terça-feira, 7 de junho de 2016

Charles Mingus - Blues & Roots (1960)

Este disco me fez pagar pelos meus pecados. Sempre declarava que havia um problema sério no jazz pelo fato dos músicos se divertirem mais do que a plateia. Não é um ritmo fácil de ser ouvido, exige maturidade, e dai meu desprezo por esse pedantismo de que você não pode dizer que não gosta de jazz. Você não entende de música se diz isso. Verdade que todo mundo gosta de alguma coisa de jazz, vai dizer que não vibrou quando viu o filme do Ray Charles ou Whiplash? Ou que não acha chique as trilhas sonoras do Woody Allen? Bem, mas falar de Jazz é a mesma coisa que de rock. Charles Mingus é um desses baixistas ligados ao vanguardista momento pelo qual o jazz passava no pós-guerra. É um jazz mais complicado e menos usual do que as orchestra. Demorei para sacar que o lance nesse disco (e outros) é o tempo. Música é tempo, se não está no tempo certo, não está bom. O que faz um ritmo ser diferente do outro, e logo uma música diferente da outra é o tempo. Disco já para além do Be Bop, mas que apresenta as variações de tempo ao longo das faixas, prazeroso escutar os berros no estúdio conforme a banda prossegue. Dai fica fácil entender o porque do jazz ter se tornado um estilo musical tão associado ao urbano e noturno. Seu ritmo quebrado, seu improviso combinam com a vida urbana e sua experiência.

ChutenocÜ!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

John Williams - The Baroque Album (1988)

Tempos atrás descobri um instrumento lindo chamado "Viola Barroca", muito comum no período barroco, porém pouco comum hoje em dia. Atrás de músicas em viola barroca encontrei este disco que nada mais são do que músicas barrocas executas em um violão clássico convencional. Confesso, que para um leigo como eu, barroco era a base de cravo e orgão (Bach?). Mas, como podemos deduzir pela viola citada acima, houveram inúmeras composições para esta família das cordas. O disco é muito bonito e bem executado, além de ser um material não tão fácil de encontrar¹. As músicas são de compositores consagrados dentro da música barroca. Confesso que o disco gera um efeito de música ambiente muito facilmente, o que imagino esteja diretamente conectado ao fato de boa parte destes músicos serem da corte, e por isso suas composições deveriam servir mais para pano de fundo, do que para serem propriamente apreciadas. Nada disto apaga sua beleza. Por fim, cabe falar de John Williams, o executor do disco. Primeiro que há dois John Williams, um é o famoso maestro de Hollywood, que dentre seus trabalhos temos a trilha sonora de Star Wars, e durante algum tempo acreditei que este disco era dele. Com mais pesquisa, descobri que existe um australiano chamado John Williams que é algo como o melhor violonista clássico do mundo, este é o músico do disco.



1 - Por sinal, se alguém tiver gravações de música erudita em viola caipira ou barroca, ficaria muito agradecido :)

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Dr Dre - The Chronic (1992)

Dr. Dre é o cara daqueles fones da beats, e atualmente é bem famoso pelo seu êxito financeiro no mercado musical. Já sabia que o rapaz mandava ver devido a seu trabalho no NWA, e o quão importante o grupo fora para transformar o Rap. Este disco é um marco do rap dos anos 1990 e não sei como demorei tanto tempo para chegar nele e, acabar só o ouvindo agora depois de assistir o filme sobre o NWA. O que há de mais notável neste disco é a capacidade sintética para com o rap dos anos 90, já que cunha parâmetros (me parece) ainda não foram abandonados. Em larga medida, e digo baseado no que aparece no filme Dope (2015), depois dos 1990's haveria um certo limbo, que ao mesmo tempo que consolida o Rap enquanto o grande gênero Pop, este perde sua capacidade de diálogo para além da ostentação e hedonismo, bem como uma potência de ruptura estética tão clara quanto a que ocorria em discos como este. Que fique claro, não choremos por genialidades perdidas no passado, isso é um conservadorismo dos mais avinagrados (se já não bastasse o conservadorismo por si só). Ainda me pergunto como demorei tanto tempo para chegar aqui. Escutemos o disco.

ChuteNoCÜ!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

The Horrors - Luminous (2014)



The Horrors é uma banda da qual meus amigos sempre falavam, e da qual eu exercia muito da minha resistência para bandas atuais. Porém, eles foram me cativando no momento certo, junto com um bom sistema de som, questão pela qual eu prezo cada vez mais. Sua sonoridade flerta com uma série de coisas que eu adoro, muitos efeitos, ambiência, experimentação e uma música nem tão longa (apesar de se estenderem mais neste disco do que em relação ao começo de carreira). Definitivamente eles começaram como uma promissora banda de garagem, e conseguiram galgar um lugar na produção de música de qualidade. Suas músicas soam grandiosas, em largas medidas devido ao seu uso e abuso de teclados e efeitos. Luminous já é a pegada mais madura da coisa toda, seu som é mais grandioso, mais refinado do que nos discos anteriores, vai ver por isso demorei um pouco mais para pegar este disco. Minha teoria de que quanto mais tempo você demorar pra curtir um disco, mais tempo você curte ele na sua vida, algumas vezes acerta.


BahiaPirata!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

John Cale and Terry Riley - Church of Anthrax (1971)

John Cale está para o Velvet Underground assim como Kim Deal está para o Pixies. Ambos são peças fundamentais na composição sonora de duas bandas fundamentais para o rock alternativo, porém acabaram ficando em segundo plano frente a figuras como Lou Reed e Black Francis. John Cale inicia uma carreira solo bem interessante, que já teve coisa postada aqui até. Este disco é uma colaboração com Terry Riley, um dos sujeitos mais importantes para a música minimalista. O disco é bem conceitual, como podemos imaginar. Temos duas músicas curtas, das quais The soul of Patrick Lee é a única cantada, que foram as que me convenceram da genialidade deste disco. Acredito que possa tem lembrar vagamente algo do Belle  Sebastian, porém fica claro que não é.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Sun Records - the Rhythm & the Blues (2012)

Tempo atrás retomei aquele som 50-toso que eu conhecia pouco. Muitas vezes é uma delícia retomar sons, estilos ou bandas que fazia tempo você não ouvia. Mergulhando nesses sons, a Sun Records se constituiu uma Mecca, e não há nada de novo em dizer isso. O legal mesmo são as coletâneas que tem por ai da Sun, e neles temos uma série de bandas e músicas ótimas que nunca ouvimos falar. O curioso é que a Sun trabalhou muito no esquema dos singles, e esse formato de mídia está ligado a outra forma de ouvir música. As canções aqui são bem interessantes, há mais "músicas negras", da qual Sam Philips (o dono da gravadora) era fanzão. A faixa de abertura "Let the good times roll" e "Polk Salad Annie" são meus dois destaques elegidos, mas vai na fé que o disco todo é fácil, prazeroso de ouvir. Acho incrível que as técnicas de gravação, segundo me parece, eram mais rústicas e ainda assim as canções são ótimas, o que só me faz pensar na relação outra que tinham com a música.

domingo, 1 de novembro de 2015

Cartola - Cartola (1976)

Cartola me apareceu feito um acidente muito tempo atrás. Como havia de ser ele me pegou desprevenido e acabei escutando-o freneticamente durante alguns meses. A história de Cartola é famosa, wikipedia e várias outras fontes estão ai para lhe contar de maneira decente sua incrível história. O que foi me chamando atenção, e gerando admiração conforme o tempo foi passando é a espontaneidade de sua música, como é de se esperar de bons sambas. A comparação entre Samba e Blues imagino não ser coisa nova e limitada, apesar de lidarmos com uma música negra, que basicamente pauta um estilo de vida, deve ser tocada de forma espontânea, sem muitas regras, mas ao mesmo tempo com muita qualidade e, sem esquecer, a lamentação podem ser marcas dos dois estilos, mas evitemos atropelos! Tratamos de duas coisas diferentes! O que importa é que Cartola é de longe um ícone desta sonoridade. Sua música flui, e por ser o que é, me apresentou uma sonoridade nova e completamente diferente.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

The Organ - Sinking Hearts EP (2002)

The Organ é uma banda fantástica, consta que a vocalista e frontwoman, passou por uma formação clássica e desconhecia as bandas mais soturnas dos anos 80 como cure, smiths, siouxsie etc, só conhecendo mais tarde, se fascinando e montando the Organ. A banda me pegou de jeito, abusando do chorus, das linhas conduzidas por um sofrimento ativo (um sofrimento que se mexe e te faz dançar). Este é o EP siminal antes delas lançarem o disco deradeiro (grab that gun). The organ vale a pena ouvir cada canção, suas músicas caem muito bem.

chutenocÜ!

sábado, 22 de agosto de 2015

Motorama - Alps (2010)

Motorama é uma banda que surpreendeu bastante, pois conseguem fazer um indie com pegada pós-punk muito audível, fácil de escutar e alinhado com as tendências de seu tempo (leia-se o que é produzido no eixo UK-USA), usam o recurso da língua inglesa, mas ao mesmo tempo conseguem manter a sua identidade, deixar uma marca clara de "seu" na música. Segundo pesquisei, eles tem a mesma banda com dois nomes, uma canta em russo e outra em inglês - motorama. Por questões de alfabeto não consegui nada deles em russo, muito treta esse alfabeto cirílico. Seu som é marcado por um vocal grave, guitarras limpas, algumas vezes com algo mais, mas sem exageros (chorus), e teclados para dar um tom mais complexo e elaborado para seu arranjo de sonoridade simples. O uso de reverb somado a composição das canções, faz com que eles consigam dar uma atmosfera ótima em suas músicas. Talvez eles te levem para um daqueles apartamentos modernos da era soviética que ainda estão por lá, e como a neve já cobriu tudo, escutá-los fará todo sentido. A música compass pode te pegar com tudo.

chutenocü!
ps: além do Alps, tem mais dois singles.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Bill Lee Riley - Rock With Me

A músida Rock with me de Billy Lee Rilley aparece em algum momento do filme Johnny & June, e até imagino estar fora da trilha sonora oficial (é um trecho muito rápido e curto, e como a música é pouco conhecida, não colocaram). A guitarra corre em puro rockabilly nesse grande sucesso de Billy. Ele, assim como tantos outros, era um músico da Sun Records, e acabei tendo contato com suas canções na coletânea da Sun que já foi postada aqui. Suas músicas não demonstram grandes inovações, e seu destaque fica por conta da energia das músicas, sensivelmente mais enérgicas que outras da época. Mesmo assim, esse é um daqueles artistas que valem a pena se ouvidos, e como recentemente comecei a desenterar muito estilo de música que faziam anos eu não ouvia direito, Billy Lee Riley veio bem a calhar.
 Como neste período os músicos lançavam em sua maioria EP's, basicamente o que existe por ai são coletâneas, as mais variadas, e como é de praxe, lançadas por gravadoras que acabam não dando o devido suporte para o material lançado, e sendo assim, saber certinho que disco é este é bem dificil, tenho quase certeza de que não é essa re-edição da Sun Records que coloco ai, mas mantenho a descisão pelo simples fato da maioria das capas serem horríveis.