A busca por novos sons deve ser intensa. Nisto, fucei um tempo atrás gravações sobre Cravo. Instrumento comumente apontado como antecessor do piano, tem seu funcionamento através de pinças sobre cordas. É um instrumento muito característico do período barroco, comumente utilizado para ambientes mais privados, reservados. Gerog Friedrich Händel é um dos grandes expoentes da música barroca. Alemão, vai consagrar seu trabalho em terras inglesas. É verdade que escutar um cravo horas seguidas, pode ser algo cansativo como colocou uma amiga minha, ainda assim é válido escutar este curioso e complexo instrumento trabalhando. A gravação da execução de Pinnock é muito boa, não sendo incomum escutarmos as cordas sendo pinçadas ou as teclas voltando para seu lugar no teclado.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Brian Eno with Daniel Lanois & Roger Eno - Apollo: Atmospheres and Soundtracks (1983)
A ideia do disco é ser uma trilha sonora para um documentário sobre as missões apollo. O disco é numa linha de ambiente fácil de ser ouvido, pois as músicas são curtas e mais atmosféricas do que temos no disco de música de aeroporto do Brian Eno. Ando escutando bastante música ambiente, e em especial Brian Eno. O Disco apollo é sempre bem quisto no caso de dúvidas e na busca de algo mais fácil e prático de ouvir. O uso de guitarras tem alguma presença aqui, algo que também encontramos nas participações com Robert Fripp, mas soam diferentes.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Alice Coltrane - The Ptah, El Daoud (1970)
Não saber até pouco tempo atrás quem foi Alice Coltrane, me envergonha. Como é de se imaginar, ela foi esposa de John Coltrane. Mas o que me surpreendeu não é esta associação - esse costume de reduzir mulheres à com quem são casadas. O que surpreendeu é sua música. Construída entre o jazz e ritmos tradicionais (em especial indianos, até pela sua conversão ao hinduismo em 1970), sua sonoridade é algo único. A potência da música é para tomar conta do ambiente. Sua oscilação entre o piano e a harpa, que pensei em princípio seria algo estranho, compõe execuções bem particulares. Tudo isto é produzido por um quarteto, que por vezes oscilam seus instrumentos, tal qual Alice Coltrane faz em Blue Nile, onde te leva para descer o Nilo, ora tocando piano, ora harpa. A faixa Turiya & Ramakrishna é o grande destaque. Em resumo uma música entorpecedora.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Iggy Pop - Post Pop Depression (2016)
Este disco flerta bastante com uma certa alta da música pós-punk-depressiva-noir. A estética é esta o disco todo, e a referência é clara ao lermos uma das faixas chamas german days, nos remetendo as andanas de Pop por Berlim. Não estamos falando de obra-prima, e acredito que Iggy Pop já produziu as obras primas que uma pessoa na terra poderia produzir. Ainda assim o disco é bem consistente, apresenta faixas que valem a pena serem ouvidas muito mais do que uma única vez, como é o caso da minha favorita Gardenia. O fato de contar com um músico experiente como Joshua Homme, mais famoso por sua atuação junto ao Queens of stone age colabora bastante. Suas guitarras não são óbvias, e vão para além da pegada garageira que lhe deixou famoso. O que digo de Joshua Homme é que ele conseguiu ir além daquilo que o consagrou, palmas para ele. E Iggy Pop conseguiu produzir um disco sintonizado, bem acabado e bom de ser ouvido, mais palmas. Lembrando que uma banda não é nada sem a totalidade de seus integrantes, as palmas não podem faltar para Dean Ferita e Matt Helders.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Vangelis - Blade Runner (1994)
Talvez seja complicado dizer algo sobre Blade Runner que não seja simples - e merecida - babação de ovo. Em princípio, anos atrás quando ainda frequentava lojas de disco (e estas também existiam), havia visto a trilha sonora de Blade Runner para vender, e me perguntei quem ouviria esta música sem o filme? A música ambiente ainda era algo distante para mim. Verdade que não é uma dessas músicas "mais fáceis" de ouvir, somos de fato muito acostumados com o pop e sua linguagem (não é questão de facilidade ou acessibilidade, linguagem é algo mais ligado a prática). Fazer a trilha sonora de Blade Runner não deve ter sido tarefa fácil, pois se tratando do futuro não cairia bem usar músicas do passado (no caso, nosso presente e tempos anteriores). Neste sentido trouxeram Vangelis e seus sintetizadores formando uma orquestra. Apesar do filme ser de 1982, o lançamento da trilha só ocorreu em 1994, e desde então aparecem várias versões, desde músicas feitas que não são utilizadas no filme, até músicas posteriores mas inspiradas no filme.
BahiaPirata!
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Ry Cooder & Vishwa Mohan Bhatt - A Meeting by the River (1993)
Muita gente, incluso eu, conhece Ry Cooder por seu trabalho com o Buena Vista Social Club ou pela trilha sonora de Paris, Texas. Mas Ry Cooder, talvez seja um dos grandes nomes das seis cordas nos EUA e no mundo. O sujeito tem uma sensibilidade interessante para música, buscando ir além do óbvio, bem como transitando por vários ritmos (tarefa árdua para músicos, dado que cada novo ritmo é como aprender uma nova forma de tocar). Este disco é um pouco apagado do lado dos trabalhos já citados, ou da contribuição mais conhecida com Ali Farká Touré. Verdade que não se mostra uma obra tão "completa" quanto os acima citados, mas é um disco que surpreende e entrega boas músicas. É um disco que gosto bastante de escutar no final do dia, com o por do sol. Junto com a "guitarra" temos as citaras* indianas, e outros instrumentos harmonizando bem em longas e meditativas faixas. É um disco que vale a pena ser ouvido.
BahiaPirata!
* verificando, o que Vishwa Bhatt usa é um instrumento entre a citara indiana e a guitarra.
terça-feira, 7 de junho de 2016
Charles Mingus - Blues & Roots (1960)
Este disco me fez pagar pelos meus pecados. Sempre declarava que havia um problema sério no jazz pelo fato dos músicos se divertirem mais do que a plateia. Não é um ritmo fácil de ser ouvido, exige maturidade, e dai meu desprezo por esse pedantismo de que você não pode dizer que não gosta de jazz. Você não entende de música se diz isso. Verdade que todo mundo gosta de alguma coisa de jazz, vai dizer que não vibrou quando viu o filme do Ray Charles ou Whiplash? Ou que não acha chique as trilhas sonoras do Woody Allen? Bem, mas falar de Jazz é a mesma coisa que de rock. Charles Mingus é um desses baixistas ligados ao vanguardista momento pelo qual o jazz passava no pós-guerra. É um jazz mais complicado e menos usual do que as orchestra. Demorei para sacar que o lance nesse disco (e outros) é o tempo. Música é tempo, se não está no tempo certo, não está bom. O que faz um ritmo ser diferente do outro, e logo uma música diferente da outra é o tempo. Disco já para além do Be Bop, mas que apresenta as variações de tempo ao longo das faixas, prazeroso escutar os berros no estúdio conforme a banda prossegue. Dai fica fácil entender o porque do jazz ter se tornado um estilo musical tão associado ao urbano e noturno. Seu ritmo quebrado, seu improviso combinam com a vida urbana e sua experiência.
ChutenocÜ!
ChutenocÜ!
sexta-feira, 6 de maio de 2016
John Williams - The Baroque Album (1988)
Tempos atrás descobri um instrumento lindo chamado "Viola Barroca", muito comum no período barroco, porém pouco comum hoje em dia. Atrás de músicas em viola barroca encontrei este disco que nada mais são do que músicas barrocas executas em um violão clássico convencional. Confesso, que para um leigo como eu, barroco era a base de cravo e orgão (Bach?). Mas, como podemos deduzir pela viola citada acima, houveram inúmeras composições para esta família das cordas. O disco é muito bonito e bem executado, além de ser um material não tão fácil de encontrar¹. As músicas são de compositores consagrados dentro da música barroca. Confesso que o disco gera um efeito de música ambiente muito facilmente, o que imagino esteja diretamente conectado ao fato de boa parte destes músicos serem da corte, e por isso suas composições deveriam servir mais para pano de fundo, do que para serem propriamente apreciadas. Nada disto apaga sua beleza. Por fim, cabe falar de John Williams, o executor do disco. Primeiro que há dois John Williams, um é o famoso maestro de Hollywood, que dentre seus trabalhos temos a trilha sonora de Star Wars, e durante algum tempo acreditei que este disco era dele. Com mais pesquisa, descobri que existe um australiano chamado John Williams que é algo como o melhor violonista clássico do mundo, este é o músico do disco.
1 - Por sinal, se alguém tiver gravações de música erudita em viola caipira ou barroca, ficaria muito agradecido :)
segunda-feira, 2 de maio de 2016
Dr Dre - The Chronic (1992)
Dr. Dre é o cara daqueles fones da beats, e atualmente é bem famoso pelo seu êxito financeiro no mercado musical. Já sabia que o rapaz mandava ver devido a seu trabalho no NWA, e o quão importante o grupo fora para transformar o Rap. Este disco é um marco do rap dos anos 1990 e não sei como demorei tanto tempo para chegar nele e, acabar só o ouvindo agora depois de assistir o filme sobre o NWA. O que há de mais notável neste disco é a capacidade sintética para com o rap dos anos 90, já que cunha parâmetros (me parece) ainda não foram abandonados. Em larga medida, e digo baseado no que aparece no filme Dope (2015), depois dos 1990's haveria um certo limbo, que ao mesmo tempo que consolida o Rap enquanto o grande gênero Pop, este perde sua capacidade de diálogo para além da ostentação e hedonismo, bem como uma potência de ruptura estética tão clara quanto a que ocorria em discos como este. Que fique claro, não choremos por genialidades perdidas no passado, isso é um conservadorismo dos mais avinagrados (se já não bastasse o conservadorismo por si só). Ainda me pergunto como demorei tanto tempo para chegar aqui. Escutemos o disco.
ChuteNoCÜ!
ChuteNoCÜ!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
The Horrors - Luminous (2014)
The Horrors é uma banda da qual meus amigos sempre falavam, e da qual eu exercia muito da minha resistência para bandas atuais. Porém, eles foram me cativando no momento certo, junto com um bom sistema de som, questão pela qual eu prezo cada vez mais. Sua sonoridade flerta com uma série de coisas que eu adoro, muitos efeitos, ambiência, experimentação e uma música nem tão longa (apesar de se estenderem mais neste disco do que em relação ao começo de carreira). Definitivamente eles começaram como uma promissora banda de garagem, e conseguiram galgar um lugar na produção de música de qualidade. Suas músicas soam grandiosas, em largas medidas devido ao seu uso e abuso de teclados e efeitos. Luminous já é a pegada mais madura da coisa toda, seu som é mais grandioso, mais refinado do que nos discos anteriores, vai ver por isso demorei um pouco mais para pegar este disco. Minha teoria de que quanto mais tempo você demorar pra curtir um disco, mais tempo você curte ele na sua vida, algumas vezes acerta.
BahiaPirata!
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