sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Sun Records - the Rhythm & the Blues (2012)

Tempo atrás retomei aquele som 50-toso que eu conhecia pouco. Muitas vezes é uma delícia retomar sons, estilos ou bandas que fazia tempo você não ouvia. Mergulhando nesses sons, a Sun Records se constituiu uma Mecca, e não há nada de novo em dizer isso. O legal mesmo são as coletâneas que tem por ai da Sun, e neles temos uma série de bandas e músicas ótimas que nunca ouvimos falar. O curioso é que a Sun trabalhou muito no esquema dos singles, e esse formato de mídia está ligado a outra forma de ouvir música. As canções aqui são bem interessantes, há mais "músicas negras", da qual Sam Philips (o dono da gravadora) era fanzão. A faixa de abertura "Let the good times roll" e "Polk Salad Annie" são meus dois destaques elegidos, mas vai na fé que o disco todo é fácil, prazeroso de ouvir. Acho incrível que as técnicas de gravação, segundo me parece, eram mais rústicas e ainda assim as canções são ótimas, o que só me faz pensar na relação outra que tinham com a música.

domingo, 1 de novembro de 2015

Cartola - Cartola (1976)

Cartola me apareceu feito um acidente muito tempo atrás. Como havia de ser ele me pegou desprevenido e acabei escutando-o freneticamente durante alguns meses. A história de Cartola é famosa, wikipedia e várias outras fontes estão ai para lhe contar de maneira decente sua incrível história. O que foi me chamando atenção, e gerando admiração conforme o tempo foi passando é a espontaneidade de sua música, como é de se esperar de bons sambas. A comparação entre Samba e Blues imagino não ser coisa nova e limitada, apesar de lidarmos com uma música negra, que basicamente pauta um estilo de vida, deve ser tocada de forma espontânea, sem muitas regras, mas ao mesmo tempo com muita qualidade e, sem esquecer, a lamentação podem ser marcas dos dois estilos, mas evitemos atropelos! Tratamos de duas coisas diferentes! O que importa é que Cartola é de longe um ícone desta sonoridade. Sua música flui, e por ser o que é, me apresentou uma sonoridade nova e completamente diferente.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

The Organ - Sinking Hearts EP (2002)

The Organ é uma banda fantástica, consta que a vocalista e frontwoman, passou por uma formação clássica e desconhecia as bandas mais soturnas dos anos 80 como cure, smiths, siouxsie etc, só conhecendo mais tarde, se fascinando e montando the Organ. A banda me pegou de jeito, abusando do chorus, das linhas conduzidas por um sofrimento ativo (um sofrimento que se mexe e te faz dançar). Este é o EP siminal antes delas lançarem o disco deradeiro (grab that gun). The organ vale a pena ouvir cada canção, suas músicas caem muito bem.

chutenocÜ!

sábado, 22 de agosto de 2015

Motorama - Alps (2010)

Motorama é uma banda que surpreendeu bastante, pois conseguem fazer um indie com pegada pós-punk muito audível, fácil de escutar e alinhado com as tendências de seu tempo (leia-se o que é produzido no eixo UK-USA), usam o recurso da língua inglesa, mas ao mesmo tempo conseguem manter a sua identidade, deixar uma marca clara de "seu" na música. Segundo pesquisei, eles tem a mesma banda com dois nomes, uma canta em russo e outra em inglês - motorama. Por questões de alfabeto não consegui nada deles em russo, muito treta esse alfabeto cirílico. Seu som é marcado por um vocal grave, guitarras limpas, algumas vezes com algo mais, mas sem exageros (chorus), e teclados para dar um tom mais complexo e elaborado para seu arranjo de sonoridade simples. O uso de reverb somado a composição das canções, faz com que eles consigam dar uma atmosfera ótima em suas músicas. Talvez eles te levem para um daqueles apartamentos modernos da era soviética que ainda estão por lá, e como a neve já cobriu tudo, escutá-los fará todo sentido. A música compass pode te pegar com tudo.

chutenocü!
ps: além do Alps, tem mais dois singles.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Bill Lee Riley - Rock With Me

A músida Rock with me de Billy Lee Rilley aparece em algum momento do filme Johnny & June, e até imagino estar fora da trilha sonora oficial (é um trecho muito rápido e curto, e como a música é pouco conhecida, não colocaram). A guitarra corre em puro rockabilly nesse grande sucesso de Billy. Ele, assim como tantos outros, era um músico da Sun Records, e acabei tendo contato com suas canções na coletânea da Sun que já foi postada aqui. Suas músicas não demonstram grandes inovações, e seu destaque fica por conta da energia das músicas, sensivelmente mais enérgicas que outras da época. Mesmo assim, esse é um daqueles artistas que valem a pena se ouvidos, e como recentemente comecei a desenterar muito estilo de música que faziam anos eu não ouvia direito, Billy Lee Riley veio bem a calhar.
 Como neste período os músicos lançavam em sua maioria EP's, basicamente o que existe por ai são coletâneas, as mais variadas, e como é de praxe, lançadas por gravadoras que acabam não dando o devido suporte para o material lançado, e sendo assim, saber certinho que disco é este é bem dificil, tenho quase certeza de que não é essa re-edição da Sun Records que coloco ai, mas mantenho a descisão pelo simples fato da maioria das capas serem horríveis.

sábado, 27 de junho de 2015

Neil Young - Neil Young (1968)

Logo no começo de carreira Neil Young lançou aqueles discos maravilhosos, everybody knows this is nowhere, after gold rush, harvest, que são de longe os discos mais significativos e comentados do músico. Apesar deste seu disco de estréia entrar em listagens mais longas do período, é usual que ele fique de fora, a meu ver, não por ser um disco ruim, pelo contrário, nele já podemos ouvir toda a qualidade daquilo que vêm pela frente, mas talvez, por ainda não ser tão maduro (como sempre se busca justificar as coisas) ele não chega a ser uma das obras primas gravadas em seguida. Justiça seja feita, creio que é um disco até melhor que alguns outros que aparecem mais tarde na carreira do sujeito em questão, e que este disco mereceria mais espaço, por isso o coloco aqui. Confesso que escuto o disco e fico imaginando aquelas cidades norte-americanas que ficam justamente no interior do país (como parece ser o caso de Winnipeg, cidade onde Young se criou), e por isso essa fusão com a música country. Pelo que suspeito, essa rapaziada dos anos 60 estava numa vibe de buscar as raízes, retomar o contato com a terra e essas coisas que já ouvimos falar em algum lugar, creio que é dai que os músicos começam a incorporar elementos destas músicas de raiz de seus respectivos países (temos Mogollar, Erkin Koray, Mutantes, Fela Kuti, e toda uma galera que circulava nessa temporalidade. Curioso pensar sobre isso.

ChuteNoCÜ!

sábado, 13 de junho de 2015

Unknown Mortal Ochestra - Unknown Mortal Ochestra (2011)


 Unknown Mortal Ochestra me pegou de surpresa. Imaginava eu que seria mais uma dessas bandas modernosas, mas não se encerram ai. Ruban Nielson conseguiu construir uma sonoridade impar através de sua guitarra, o que é para mim o grande destaque. Basicamente, a banda soa eletrônica, mas não é. Seu som é bem agradavél, nessa onde nova da psicodelia que está em ebulição e talvez Tame Impala seja o grande nome.



CHUTEnoCÜ!

terça-feira, 12 de maio de 2015

Soul Syndicate - Harvest Uptown, Famine Downtown (1977)

Definitivamente este é um dos melhores e mais esquecidos discos de reggae já feitos. Mesmo acumulando uma ótima carreira de banda de apoio, a carreira do grupo não foi das mais bem sucedidas. Este é seu disco de estréia como não-banda-de-apoio, e de longe o mais significativo. Suas faixas contém uma energia muito forte, impulsionado pelos metais e backing vocals muito bem afinados e sintonizados. Se temos um reggae forte, explosivo, ele está aqui. Destaque para as faixas  new vibrations, harvest uptown famine downtown, mariwana red, gold & green. Nestes momentos só me resta colocar o debate de como a figura de Bob Marley ajudou a divulgar o reggae, mas como também sufocou e apagou outras bandas muito boas.

ChutenocÜ!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

David Bowie - Low (1977)

Todo mundo escuta David Bowie, mas o que se ouve é sua fase mais glam, roqueira e andrógina (se é que em algum momento ele deixou de ser). Porém, creio que uma de suas produções mais originais e importantes para a música ficam a cargo da trilogia Berlim. Low é o primeiro disco desta trilogia (Heroes o segundo e Lodger o terceiro). A referência a cidade de Berlim é pelo fato de Bowie andar realizando andanças constantes pela cidade e ter gravado algumas faixas destes três discos nos estúdios Hansa em Berlim ocidental, sendo assim nenhum disco foi inteiramente gravado na Alemanha, muito menos em Berlim, apenas faixas esparsas. Mas a música não se restringe a geografia, a associação de Bowie neste período com Brian Eno e a admiração de ambos pelo Krautrock e afins é o elemento marcante destes três discos. O experimentalismo e a música ambiente estão ali, Warszawa está ali, e é graças a essa faixa que uma banda vai escolher o nome de Warsaw para mais tarde ser chamada de Joy Division. É um disco conceitual, mas que ao mesmo tempo faz questão de ser ouvido e por isso o elemento pop está ali. Creio que o grande feito de Low é abrir espaço e possibilidade de tornar audível ao grande público o que havia de mais experimental até então, fazendo uma ponte e dando forma a algo ainda restrito a alguns círculos. Também temos os efeitos, largamente usados e atualmente algo tão comum nas músicas, mas com certo ar de novidade na época.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

The Sun Records Collection (1994)

A Sun Records era uma das várias gravadoras pequenas que existiam antes da absorção e monopólio pelas grandes gravadoras. Curioso pensarmos como neste período do começo da música pop como conhecemos e sua tomada da frequência das rádios era basicamente feita na base de singles e ep. A ideia de um álbum na duração de um LP ainda era pouco usual. A Sun acabou ficando famosa por terem passado por ela quase todos os grandes nomes da música na época, sejam eles brancos ou negros, mistureba que dizem dar origem ao roque en rou. Sam Philips, fundador da gravadora, era antenado com a música branca Country mas também adorava a música negra, por isso o que temos aqui é um claro mix de canções com uma pegada mais country enquanto outras são gigantes como Howlin' Wolf, além daquele Rockabilly que bem conhecemos. O grande destaque desta coletânea são as canções esquecidas ao longo do tempo, e os artistas que provavelmente não produziram mais do que algumas poucas canções e pelo esquecimento do tempo ficaram. Nem por isso você deixa de se surpreender, pois se prestar bastante atenção verá que as buscas por uma nova sonoridade já estão presentes ali. Está elencado também na lista de melhores álbuns da revista Rolling Stone, caso isso seja de algum convencimento.