, onde a banda consegue se reinventar e criar novas sonoridades em um curto espaço de tempo, pra quem não sabe os discos são de 1977, 1978, 1979! É estranho que a banda não tenha vingado muito, seu som não é tão contagiante quanto o do Sex Pistols, ou não pega tão fundo quanto Joy Division, bandas que estavam na ativa quando esta banda surge. Ainda assim, Wire é uma banda que vale a pena sentar e escutar, nunca se negaram e se reinventar e assim seguiram. O que pouco gente sabe é que a banda praticamente nunca parou, diminuiu suas atividades, mas sempre continuou produzindo, e o melhor, além de sua fase clássica ainda assim lançaram material muito bom. Quando me dei conta de que sua discografia seguia até os dias atuais tive que buscar algo mais recente da banda e acompanhar o que estava rolando, diferente do que ocorreu na minha busca pelo stranglers, a decepção não veio, eles não ficaram bregas ou com uma pegada menos marcante, pelo contrário mais uma vez eles conseguem se reinventar, compor uma nova sonoridade, pegar o que há de mais além na sua área e seguir em frente. Quando observamos bandas por um longo período de tempo, acabamos nos dando conta de como isso é importante, ainda mais quando nos deparamos com um disco como esse, que não fica devendo em nada para o peso que Wire acaba tendo.

domingo, 27 de abril de 2014

Cure - Seventeen Seconds (1980)

A fase obscura do Cure é simplesmente o que eles fizeram de melhor e mais original. Seventeen Seconds é o segundo disco da banda e já lançam um clássico. Considero a sonoridade bem diferente do disco anterior o Three imaginary boys, a estrutura minimalista das músicas, o uso constante do flanger, dão ao som uma ambiência e corpo únicos. Na época os membros da banda sabiam que faziam um som novo, não por acaso na época eram chamados de "o novo Joy Division". Confesso que o disco me pegou durante uma madrugada. A música é uma experiência estética e por isso as sensações são importantes para sentir melhor a sonoridade. Não há muito o que falar de algo que já é bem consagrado.

sábado, 26 de abril de 2014

Click - Wampum (1983)

The Click é uma banda originária de Lincoln, Nebraska. Pra quem não sabe isso quer dizer que eles são de uma cidade nem grande nem pequena no meio dos EUA. Me chama a atenção para a sonoridade que eles faziam, a guitarra faz sua sonoridade simples, a bateria é bem marcada, e o destaque fica por conta do contra-baixo, por vezes sintetizado. Fiquei impressionado com a originalidade da banda, que apesar de fazer algo que era a linha underground da época, consegue criar algo relativamente original. Minhas faixas favoritas são Elephant e Wednesday's Volume. Este é o EP que encontrei deles, há algumas outras coisas perdidas por ai, até mesmo alguns clipes publicados no youtube, e até parece que recentemente a banda fez algum revival

Traga a bóia!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Pulp - It (1983)

Pulp é uma banda clássica, mas ao mesmo tempo misteriosa. Possui uma rotatividade grande de músicos e de estilos, apesar de manter uma mesma linha "indie" sempre. Confesso que conheço bem pouco sobre a banda, e para dizer a verdade o único álbum que conheço a fundo é o It, disco de estréia da banda. A sonoridade do disco é bem particular, por mais que não seja um disco de música "folk", o uso constante do violão ao longo do disco acaba remetendo a este estilo. É uma música bem na linha: tomando café e lendo livros num domingo chuvoso. Temos canções como in many ways ou love, love, que são uma fofura e dão vontade de sair pulando por ai em campos floridos. Essa capa minimalista é uma beleza. Disco para momentos de paz e calma.

domingo, 13 de abril de 2014

Beach Fossils - What a Pleasure (2011)

Definitivamente a sonoridade atmosférica e sombria dos anos 80 me encanta, mas não são muitas bandas que conseguem fazer este tipo de som com propriedade, Beach Fossil é uma dessas bandas. Suas canções parecem querer te absorver e te levar para algum lugar tranquilo. As guitarras ecoam longe ao longo do disco. Acabei descobrindo o som numa discotecagem, achei tão bom que fui obrigado a perguntar que som que era, e bem, não me arrependi de nada. Para começar a conversa sobre Beach Fossils, deixo este EP lançado em 2011 pelo novaiorquinos.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Brian Eno - Here come the warm jets (1974)

A música não seria a mesma coisa sem a presença de Brian Eno. Nos últimos tempos comecei a prestar mais atenção no que ele fez e anda fazendo. Bowie não teria gravado a fase Berlim com tanta qualidade sem a presença de Eno, quem sabe Bowie não teria inovado para além de Ziggy Stadust. Suposições é claro, não levam a nada. De fato, Brian Eno ainda participava da genial banda Roxy Music quando se lançou em aventuras solo. Há um disco anterior a Here come the warm jets, mas ele é experimental num nível muito particular e quem sabe ouço ele decentemente e posto aqui. O que me chama atenção é que este disco é experimental, Eno está claramente buscando novos rumos para a música, ainda um tanto tímido e mais longe da música ambiente, da qual parece ser o papa. Vale colocar que ele não é o criador da música ambiente e isto ainda merece uma postagem.

O que vale a pena no disco é a qualidade das músicas. Tendo como importante colaborador Robert Fripp, membro fundador do King Crimson, as músicas curtas e as guitarras marcantes nos deixam hipnotizados. Além de toda a repetição hipnotizante que eu adoro, a melodia marca sua presença. Destaque especial para Needles in Camel's eyes e Babys on Fire, presentes na trilha sonora de Velvet Goldmine. Todas as outras faixas são ótimas.