sábado, 22 de agosto de 2015

Motorama - Alps (2010)

Motorama é uma banda que surpreendeu bastante, pois conseguem fazer um indie com pegada pós-punk muito audível, fácil de escutar e alinhado com as tendências de seu tempo (leia-se o que é produzido no eixo UK-USA), usam o recurso da língua inglesa, mas ao mesmo tempo conseguem manter a sua identidade, deixar uma marca clara de "seu" na música. Segundo pesquisei, eles tem a mesma banda com dois nomes, uma canta em russo e outra em inglês - motorama. Por questões de alfabeto não consegui nada deles em russo, muito treta esse alfabeto cirílico. Seu som é marcado por um vocal grave, guitarras limpas, algumas vezes com algo mais, mas sem exageros (chorus), e teclados para dar um tom mais complexo e elaborado para seu arranjo de sonoridade simples. O uso de reverb somado a composição das canções, faz com que eles consigam dar uma atmosfera ótima em suas músicas. Talvez eles te levem para um daqueles apartamentos modernos da era soviética que ainda estão por lá, e como a neve já cobriu tudo, escutá-los fará todo sentido. A música compass pode te pegar com tudo.

chutenocü!
ps: além do Alps, tem mais dois singles.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Bill Lee Riley - Rock With Me

A músida Rock with me de Billy Lee Rilley aparece em algum momento do filme Johnny & June, e até imagino estar fora da trilha sonora oficial (é um trecho muito rápido e curto, e como a música é pouco conhecida, não colocaram). A guitarra corre em puro rockabilly nesse grande sucesso de Billy. Ele, assim como tantos outros, era um músico da Sun Records, e acabei tendo contato com suas canções na coletânea da Sun que já foi postada aqui. Suas músicas não demonstram grandes inovações, e seu destaque fica por conta da energia das músicas, sensivelmente mais enérgicas que outras da época. Mesmo assim, esse é um daqueles artistas que valem a pena se ouvidos, e como recentemente comecei a desenterar muito estilo de música que faziam anos eu não ouvia direito, Billy Lee Riley veio bem a calhar.
 Como neste período os músicos lançavam em sua maioria EP's, basicamente o que existe por ai são coletâneas, as mais variadas, e como é de praxe, lançadas por gravadoras que acabam não dando o devido suporte para o material lançado, e sendo assim, saber certinho que disco é este é bem dificil, tenho quase certeza de que não é essa re-edição da Sun Records que coloco ai, mas mantenho a descisão pelo simples fato da maioria das capas serem horríveis.

sábado, 27 de junho de 2015

Neil Young - Neil Young (1968)

Logo no começo de carreira Neil Young lançou aqueles discos maravilhosos, everybody knows this is nowhere, after gold rush, harvest, que são de longe os discos mais significativos e comentados do músico. Apesar deste seu disco de estréia entrar em listagens mais longas do período, é usual que ele fique de fora, a meu ver, não por ser um disco ruim, pelo contrário, nele já podemos ouvir toda a qualidade daquilo que vêm pela frente, mas talvez, por ainda não ser tão maduro (como sempre se busca justificar as coisas) ele não chega a ser uma das obras primas gravadas em seguida. Justiça seja feita, creio que é um disco até melhor que alguns outros que aparecem mais tarde na carreira do sujeito em questão, e que este disco mereceria mais espaço, por isso o coloco aqui. Confesso que escuto o disco e fico imaginando aquelas cidades norte-americanas que ficam justamente no interior do país (como parece ser o caso de Winnipeg, cidade onde Young se criou), e por isso essa fusão com a música country. Pelo que suspeito, essa rapaziada dos anos 60 estava numa vibe de buscar as raízes, retomar o contato com a terra e essas coisas que já ouvimos falar em algum lugar, creio que é dai que os músicos começam a incorporar elementos destas músicas de raiz de seus respectivos países (temos Mogollar, Erkin Koray, Mutantes, Fela Kuti, e toda uma galera que circulava nessa temporalidade. Curioso pensar sobre isso.

ChuteNoCÜ!

sábado, 13 de junho de 2015

Unknown Mortal Ochestra - Unknown Mortal Ochestra (2011)


 Unknown Mortal Ochestra me pegou de surpresa. Imaginava eu que seria mais uma dessas bandas modernosas, mas não se encerram ai. Ruban Nielson conseguiu construir uma sonoridade impar através de sua guitarra, o que é para mim o grande destaque. Basicamente, a banda soa eletrônica, mas não é. Seu som é bem agradavél, nessa onde nova da psicodelia que está em ebulição e talvez Tame Impala seja o grande nome.



CHUTEnoCÜ!

terça-feira, 12 de maio de 2015

Soul Syndicate - Harvest Uptown, Famine Downtown (1977)

Definitivamente este é um dos melhores e mais esquecidos discos de reggae já feitos. Mesmo acumulando uma ótima carreira de banda de apoio, a carreira do grupo não foi das mais bem sucedidas. Este é seu disco de estréia como não-banda-de-apoio, e de longe o mais significativo. Suas faixas contém uma energia muito forte, impulsionado pelos metais e backing vocals muito bem afinados e sintonizados. Se temos um reggae forte, explosivo, ele está aqui. Destaque para as faixas  new vibrations, harvest uptown famine downtown, mariwana red, gold & green. Nestes momentos só me resta colocar o debate de como a figura de Bob Marley ajudou a divulgar o reggae, mas como também sufocou e apagou outras bandas muito boas.

ChutenocÜ!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

David Bowie - Low (1977)

Todo mundo escuta David Bowie, mas o que se ouve é sua fase mais glam, roqueira e andrógina (se é que em algum momento ele deixou de ser). Porém, creio que uma de suas produções mais originais e importantes para a música ficam a cargo da trilogia Berlim. Low é o primeiro disco desta trilogia (Heroes o segundo e Lodger o terceiro). A referência a cidade de Berlim é pelo fato de Bowie andar realizando andanças constantes pela cidade e ter gravado algumas faixas destes três discos nos estúdios Hansa em Berlim ocidental, sendo assim nenhum disco foi inteiramente gravado na Alemanha, muito menos em Berlim, apenas faixas esparsas. Mas a música não se restringe a geografia, a associação de Bowie neste período com Brian Eno e a admiração de ambos pelo Krautrock e afins é o elemento marcante destes três discos. O experimentalismo e a música ambiente estão ali, Warszawa está ali, e é graças a essa faixa que uma banda vai escolher o nome de Warsaw para mais tarde ser chamada de Joy Division. É um disco conceitual, mas que ao mesmo tempo faz questão de ser ouvido e por isso o elemento pop está ali. Creio que o grande feito de Low é abrir espaço e possibilidade de tornar audível ao grande público o que havia de mais experimental até então, fazendo uma ponte e dando forma a algo ainda restrito a alguns círculos. Também temos os efeitos, largamente usados e atualmente algo tão comum nas músicas, mas com certo ar de novidade na época.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

The Sun Records Collection (1994)

A Sun Records era uma das várias gravadoras pequenas que existiam antes da absorção e monopólio pelas grandes gravadoras. Curioso pensarmos como neste período do começo da música pop como conhecemos e sua tomada da frequência das rádios era basicamente feita na base de singles e ep. A ideia de um álbum na duração de um LP ainda era pouco usual. A Sun acabou ficando famosa por terem passado por ela quase todos os grandes nomes da música na época, sejam eles brancos ou negros, mistureba que dizem dar origem ao roque en rou. Sam Philips, fundador da gravadora, era antenado com a música branca Country mas também adorava a música negra, por isso o que temos aqui é um claro mix de canções com uma pegada mais country enquanto outras são gigantes como Howlin' Wolf, além daquele Rockabilly que bem conhecemos. O grande destaque desta coletânea são as canções esquecidas ao longo do tempo, e os artistas que provavelmente não produziram mais do que algumas poucas canções e pelo esquecimento do tempo ficaram. Nem por isso você deixa de se surpreender, pois se prestar bastante atenção verá que as buscas por uma nova sonoridade já estão presentes ali. Está elencado também na lista de melhores álbuns da revista Rolling Stone, caso isso seja de algum convencimento.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Jay Holy - Skeletor EP (2013)

Dicas de amigos sobre música, muitas vezes são as mais acertadas, especialmente quando você não espera nada dessas dicas. Este EP é puxado por belos moogs e sons sintéticos. Seu cover de Skeletons da banda Sound (uma das mais subestimadas do roque) é matador e te convence a ouvir o resto do EP, experiência bem agradável por sinal. Este som é recomendado para quem procura aquele som simples, bem trabalhado e que te envolve. Nessas horas eu insisto com você meu amigo que diz que a música morreu, e quase sem querer repete o discurso da necrosada indústria musical, a música vai bem, está produzindo coisas boas. Aproveite!

quinta-feira, 5 de março de 2015

Gattopardo - Gattopardo LP (2014)

Não é todo dia que uma banda aparece fazendo algo diferente da maioria. Em meio a um cenário underground, alternativo e sem dinheiro, as coisas são mais difíceis, nem por isso menos belas. Com um show envolvente a Gattopardo vem fazendo um bom pós-punk em português - algo bem complicado. Com referências bem marcadas que parecem passar por Bauhaus e The Fall, a sonoridade consegue se constituir como algo próprio para além da simples imitação do ídolo. Referências claras, mas que continuam sendo referências. Isto tudo é muito positivo. Confesso que esta é uma das poucas bandas na linha do pós-punk que pude assistir, e valeu a pena!


campodasbandas!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Adrian Belew - Lone Rhino (1982)

Descobri Adrian Belew assistindo a versão ao vivo do David Bowie de Station to station com ele fazendo os barulhos que são sua marca registrada. Provavelmente graças ao punk rock, nunca fiquei de queixo muito caído para "super-guitarristas", apesar de gostar e valorizar (mesmo achando um saco) uma lista considerável. Minha implicância com músicos muito "virtuosos" é que não cessam de cuspir sua genialidade aos quatro ventos, e isso pode encher o saco, afinal rock'n'roll é para ouvir e dançar. Talvez Adrian Belew seja maravilhoso graças a sua influência mais citada: o rinoceronte! Na sua busca por um som novo e diferente, Belew é famoso por reproduzir com sua guitarra sons semelhantes ao grito de animais, sendo o rinoceronte o mais recorrente. De fato ele conseguiu criar um sonoridade completamente nova para a guitarra. Não por acaso é um músico de peso, além de Bowie também temos Frank Zappa, Talking Heads, Nine Ich Nails e King Crimson como as bandas nas quais já tocou. Seu trabalho solo é mais marcado pelo experimentalismo, e pode não ser tão surpreendente quando os nomes associados a ele já citados acima, mas de fato ele está longe de ser um nome ignorado, sua música e técnica são originais. Destaque para a faixa Lone Rhino.