Todo mundo escuta David Bowie, mas o que se ouve é sua fase mais glam, roqueira e andrógina (se é que em algum momento ele deixou de ser). Porém, creio que uma de suas produções mais originais e importantes para a música ficam a cargo da trilogia Berlim. Low é o primeiro disco desta trilogia (Heroes o segundo e Lodger o terceiro). A referência a cidade de Berlim é pelo fato de Bowie andar realizando andanças constantes pela cidade e ter gravado algumas faixas destes três discos nos estúdios Hansa em Berlim ocidental, sendo assim nenhum disco foi inteiramente gravado na Alemanha, muito menos em Berlim, apenas faixas esparsas. Mas a música não se restringe a geografia, a associação de Bowie neste período com Brian Eno e a admiração de ambos pelo Krautrock e afins é o elemento marcante destes três discos. O experimentalismo e a música ambiente estão ali, Warszawa está ali, e é graças a essa faixa que uma banda vai escolher o nome de Warsaw para mais tarde ser chamada de Joy Division. É um disco conceitual, mas que ao mesmo tempo faz questão de ser ouvido e por isso o elemento pop está ali. Creio que o grande feito de Low é abrir espaço e possibilidade de tornar audível ao grande público o que havia de mais experimental até então, fazendo uma ponte e dando forma a algo ainda restrito a alguns círculos. Também temos os efeitos, largamente usados e atualmente algo tão comum nas músicas, mas com certo ar de novidade na época.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
The Sun Records Collection (1994)
A Sun Records era uma das várias gravadoras pequenas que existiam antes da absorção e monopólio pelas grandes gravadoras. Curioso pensarmos como neste período do começo da música pop como conhecemos e sua tomada da frequência das rádios era basicamente feita na base de singles e ep. A ideia de um álbum na duração de um LP ainda era pouco usual. A Sun acabou ficando famosa por terem passado por ela quase todos os grandes nomes da música na época, sejam eles brancos ou negros, mistureba que dizem dar origem ao roque en rou. Sam Philips, fundador da gravadora, era antenado com a música branca Country mas também adorava a música negra, por isso o que temos aqui é um claro mix de canções com uma pegada mais country enquanto outras são gigantes como Howlin' Wolf, além daquele Rockabilly que bem conhecemos. O grande destaque desta coletânea são as canções esquecidas ao longo do tempo, e os artistas que provavelmente não produziram mais do que algumas poucas canções e pelo esquecimento do tempo ficaram. Nem por isso você deixa de se surpreender, pois se prestar bastante atenção verá que as buscas por uma nova sonoridade já estão presentes ali. Está elencado também na lista de melhores álbuns da revista Rolling Stone, caso isso seja de algum convencimento.
quinta-feira, 12 de março de 2015
Jay Holy - Skeletor EP (2013)
Dicas de amigos sobre música, muitas vezes são as mais acertadas, especialmente quando você não espera nada dessas dicas. Este EP é puxado por belos moogs e sons sintéticos. Seu cover de Skeletons da banda Sound (uma das mais subestimadas do roque) é matador e te convence a ouvir o resto do EP, experiência bem agradável por sinal. Este som é recomendado para quem procura aquele som simples, bem trabalhado e que te envolve. Nessas horas eu insisto com você meu amigo que diz que a música morreu, e quase sem querer repete o discurso da necrosada indústria musical, a música vai bem, está produzindo coisas boas. Aproveite!
quinta-feira, 5 de março de 2015
Gattopardo - Gattopardo LP (2014)
Não é todo dia que uma banda aparece fazendo algo diferente da maioria. Em meio a um cenário underground, alternativo e sem dinheiro, as coisas são mais difíceis, nem por isso menos belas. Com um show envolvente a Gattopardo vem fazendo um bom pós-punk em português - algo bem complicado. Com referências bem marcadas que parecem passar por Bauhaus e The Fall, a sonoridade consegue se constituir como algo próprio para além da simples imitação do ídolo. Referências claras, mas que continuam sendo referências. Isto tudo é muito positivo. Confesso que esta é uma das poucas bandas na linha do pós-punk que pude assistir, e valeu a pena!
campodasbandas!
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Adrian Belew - Lone Rhino (1982)
Descobri Adrian Belew assistindo a versão ao vivo do David Bowie de Station to station com ele fazendo os barulhos que são sua marca registrada. Provavelmente graças ao punk rock, nunca fiquei de queixo muito caído para "super-guitarristas", apesar de gostar e valorizar (mesmo achando um saco) uma lista considerável. Minha implicância com músicos muito "virtuosos" é que não cessam de cuspir sua genialidade aos quatro ventos, e isso pode encher o saco, afinal rock'n'roll é para ouvir e dançar. Talvez Adrian Belew seja maravilhoso graças a sua influência mais citada: o rinoceronte! Na sua busca por um som novo e diferente, Belew é famoso por reproduzir com sua guitarra sons semelhantes ao grito de animais, sendo o rinoceronte o mais recorrente. De fato ele conseguiu criar um sonoridade completamente nova para a guitarra. Não por acaso é um músico de peso, além de Bowie também temos Frank Zappa, Talking Heads, Nine Ich Nails e King Crimson como as bandas nas quais já tocou. Seu trabalho solo é mais marcado pelo experimentalismo, e pode não ser tão surpreendente quando os nomes associados a ele já citados acima, mas de fato ele está longe de ser um nome ignorado, sua música e técnica são originais. Destaque para a faixa Lone Rhino.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
the Upholsterers - Makers of High Grade Suites (2000)
Jack White trabalhava como aprendiz numa estofaria, foi lá que ele conheceu Brian Muldoon e os dois montaram uma banda, no mesmo estilo de White Stripes, guitarra e bateria. Seguindo essa linha do Flat Duo Jets, Jack White vai mostrar aqui o seu primeiro grito registrado. O curioso é observar a energia das músicas, Apple of my eye, composição do próprio White, é o grande destaque entre as três músicas do EP, todas ouvidas e re-ouvidas incansávelmente.É curioso observar nisso tudo como o punk serve ainda hoje para firmar bases sólidas, mesmo não sendo Jack White um primor em questões técnicas, é graças a sua base punk que a energia e a vontade de tocar estão sempre presentes em suas músicas.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Drive Soundtrack (2011)
Drive é um filme com um roteiro não muito complexo, mas bem construído, junto com toda estética do filme não podemos ignorar a trilha sonora. Elaborada por Cliff Martinez, que trabalha em vários setores da música profissional. A música é boa para climas mais soturnos, noir, na proposta do filme. Os destaques da trilha sonora ficam por conta das músicas não compostas por Cliff Martinez, nightcall, under your spell e real hero.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
John Cale - Fear (1974)
John Cale fazia uma dupla linda com Lou Reed nos tempos do Velvet Underground, é na verdade um músico tão fundamental para o velvet quanto Lou Reed. Sabemos que Lou Reed lançou trabalhos solos geniais, "take a walk on the wild side" bomba até hoje onde quer que toque. Mas John Cale também fazia músicas ótimas em sua carreira solo. A melhor forma de definir essas músicas de John Cale e Lou Reed talvez seja um chão de madeira, uma xícara de café, um dia frio e piano - ah esse instrumento de duas claves. Este disco faz parte de uma trilogia dos tempos de contrato com a Island records, e como na época Brian Eno também era contratado da Island, John aproveitou para usar seus dons neste disco. A faixa título é o grande destaque, apesar de gostar muito de "ship of fools", até por remeter a Idade média, também temos a divertida "Baracuda". É um bom disco para se ouvir quando se está cansado de músicas mais agitadas.
ou
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Money Mark - Mark's Keyboard Repair (1995)
Money Mark é um tecladista japinha que trabalhou com os Beastie Boys durante um bom tempo. Apesar do sucesso com os braquelos judeus do Beastie Boys e alguns discos produzidos, ele também lançou seu material solo. Este é um deles, e temos basicamente uma série de "brincadeiras" com o teclado. É um disco para ser ouvido sem pressa. A faixa "insects are all around us" aparece na trilha sonora de dick & jane.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Mac Demarco - Rock'n'roll Nightclub (2012)
Algumas dicas valem a pena, Mac DeMarco é uma delas. Quando ouvi seu som pela primeira vez percebi que era algo bonito, gostoso e tranquilo de ouvir, mas conforme tomei mais cuidado havia ali algo que não largava os meus ouvidos. Pode ser o reverb que é um dos efeitos mais incríveis, mas só isso não basta. Suas composições são simples, dá para desvendar o "desenho" das notas só de ouvir. Você se toca que o som é simples, sem floreios e firulas. Isso não torna suas composições medíocres. É uma música ótima, para momentos mais tranquilos. Pode combinar com praia, bar e até uma festa. Ou seja, é versátil. Este EP é o que mais venho escutando dele, mas recomendo qualquer coisa do Mac Demarco, mas escute a faixa título só pra começar, Rock'n'roll Nightclub é uma beleza. Suas músicas envolvem.
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